20/11/09 - 00:33Denunciar

Vivendo na Idade Mídia

ao som de "my way", da Sex Pistols...

Hoje li um texto do meu irmão Branco (www.anarkaos.wordpress.com) que me fez pensar nas (infelizes) situações que vejo ocorrer por aí. Branco, em seu discurso, trata dos novos "heróis" criados pela mídia brasileira. Pessoas sem conteúdo e sem senso crítico - verdadeiras máquinas que só reproduzem o pensamento da maioria, o chamado "senso comum" - que se transformam em "ícones" pela polêmica que causam e pelo pouco tempo que aparecem na TV, jornal, internet, etc. Por causa desses flashes na mídia, passam a ser bajuladas pelas gentinhas hipócritas e interesseiras que existem por aí e, em qualquer lugar que chegam, encontram regalias que antes não tinham. Fico triste de pensar que muitas vezes esses "pobres-diabos" que aparecem na mídia são estudantes, alguns de universidade federal e engajados a algum movimento social. A recente que li foi sobre um casal de namorados (uma garota de 25 anos e um rapaz de 24 - que mantêm um relacionamento aberto...aff, coisa de gente moderninha) que fez protesto (pelados) em Brasília a favor da piranha da Geize Arruda, citada no texto do Branco. O casal, estudantes "intelectuais" da UNB, foi destaque na imprensa. Para mim, não passam de outros dois idiotas que usaram a imprensa para virar "ícones".
Mas o que eu quero ressaltar aqui é a inversão de papéis que ocorre na sociedade. Atualmente, ser honesto e sincero é literalmente furada. Você sai perdendo e ainda acaba sendo usado pelas pessoas manipuladoras e dissimuladas. Hoje, quem tem regalia no mundo é o bandido, ladrão, que apavora as pessoas e anda tranquilamente pelas ruas. Você, se não quiser ser vítima de alguma ladruagem, por favor, mantenha as janelas e as portas da sua casa sempre trancadas, ou senão providencie grades.
Na escola, o aluno tem sempre razão. Ele nunca erra, tadinho. Tem todas as regalias com a direção da escola e com os pais. E ai daquele professor durão que coloca o aluno de castigo ou o expulsa da sala. Coitado, ele não aguenta a pressão e chega até a chorar em sala de aula. Professor hoje em dia tem de ouvir sempre calado o "vai tomar no xx" do aluno. Se eu fosse professora e pudesse bater, bateria tanto, mas tanto, mas tanto, que o bonitinho da mamãe voltaria roxo pra casa.
Em casa, o filho tem sempre razão também. Semana passada vi uma vizinha falar assim com a filha de seis anos: "filha, você vai querer o sorvete agora ou mais tarde? Escolhe." Pensei. Na idade dessa garota eu nem sabia qual era o gosto de um sorvete. Hoje, os filhos escolhem o que vão comer, o que vão vestir e onde vão passear. E ai do pai se não concordar...quase apanham dos filhos.
Hoje, os homens não pagam mais a conta do restaurante para a namorada ou esposa, não têm mais a gentileza de abrir a porta do carro para a namorada entrar (ser independente financeiramente é muito bom, mas esses detalhes nos deixam ainda mais apaixonadas por um homem)...no entanto, são bobos a ponto de gastar dinheiro com as amantes-vagabundas, que são espertas e fingem se importar com eles.
Essas são apenas algumas inversões de papéis, contradições, que vejo por aí...quando presencio isso, me dá uma preguiça de gente.

Não entendo

Clarisse Lispector

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Comentários (5)

rednewvideomaker
1. rednewvideomaker 20/11/2009 - 19h:47

Em mim há sempre duas medidas de educação, de um lado a educação rigida q recebi d meus pais, e d outro lado, uma educação "liberdade" a qual queria ter com meu pais. Assim tento educar meus filhos. Liberdade pautada pelo limite é o que precisam ter como base...

rednewvideomaker
2. rednewvideomaker 20/11/2009 - 20h:21

Ontem, eu e meu filho assitimos "Por toda minha vida" sobre Cazuza. Ao assistirmos, comentamos sobre um e-mail na net, onde uma psicologa cita Cazuza como um pior exemplo de filho. Falei para meu filho "filtrar" o q há de bom no Cazuza. E disse q de certa forma concordava com a psicologa. Hoje meu filho em seu twitter expressou sua indignação com o e-mail da psicologa. Dizia q não concordava e que Cazuza foi um grande poeta, compositor e cantor coisa e tal. Concordo com

rednewvideomaker
3. rednewvideomaker 20/11/2009 - 20h:27

...Vi q ainda preciso dialogar mais ainda com meu filho. Ele não entendeu q a questão não é o Cazuza artista. E sim seu comportamente inconsciente, tipo ***** sem camisinha. Mandar a mãe tomar no *****. É isso q ele peca como filho.

4. jusmith 20/11/2009 - 20h:57

mesmo antes de ler esse e-mail da psicóloga, Wender, já pensava o que ela disse sobre o Cazuza: um rapaz mimado, filhinho de "mamãe", com uma rebeldia desnecessária. Ganhava tudo nas mãos. Faltou apanhar dos pais e capinar rua. Mas seu filho, Wender, é um bom menino. Com seu diálogo de pai-amigo, com certeza ele vai saber filtrar isso.

5. Charles Bronson 21/11/2009 - 17h:15

isso tudo é porque as pessoas estão muito frouxas, covardes e *****-mole. Um país que dá notoriedade a piranha sem-***** desfilando semi-***** por aí não merece nem ser chamado de nação. Falta pulso firme dentro de casa mesmo. Essa ***** Geisy Arruda é só uma representante do que existe por aí. Melhor nem citar, só de pensar nisso dá vontade de proibir esse povo de pôr filho no mundo. Pari e não educa pra viver em sociedade civilizada, dá nisso!

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