06/03/10 - 01:40Denunciar

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ao som de "I believe in you", do Neil Young...gosto demais!!!

Foto: Sebastião Salgado

Recebi um e-mail de uma colega de trabalho (estagiária que me dou muito bem, é sistema antigo como eu) em que estava anexado um texto muito bacana do músico Hebert Vianna. Confira:

Cirurgia ou lipoaspiração?

Hebert Vianna

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde, outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta. Fé só na estética. Ritual é malhação. AMOR é cafona, SINCERIDADE é careta, PUDOR é ridículo e SENTIMENTO é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode e envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada, além da imagem, imagem, imagem, imagem, imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importa os SENTIMENTOS, não importa a CULTURA, a SABEDORIA, o RELACIONAMENTO, a AMIZADE, a AJUDA, nada mais importa (eu, Jucielle, faço uma interferência no texto do Viana e acrescento MAIS três palavras: o RESPEITO, a LEALDADE e a FIDELIDADE).
Não importa o OUTRO, o COLETIVO. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos 20 anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto, que alguém acorde, que o mundo mude. Que eu me acalme, que o amor sobreviva.


Coincidentemente, hoje estava discutindo assunto parecido com colegas de trabalho. Dentre os vários assuntos, falamos um pouco do valor de uma amizade, de não fazermos parte desse padrão de mulheres/homens que a maioria gosta e de muitas pessoas viverem de aparências. Sinto as pessoas muito conformadas na vida. Seja na política, no casamento ou no convívio social. Deixam o que a chateiam pra lá, esperam o tempo passar para esquecer a sacanagem que o outro fez. Não vejo pessoas revoltadas (deixar claro aqui que estou me referindo à revolta em que a pessoa fala o que pensa e tenta fazer algo para mudar sua vida, a de sua cidade ou até mesmo do país. Não me refiro à revolta em que a pessoa sai quebrando tudo, inclusive, com violência, agredindo o outro). Não vejo pessoas usarem a sinceridade (por medo de chatear o outro) e não as vejo discutindo, por exemplo, esse tipo de assunto que o Hebert Vianna discursou. Vejo jovens conversarem sobre qual a droga faz mais a cabeça, quantas mulheres o cara pegou em uma festa e qual o próximo homem que a garota está programando ficar à noite (não importa se é comprometido. Ah, o conselho que já ouvi muito: você não tem de se preocupar com a namorada do cara. Você não é amiga dela, então o que importa é ele. Fico pensando, tem atitude mais egoísta do que essa? Fico me colocando na situação da namorada do cara. E se fosse eu a namorada? Que situação...esse egoísmo faz eu não ter consciência e não pensar no outro - independente se é do meu convívio social ou não). Dias atrás, um colega me contou que estava gostando de uma garota e havia contado para um "amigo". Fez mau. Rapidamente, o "amigo" conquistou o coração da garota. Meu colega ficou chateado com a situação, mas disse que não ficaria com raiva do "amigo". Fiquei surpresa com a história, porque pensava que isso acontecia somente com as mulheres (boas para furar olho das "amigas"). Mas, quando o colega me contou a história, fiquei questionando: o "amigo" faz uma sacanagem dessa e ele aceita? Que conformismo. Eu, definitivamente, não aceito esse tipo de coisa. Me dói no fundo da alma ser traída por amiga. Se eu gosto de alguém, não aceito amiga minha ficar com esse alguém. Tanto a "amiga" quanto o alguém passam a não servir mais pra mim. Isso é falta de respeito. Isso é banalizar a amizade, o sentimento, a confiança, isso é não se importar com o outro. Quem inventou a ridícula frase: amiga não fura o olho, é sócia, não deve ter amor próprio e muito menos amor para oferecer ao outro. Banalização total. Quem estiver lendo esse texto deve estar me achando uma chata, careta, conservadora, etc...sou mesmo. Como não aceito esses comportamentos, vou continuar dizendo o que penso, com lucidez. Não vou ser conformada como muitas pessoas que vejo por aí. Estou definitivamente virando uma velha ranzinza aos 27 anos.

Comentários (2)

1. Pâmela 06/03/2010 - 16h:03

Concordo em gênero, número e grau. Enquanto as pessoas não deixarem a posição acrítica e consumista e atentarem para algo que não esteja relacionado a imagem, elas continuaram promovendo essa busca desenfreada pelo ter ao invés do ser. O que deveria ser promovido é o respeito pelo outro, pela amizade. Há tantos homens no mundo, por que se envolver com alguém que é paquera de uma amiga? Ou essa "amiga" se envolver com o seu gatinho. Onde não existe respeito não há nada, muito m

2. Pâmela 06/03/2010 - 16h:05

....muito menos amizade. Disse tudo Ju!!!!

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