06/04/09 - 22:31Denunciar

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ao som de "enter sandman", do Metallica...nossa senhora!

Segue um texto que li hoje...e´ legal...so´ nao concordo com o fato de o rock and roll ter um "hall da fama".

Metallica: tradução dos discursos do Rock ´N´ Roll Hall Of Fame

Por Carlos Tourinho - 06/04/09

Neste dia 4 de abril, o METALLICA finalmente foi introduzido no Hall da Fama do Rock 'N' Roll, tendo se juntado a artistas que já haviam entrado anteriomente, como LED ZEPPELIN, BLACK SABBATH, VAN HALEN, RAMONES, AC/DC e U2.

O discurso de introdução foi realizado por Flea, baixista do RED HOT CHILI PEPPERS, e após isso, cada um dos membros que tocaram em discos do Metallica durante a carreira (e Ray Burton, representando seu filho, o falecido baixista Cliff Burton) fizeram seus discursos. Segue abaixo a tradução de cada um deles:

FLEA:

“Por volta de 1984, eu estava em turnê com minha banda, em algum lugar no meio da América, eram 3 ou 4 horas da manhã, nós todos estávamos apertados em nossa van, com nossos equipamentos... estava chovendo lá fora... cansados de estar na estrada, e essa música começa a tocar no rádio, e eu não conseguia acreditar naquilo, era como se eu estivesse vivendo nesse mundo normal, em que eu conhecia tudo que tocava na rádio, mas de uma hora pra outra, minha cabeça estava explodindo, por causa dessa coisa bela e violenta, que tinha nada a ver com qualquer coisa que eu já tinha ouvido em minha vida.

É isso aí.

Eu estava só ouvindo o rádio... estava só olhando para o rádio, eu estava apenas – ‘QUE PORRA É ESSA? PUTA MERDA!’ – Anthony vira pra mim e eu digo: ‘Cara! Isto é maravilhoso!’

Eu estava totalmente encantado por esta música. Eu não sabia explicar o porquê, tinha guitarras altas, rápida como um raio.. mas não era punk rock, não era heavy-metal... mas era precisa, explosiva e pesada. Era rápida, se portava bem e demandava respeito. Era agressiva e intensa, com mudanças rítmicas selvagens e bizarras, mas ainda assim se mantinha como uma puta música. Eu estava cantando junto, antes do fim, ela não usava dos padrões convencionais das músicas pop que eu já tinha ouvido. Eu não sei o que era, eu não sabia o que era, a única coisa que sabia, com certeza, que era uma coisa poderosa. Esta música era ‘Fight Fire With Fire’... e abriu minha mente para a poderosa força da natureza que era o Metallica.

Com o passar do tempo, eu descobri o gênero musical conhecido como speed metal, thrash metal, o que você quiser rotular, e ouvi um bocado de bandas tocando do mesmo modo, mas nenhuma delas chegou perto de colocar tudo isso junto como o Metallica. Algumas eram mais virtuosas, outras eram mais loucas, e algumas eram somente boas e interessantes bandas, mas quaisquer que sejam os elementos intangíveis que fazem uma banda ser a melhor, Metallica as têm.

Eles são verdadeiros.

Você pode pôr os melhores músicos do mundo juntos em uma sala, criar sua banda dos sonhos, mas isso não significa que as faíscas irão surgir, quando começarem a tocar juntos. Há forças divinas trabalhando para fazer com que coisas mágicas aconteçam, e nos raros instantes em que essa mágica acontece com uma banda, não é algo que você possa adicionar como uma simples matemática. É uma química cósmica e é inexplicável. Se fosse apenas uma questão de se ter uma lista de ingredientes para se fazer uma grande banda, então todo mundo poderia fazê-lo, mas isso é impossível. É verdadeiramente uma coisa fodidamente sagrada e mágica, e só acontece quando os poderes espirituais o fazem.

Então, se você pergunta, ‘por que isso detona?’... a resposta para essa questão, parafraseando o grande Louis Armstrong, é: ‘Se você precisa perguntar, você nunca vai saber’.

Quando o Metallica começou, em 1981, eles não tomaram o passo típico para o sucesso, eu não sei se o estrelato máximo e vender um zilhão de álbuns estavam em seus planos, mas se eles estavam almejando se tornar uma das mais bem sucedidas bandas de todos os tempos, com certeza não seria de um jeito comum. Em mundo de canções pop de 3 minutos, que dominavam as rádios, esses caras do Metallica tocavam canções de 10 minutos que detonavam sua cara. Eu não acho que eles ficavam sentados pensando em ser rockstars chiques, acho que eles queriam apenas tocar rock. A motivação deles era, e é, pura.

