10/03/10 - 23:38Denunciar

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ao som de "Rock and roll", da Led Zeppelin...saudade de ouvir isso.

“Servindo você com segurança”. Essa é a frase do cartão de visita do taxista Ronaldo, de Belo Horizonte. Segunda-feira desta semana conheci dois taxistas muito simpáticos. De carona com Reinaldo, irmão da amiga Juliana, saí pela manhã de Formiga rumo à capital. Ele, que seguiria até Sete Lagoas (onde trabalha), me deixou próxima à Avenida Santos Dumont. De lá, caminhei a procura de um táxi. O primeiro que encontrei, entrei. Sérgio, aparentemente com 34 anos, foi o meu condutor. Informei-lhe o meu destino: Polícia Federal, no Bairro Anchieta.
A princípio, eu e Sérgio estávamos muito calados. Com o passar dos semáforos, o silêncio começou a me incomodar e eu arrisquei um bate-papo. Iniciei com a frase de praxe: está calor, né? Ele me respondeu: está. Emendei: Trabalha há muito tempo como taxista?. Ele: "Há cinco anos". Depois disso, a conversa foi fluindo e o taxista me mostrou ser uma pessoa muito simpática. Passamos perto de uma creche e ele me mostrou o lugar, afirmando que era a escola infantil particular mais cara de Belo Horizonte. Conversamos sobre vários assuntos e, quase no fim do trajeto, o celular dele tocou. Ele olhou para o aparelho e não atendeu e me disse: “novamente a ligação a cobrar. Isso significa problema”.
Perguntei se ele estava passando por algum problema em família e ele foi logo desabafando: "Tem uma mulher que não para de me ligar, e a cobrar. Foi minha namorada quando eu tinha 18 anos. Ela se casou com um policial e agora resolveu me procurar, dizendo que não me esqueceu. Eu vivo correndo dela, porque sou casado há dez anos e sou fiel à minha esposa, o que é muito difícil hoje em dia. Tenho medo que o marido dela pense que sou eu que a procuro e isso acabe em morte.”
Sérgio deixou-me no lugar certo. Quando saí da Polícia Federal, peguei um outro táxi. Desta vez, do senhor Ronaldo, um moreno, de cabelos brancos, com aparência de quase 60 anos. Esse eu não precisei encontrar assunto para iniciar um bate-papo. Do momento que entrei no carro até a saída dele, Ronaldo conversou e muito. Falou-me da vida dele, do Lula, dos terremotos que andam assustando o mundo e até de futebol (o que não gosto e não entendo ...rs). No momento em que estava falando de um jogo, ele parou o carro em um semáforo da Praça Sete. Olhei para o lado e avistei a formiguense Waleska Gouveia fazendo uma apresentação musical, em um palco. Havia um movimento na praça por causa do Dia Internacional da Mulher. O sinal abriu e Ronaldo deu sequencia ao trajeto e ao assunto. Deixou-me no Terminal Rodoviário, me desejou boa viagem e voltou ao seu trabalho.
Apesar de Sérgio e Ronaldo terem falado mais de suas vidas, fiquei pensando depois nas histórias mirabolantes que os taxistas de Belo Horizonte, e de repente até de Formiga, têm para relatar sobre situações vividas durante o trabalho e sobre a vida dos outros (passageiros). Dá livros interessantes e filmes também.

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