15/10/08 - 01:30Denunciar

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A atual crise econômica anda apavorando o mundo...só podia ter surgido na terra dos riquinhos-antipáticos americanos. Agora, o Estado vai ter de intervir e ajudar os ambiciosos bancos dos EUA, porque caso contrário vai todo mundo se foder. Isso ainda é culpa da "revolucionária" burguesia...

Aí vai parte de um trabalho que fiz...

O sistema burguês

A burguesia surgiu das ruínas da sociedade feudal, predominante na Idade Média e composta pela nobreza, pelo clero e por camponeses. Ela ganhou impulso com a manufatura. A descoberta da América e a circunavegação da África ofereceram à burguesia um novo campo de ação. Assim, os mercados ampliavam-se cada vez mais e a procura por mercadorias aumentava sempre. Foi então que a classe ganhou mais força e a própria manufatura tornou-se insuficiente. A máquina revolucionou a produção industrial. Surgiram os milionários da indústria, ou melhor, os burgueses modernos.
A burguesia criou o capitalismo, o mercado mundial, que acelerou o desenvolvimento do comércio, da navegação e dos meios de comunicação. À medida que eles se desenvolviam crescia a burguesia, multiplicando seus capitais e deixando para trás as classes legadas pela Idade Média.
Cada etapa da evolução percorrida pela burguesia era acompanhada de um progresso político correspondente. Desde o estabelecimento da grande indústria e do mercado mundial, a burguesia conquistou a soberania política exclusiva no Estado representativo moderno. O governo nada mais é se não um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa.
Todas essas conquistas e glórias provam que a classe desempenhou, na história, um papel altamente revolucionário. Só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção e as relações sociais. Ela foi a primeira a provar o que pode realizar a atividade humana, ou seja, fez maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos e as catedrais góticas. Além disso, criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais que todas as gerações passadas em conjunto.
A soberania da burguesia tem seu lado cruel. Onde quer que conquiste o poder, ela destrói as relações patriarcais e cria laços de interesse, gela valores cristãos e sentimentalismos com seu cálculo egoísta, reduz as relações de família a relações monetárias, faz da dignidade um valor de troca, substitui a liberdade pessoal pela liberdade de comércio. A classe faz do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio, seus servidores assalariados. Enfim, a classe explora, de maneira aberta, cínica, direta e brutal.
Devido ao constante progresso, com conseqüências boas ou más, a burguesia arrasta para a sua civilização até mesmo as nações mais bárbaras, contrárias ao seu sistema capital. Sua força é tanta que cria um mundo à sua imagem e semelhança, submetendo o campo à cidade, aumentando a população e subordinando os povos camponeses aos burgueses e o Oriente ao Ocidente. A burguesia aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A conseqüência dessas transformações foi a centralização política. Províncias independentes, apenas ligadas por laços federativos, possuindo interesses, leis, governos e tarifas aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só governo, uma só lei, um só interesse nacional de classe.
Como a burguesia abateu o feudalismo com a criação de novos mercados e a revolucionária produção industrial, esses mesmos elementos se voltaram contra ela. O modo de produção burguês, o capitalismo, se tornou tão poderoso que acabou fugindo do alcance da burguesia. O sistema burguês tornou-se demasiado estreito para conter as riquezas criadas em seu seio. Perdeu o controle de suas riquezas e as crises comerciais se tornaram constantes no mundo. Normalmente, essas crises são combatidas pelos próprios burgueses, pelo extermínio de parte das forças produtivas ou pela conquista e exploração de novos mercados.
Além das crises comerciais, econômicas, há uma segunda arma que se volta para a burguesia: os homens que trabalham para ela, ou seja, os operários, os proletariados. Nas relações de produção e de troca, no regime de propriedade, o burguês não pode mais controlar as forças que pôs em movimento. Já faz tempo que a história da indústria e do comércio não é senão a história da revolta das forças produtivas modernas contra as atuais relações de produção e de propriedade que condicionam a existência da sociedade burguesa. Cada crise destrói não só uma grande massa de produtos já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças produtivas já desenvolvidas.
As forças produtivas não mais favorecem o desenvolvimento das relações de propriedade burguesa, pelo contrário, tornaram-se por demais poderosas para essas condições, que passam a entravá-las e todas as vezes que as forças produtivas sociais se libertam desses entraves precipitam na desordem a sociedade inteira e ameaçam a existência da propriedade burguesa.
Com o desenvolvimento do capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos que só podem viver se encontrarem trabalho. Eles passaram por diferentes fases de desenvolvimento e sempre estão em luta contra a burguesia. Os operários são mercadorias, estão sujeitos a concorrência e a todas as flutuações do mercado. Depois de sofrer exploração do fabricante e de receber seu salário, o operário torna-se presa de outros membros da burguesia, do proprietário, do varejista e outros. Porém, ele não se limita a atacar as relações burguesas de produção, ataca os instrumentos de produção: destrói mercadorias estrangeiras que lhes fazem concorrência, quebra as máquinas e queima as fábricas.
O operário é uma arma para a burguesia porque luta contra a sua exploração, seja tendo como alvo as relações de produção burguesa, as máquinas e as mercadorias. Os choques entre operário e burguês tomam cada vez mais o caráter de choques entre duas classes. Os trabalhadores começam a formar uniões contra os burgueses e atuam em comum na defesa de seus salários, chegam a fundar associações permanentes a fim de se prepararem, na previsão daqueles choques eventuais. Mas toda luta de classes é uma luta política. O proletariado aproveita das falhas da burguesia para obrigá-la ao reconhecimento legal de certos interesses da classe operária, como lei da jornada de trabalho e outros direitos.
A burguesia vive em guerra constante, seja contra a aristocracia ou frações da própria burguesia cujos interesses se encontram em conflito com os progressos da indústria. Em todas essas lutas, ela vê-se forçada a apelar para o proletariado, arrastando-o para o movimento político, de modo que ele aprenda os elementos de sua própria educação política, isto é, usa a arma contra ela própria.

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