O fato de como eles se conectaram com o mundo é fenomenal. Eles se tornaram um nome reconhecido da música que não era mainstream. Essa é a música dos excluídos. E por terem feito o que fizeram, é realmente de explodir cabeças.

Uma coisa que sei com certeza, é de que eles entrariam direto no Top 40 de KC Kasem, com seu primeiro disco ‘Kill Em All’, eles estavam indo direto com um hit single, ‘Anesthesia – Pulling Teeth’. E eu preciso dizer a vocês, um solo de baixo de 5 minutos é o segredo para o sucesso comercial. E, sendo eu um baixista, essa música é um dos grandes momentos para o baixo elétrico na história do rock.

Cliff Burton era um maravilhoso, soberbo, profundo, louco e virtuoso baixista. No Rock, a maioria dos solos de baixo são muito egocêntricos, técnicos, e muitas vezes, chatos, sabem. Todo solo que ouvi de Cliff Burton é uma expressão cheia de alma, psicodélica, e headbangin’, que detona seu mundo, pira seu cérebro e agita a casa. Um belo pedaço de música tocado por um jovem rockeiro incrível, uma peça rara de ser humano. E quando o ouço tocar, eu ouço um músico que fodia tudo com amor e paixão, o que é óbvio em sua maneira de tocar.

A pior tragédia que pode acontecer com qualquer um, em minha opinião, é que quando as pessoas morrem, não se tira a canção que havia dentro delas, não se tira a dádiva que tinha nelas. Mas o belo oposto disso, é que quando você falece, e você sabe que cantou sua canção, deu sua dádiva – que foi o que Cliff Burton fez – esse é a realização maior que eu posso desejar para todo mundo.

O espaço que ele criou na história da música durará para sempre, ninguém pode substituí-lo nisso, ele era uma peça rara, e não consigo ouvir qualquer disco do Metallica sem pensar nele. Está claro que a dádiva que deu, à música desta banda, vive, estando ele vivo, estando ele morto.

E eu digo, Deus abençoe Cliff Burton, ele é o maior.

Quando escuto Metallica, eu tenho essa sensação que eles estão fazendo aquilo que TÊM que fazer. Aquela mágoa tão firme, eles precisam liberá-la, tem que ser destrinchada, precisa ser solta. Um infinito poço de tristezas, um bocado de dor e raiva, mas principalmente, muito amor pelo processo que eles criaram para lançar esse material. É sempre meio absurdo pra mim, quando ouço pessoas falando sobre música pesada, música raivosa e agressiva, sendo negativa ou não-saudável para crianças, e blá blá blá. Primeiramente o ponto da música furiosa é a saudável liberação da raiva pelo artista. É alquimia, é metamórfico, é transformar algo potencialmente destrutivo na sua fonte de misérias, em algo belo, algo detonante, em algo elevado para a banda e para a audiência. A tradição de dor e mágoa sendo usada pra se fazer uma grande arte, é um gande rito de passagem para qualquer artista, e é isso que no toca mais profundamente.

Qualquer um que já tenha ido a um show do Metallica, que balançou a cabeça e mostrou os chifres do diabo com as mãos, fez parte de algo grande para a humanidade. Todos esses jovens num show se divertindo muito com as batidas brutais do Metallica, voltaram tão saudáveis quanto qualquer exercício espiritual, meditação em grupo, qualquer coisa.

É elevado e une as pessoas.

Sabem, eu amo todo tipo de música. Mas eu digo que o Metallica uniu mais as pessoas e trouxe alegria às suas vidas do que qualquer música hippie de paz e amor.

Para as pessoas que se entregam, e são agitadas pelo Metallica, o mundo é um lugar menos solitário. Quando uma pessoa começa a agitar com sua música, tudo o mais desaparece, essa pessoa é uma com o rock. É uma coisa inexplicável e incrível, e eu me curvo a isso.

Se você vai ter um Hall da Fama do Rock And Roll, e se você vai ser disciplinador e restrito em deixar somente bandas que foram realmente originais, e sem dúvida, à frente da evolução da forma de arte que é o rock and roll, que mostra o cartão de visitas e inspira incontáveis artistas a seguirem seus passos... então por esse critério restrito, você tem que ter Metallica nele.

METALLICA É O MAIOR! Metallica É PESADO!

James Hetfield.

Lars Ulrich.

Kirk Hammett.

Robert Trujillo.

Jason Newsted.

E Cliff Burton.

É com muita honra que introduzo vocês todos no Hall da Fama do Rock And Roll!”

Metallica

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