24/11/09 - 23:25Denunciar

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ao som de "Racional Culture", do Tim Maia...canção para estralar os dedos...rs. Parece um soul.

Foto: Cena do filme "O grande Gatsby", de 1974, que foi adaptado do romance homônimo de F. Scott Fitzgerald

"O filme é melhor que o livro?"

Uma das principais características da produção literária no país de Hollywood continua sendo sua profunda relação com o cinema


A literatura norte-americana do século 20, além de seus próprios meios, modos e formas de expressão e circulação, teve e tem no cinema uma de suas veredas de veiculação mais frequentes, mais atuantes e mais polêmicas. Sim, muita polêmica pelos próprios elementos acerca da interação e dicotomia entre as duas linguagens artísticas. Interação e dicotomia que sempre existiram em seu relacionamento, muitas vezes complexo, mas intenso. Muitas foram as parcerias estabelecidas entre cineastas, ficcionistas, dramaturgos e poetas, que, além de terem suas obras adaptadas, foram roteiristas e trabalharam 'a troco de nada' para Hollywood.
Agora mesmo testemunha-se, circulando pelas telas de boa parte do país, um dos exemplos mais taxativos dessa relação entre literatura e cinema. Relação essa propícia a julgamentos sob a égide contumaz de 'filme melhor que o livro', ou 'livro melhor que o filme'. Com efeito, O curioso caso de Benjamin Button, adaptado a partir de conto integrante da coletânea Seis contos da era do jazz, de F. Scott Fitzgerald, constitui-se em excelente exemplo para permitir uma reflexão sobre a histórica relação literatura-cinema, com suas interseções, confluências e divergências.
Poucas formas artísticas estabelecem entre si tantas conexões, ainda que sujeitas a embates, acusações de "infidelidade autoral", infindáveis discussões sobre liberdade de criação, etc. Narrativa literária e narrativa fílmica distinguem-se e, na maioria dos casos, se contrastam. São sempre difíceis as transposições de uma para a outra, pois as características intrínsecas do texto literário - originalidades, subjetividades, entrelinhas, elaboramentos - não encontram a mesma expressão na narrativa cinematográfica.
Não se pode negar que, nem tanto em suas origens, mas desde sua fase de consolidação, o cinema tenha procurado na aproximação com a literatura uma forma de legitimar-se. Primeiramente, pelas frequentes adaptações de obras literárias para a tela, o que se tornou prática corrente; depois, pela contratação de escritores como roteiristas. Se os roteiros trazem a marca da criação literária, essa é outra questão, que talvez possa ser analisada a partir da postura de alguns desses escritores-roteiristas. William Faulkner, por exemplo, dizendo-se um " yes, man", não fazia segredo sobre a natureza de sua atividade em Hollywood: "Faço apenas o que me dizem para fazer. É um emprego, e pronto".

Fonte: "revista Cult"

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