16/03/09 - 12:21Denunciar

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Saudade de ver a Karla assim...


Vou relatar uma situação aqui, que para alguns o fato pode até ser bobagem, para outros pode servir de ensinamento. Para mim, ocorreu como um ensinamento. Eu me cobrei muito ontem.

Domingo, por volta das 7h30, saí de Formiga para ver minha amiga, que infelizmente não está muito boa. Levei os familiares dela para vê-la também. Ao chegar ao hospital São João de Deus, em Divinópolis, um rapaz anotou nossos nomes e pediu para que aguardássemos sentados até que fóssemos chamados ao CTI. Podiam entrar somente quatro pessoas.
Passou pouco mais de dez minutos e o rapaz nos chamou e pediu para subirmos uma rampa e aguardarmos sentados em cadeiras vermelhas. Uma psicóloga passou por todas as pessoas que iriam fazer visitas e nossos nomes novamente foram recolhidos, junto ao grau de parentesco. Eu, a avó, irmão e cunhada da Karla, sentados ao lado de um orelhão, aguardávamos a chamada da psicóloga para entrarmos no CTI. De repente, uma mulher aos prantos se aproxima de nós. Havia acabado de perder a mãe (já idosa). No orelhão, ela tentava ligar para a casa do irmão para contar a triste notícia, mas não conseguia. Tremia muito. Eu pensava. Eu tenho de ajudar essa mulher, tentar fazer a ligação para ela no orelhão, oferecer meu celular. Porém, eu fiquei nervosa e travada. Não consegui fazer nada. Uma outra mulher que estava bem longe de nós, na ponta da fila das cadeiras vermelhas veio e ofereceu seu celular. A mulher não aceitou, mas percebi que ela se acalmou quando a outra se aproximou. Em seguida, ela conseguiu fazer a ligação no orelhão. Reconheci o meu erro e fiquei me cobrando por não ter agido. Acho que uma pequena ação vale muito mais que, de repente, uma oração. Não adianta eu rezar (principalmente nesse momento difícil), se eu deixo passar uma situação assim. Será que Deus me mostrou isso? Que Ele está nessas pequenas ações?

Hoje, ao pegar a Bíblia (o que faço raramente), abri no capítulo 58, versículo 1-14, que tem o titulo “O verdadeiro jejum” – estamos em época de jejuar. No texto, Deus questiona qual o jejum que lhe agrada. Ele pergunta: “O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? é romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo; é repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos em lugar de desviar-se de seu semelhante. Então, tua luz surgirá como a aurora e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.”

Por falta de ação, eu me desviei do meu semelhante (da mulher que chorava por perder a mãe e não conseguia ligar para o irmão). Às vezes, se eu tivesse feito essa pequena ação, as minhas feridas de não ter minha amiga saudável por perto já estariam se cicatrizando. Só sei que ando achando os dias ruins, o mundo triste. Guimarães Rosa tem razão: “Viver é muito perigoso”.

Comentários (1)

1. jusmith 16/03/2009 - 17h:49

Esqueci de citar: Isaías

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