19/03/09 - 00:29Denunciar

...........

ao som de "the last day of summer", do Cure...

Acabei de chegar do Pronto Socorro de Formiga. Estava na casa da amiga Juliana “Moreninha” e a vizinha dela, dona Maria, me pediu para levar seu filho, Thiago, ao hospital. Por incrível que pareça, gostei de ter ido ao Pronto Socorro. Conheci a historia de vida de algumas pessoas especiais. A primeira foi da própria dona Maria, que tem 53 anos e criou sozinha, com muita dificuldade, o Thiago, que hoje esta´ com 20. O pai fez a mãe sofrer e nunca quis saber do filho. Os dois moram sozinhos no Ouro Negro e lutam juntos para sobreviverem. Apesar disso tudo, o rapaz é ate muito responsável e educado (boa a educaçao da dona Maria, o jovem não é nenhum rebeldinho sem causa). Desde ontem ele esta com febre alta.
Depois, conheci também a Francisca, mulher sorridente que mora no Rosário. Aguardava do lado de fora do Pronto Socorro a filha adolescente, Renata, que esta grávida e já sentia as contrações do parto. Francisca estava acompanhada do filho de criação Vitor, um loirinho de 9 anos. Quando falava dele, era visível nos olhos e sorriso dela o amor que sente pela criança. Disse que a mãe de sangue do garoto o rejeitou e o deu para ela quando era bebezinho. O menino sabe da existência da "mãe", passa perto dela na rua e a chama de ex-mãe. Francisca contou que o garoto é o filho quatro da família e ainda comentou rindo: “Eu já ouvi falar ex-marido, ex-mulher, agora, ex-mãe nunca”.
Ao sentar no banco frio de concreto que tem na portaria do Pronto Socorro, conheci a Cristina, mãe-jovem da Talita, de oito meses. A menininha, que se parece com a criança da foto, estava hoje com dificuldade para respirar e aguardava ser chamada pela enfermeira para o atendimento médico. Peguei a criança no colo e, mesmo doente, ela sorriu. Não chorou em nenhum momento. Cristina é mãe de mais duas meninas: uma de sete e outra de quatro anos. Elas haviam ficado em casa com o pai. A família mora no Ouro Verde, penúltimo bairro de Formiga, na saída da cidade pela BR-354. O ultimo é o Jardim Montanhês. Perguntei a ela como iria embora. Cristina respondeu: “Vou de lotação e se eu demorar a ser chamada terei de ir a pé”. Por ultimo, encontrei uma vizinha de bairro, dona Rosa, que havia acabado de passar por uma sessão de hemodiálise. Sentou no banco frio de concreto para esperar seu filho que a buscaria de carro.
Nesse tempo que fiquei no Pronto Socorro, observei que as pessoas mais simples são bem mais acessíveis e revelam facilmente suas vidas. Mesmo no momento de doença, são solidárias no bate-papo e, muitas das vezes, com sorriso no rosto. Eita povo forte...rs.

Comentários (0)

Fotos postadas a mais de 15 dias não podem receber comentários.