17/03/09 - 22:24Denunciar

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ao som de "birds", do Neil Young...

Papai, Branco e Arlinho...gosto demais dessa foto. Nao sei quem a registrou, mas o lugar e´ o Córrego d'Areia. Quinta-feira vou `a roça fazer uma visita para a vovó. Estou em falta com ela. Impressionante, no Córrego d’Areia, o céu sempre é mais azul e o pasto mais verde. As lembranças que tenho desse lugar são de dias sempre claros, como da foto.


O cheiro da saudade

Texto escrito no dia 12 de agosto de 2007 – Dia dos Pais.

Têm pessoas que passam tão depressa por nossas vidas que às vezes nem percebemos a importância delas e vamos notar isso mais tarde, somente quando batem as boas lembranças. Isso ocorreu comigo hoje, no fim da tarde, quando voltava de Belo Horizonte. Estava em um ônibus da Santa Fé, com pouco mais de dez passageiros.
Ansiosa para chegar a Formiga, deixava a viagem seguir entre um cochilo e uma leitura. O meu lugar era a poltrona número 01. Ela me permitia assistir as paradas do ônibus e ver quem entrava e saía dele. Por volta das 18 horas, já próxima de casa e finalizando a leitura “como é a cabeça dos estudantes de jornalismo”, matéria da edição 121 da “Caros Amigos”, o Santa Fé parou. O ponto era de Betânia, comunidade rural que fica a poucos quilômetros de Formiga.
Um velho, com aparência de 70 anos, camisa branca e chapéu de palha, entrou, me cumprimentou e sentou em uma poltrona próxima à minha. Foi neste momento que o cheiro da saudade me chapou e as boas lembranças vieram. O senhor que não sei o nome tinha o mesmo cheiro do vovô José Caetano Leal, o Zezé Marinho [morreu em outubro de 97]. Um cheiro característico de alguns roceiros apreciadores do “pito de paia”, como vovô mesmo chamava seus cigarros. Olhei para o lado e vi as mãos grossas do velho sobre a poltrona. Elas também se pareciam com as do meu avô. Comecei então a voltar ao tempo.
As boas lembranças que eu tinha do Zezé Marinho, o velho sorridente que gostava de dançar catira, jogar truco e fumar “pitos de paia”, vieram em um dia bacana – Dia dos Pais. Tenho certeza que muitos da família se lembraram dele hoje, mas faltava eu. Vovô deixava os domingos no Córrego D’Areia mais agradáveis. Eles demoravam a passar e eram sempre claros. Estranho, não me lembro de dias nublados ou chuvosos no sítio dele.
Zezé Marinho foi um roceiro, mas um roceiro elegante (andava sempre de chapéu, roupas claras e um relógio de bolso na calça, além de um canivete que usava para debulhar o fumo). Foi um velho (o conheci assim), de cabeça e bigode brancos, olhos azuis, magro e alto. Bonito demais. Acho que o amor faz a gente achar as pessoas mais bonitas.
Inúmeras vezes, o vi tocar vacas, tratar de porcos, cuidar do paiol e apanhar jabuticabas. Por várias vezes, ele me colocou no colo e me fez fumar “pitos de paia”. Dizia que eu podia experimentar que não faria mal.
O cheiro de hoje, de cigarro de palha impregnado no velho do ônibus, me fez voltar a um tempo bom. As lembranças só passaram depois que esse mesmo velho parou em um ponto antes do meu. Gostei de ter sentido o cheiro do vovô, o cheiro da saudade.

Comentários (1)

1. jusmith 18/03/2009 - 10h:30

verdade, Paulo...rs. Mas acho que eles estao melhores hoje...rs. Muita injustiça: o homem quanto mais velho, mais bonito e interessante. Ja´ a mulher, infelizmente, tem de se cuidar...rs.

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