17/04/08 - 01h:09mDenunciar

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ao som de "winter lady", do poeta-músico Cohen...uma melodia triste, mas bonita demais!!!





Ela judia; ele nazista



Fabiano Curi



Uma das relações emocionalmente mais controversas entre intelectuais definitivos para o pensamento e a história do século passado foi a dos filósofos Martin Heidegger e Hannah Arendt. Os dois se conheceram na Universidade de Marburg, em 1924, quando ela era uma jovem estudante de 18 anos, e ele, um professor de destaque.

Um dos pensadores mais influentes do século 20, Heidegger ficou marcado também por sua ligação com o regime nazista, enquanto Arendt, judia, dedicou boa parte de sua importante obra ao estudo de regimes totalitários.

O engajamento político de Heidegger provocou reflexões muito sérias em Arendt, sobretudo no que diz respeito à tensão entre filosofia e política que orienta a tradição da filosofia política ocidental desde sua origem, com Platão. Por outro lado, e dado que ela nunca considerou o pensamento de Heidegger como intrinsecamente nazista, isso não lhe impediu de buscar inspiração em certos conceitos de Heidegger a fim de repensar as possibilidades da própria teoria política após a ruptura do fio da tradição.

O choque e a decepção com o engajamento de Heidegger foram importantes na definição da trajetória de seu pensamento. Até 1933, ela não tinha preocupações intelectuais a respeito da política. A partir de então, se posicionou por meio da total recusa do meio intelectual e do engajamento na ação direta de resistência ao nazismo.

Somente em 1946 ela voltaria a discutir questões estritamente filosóficas, ao publicar, já nos EUA, um texto introdutório sobe o pensamento existencial alemão. Nela, criticou o pensamento de Heidegger em Ser e tempo, acusando o conceito de autenticidade de solipsista e romântico. Em 1949 ela mudou sua avaliação, chegando a referir-se aos conceitos de Ser e tempo como contribuições decisivas para a renovação do pensamento político. A mudança certamente teve a ver com o reencontro e o reatar de laços entre os dois.

Isso não significa que Arendt dependesse intelectual e afetivamente de Heidegger. Talvez a melhor definição para o estado da relação teórica e afetiva do casal esteja contida em uma pequena nota que Arendt pretendia entregar a Heidegger como dedicatória ao volume de A condição humana, mas não o fez, em que ela dizia que havia "permanecido fiel e infiel" a ele, "ambas as coisas com amor".



Fonte: revista Cult





Leonard Cohen - Winter Lady (tradução)



Dama do Inverno



Senhorita viajante, fique um pouco mais

Até a noite findar

Eu sou apenas uma estação pelo seu caminho

Eu sei que não sou seu amante



Bem, eu morei com uma criança da neve

Quando eu era um soldado

E eu enfrentei todo (tipo de) homem por ela

Até as noites se tornarem mais frias



Ela costumava usar o cabelo como o seu

Exceto quando estava dormindo

E então ela o teceu em um tear

De fumaça e ouro e respiração



E por que estás tão quieta agora

De pé parada aí na porta?

Você escolheu seu caminho muito antes (de)

Você chegar por esta estrada



Senhorita viajante, fique um pouco mais

Até a noite findar

Eu sou apenas uma estação pelo seu caminho

Eu sei que não sou seu amante





Leonard Cohen

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