12/03/10 - 00:17Denunciar

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ao som do jazz "resolution", do John Coltrane...muito bom.

Lendo uma reportagem especial sobre o Immanuel Kant, na revista "Discutindo Filosofia", resolvi ressaltar aqui alguns trechos que achei interessantes.

Um dos maiores filósofos da história, Kant desenvolveu um trabalho discreto, mas impactante nas esferas da educação e do criticismo filosófico. Filho de Johann e Anna Regina, era o quarto de nove crianças. A religiosidade materna teve uma enorme influência na formação dele. Foi inspirado por pensadores como Newton, Rousseau e Voltaire. Deu aulas para crianças de variadas idades, nas casas delas.
Em 1746, começou a publicar obras. Em 1755, passou por um terremoto em Lisboa, que causou impacto imediato a alguns pensadores iluministas. Kant se impressionou com a tragédia e escreveu três pequenos estudos que vieram a público intitulados: "Escritos sobre o terremoto de Lisboa". Esse evento foi uma peça importante para a construção do conceito de sublime, que teria sua exposição mais extensa na obra "Crítica do juízo".
Em 1781, lançou "A crítica da razão pura", um marco da mudança crítica na filosofia de Kant.
Apesar de ele ser um dos filósofos mais discutidos e estudados de todos os tempos, muita gente jura que não gosta dele. Na melhor das hipóteses, o considera "chato". Em certos meios, ouve-se de tudo em seu desfavor: de piadinhas de corredor a comentários irônicos em sala de aula. De tudo já foi acusado o Kant: de confuso, de "carola", de quadrado, de complicado, de arrogante e de "careta". Já os admiradores o consideram o Aristóteles do século 18.
De início, o que realmente interessa levar a sério em filosofia é não se deixar levar pelas aparências. Temos que ler e julgar por nós mesmos se vale a pena, por exemplo, ler ou não um autor; se uma obra é boa ou não; se um argumento é bom ou não. Por isso, não podemos julgar a obra de Kant à luz dos comentários e ironias de seus detratores. Muito menos gente que geralmente não conhece uma página de sua obra.

Reflexão e liberdade

Se há uma ideia capital que preside todo o pensamento de Kant é a da liberdade da nossa ação e do nosso pensamento, e a corresponde responsabilidade por tudo o que pensamos, dizemos e fazemos. Essa liberdade nos obriga a não submeter nossas ideias e decisões a nada que não seja o crivo da nossa própria razão e a sermos responsáveis por suas consequencias. Nossa liberdade nos obriga à reflexão, a qual, por sua vez, não nos exime de qualquer responsabilidade: obriga-nos, antes, a refletir sobre as causas e as consequencias de cada ato e pensamento.
Ele afirma que toda forma de racionalidade deve ser submetida ao crivo de uma reflexão, de uma auto-reflexão da própria razão sobre seu procedimento, seus critérios, seu alcance cognitivo e seus limites.
Para Kant, uma razão pragmática e empírica é uma razão calculadora de intresses, com base em inclinações. A inclinação é o hábito de seguir o prazer. A propensão a elevar o prazer ou a inclinação a um princípio assume a denominação de princípio do amor de si ou da felicidade própria.
A ética kantiana de maneira nenhuma é adversa à inclinação, ao prazer ou à felicidade - que constituem a matéria empírica de leis práticas. Nem tampouco existe forma sem matéria. Mas no momento em que é dada prioridade à matéria e não à forma, a razão torna-se heterônoma, isto é, determinada desde fora e não por si própria. Então, que fique marcado: o mal não reside nas inclinações, no prazer, na matéria, mas na própria máxima ou na própria razão que, contraditoriamente, eleva a matéria ou a inclinação a princípio de si mesma.
A filosofia moral kantiana não se restringe a uma ética material da felicidade, mas se constitui como uma ética formal de liberdade, que se apresenta como ética de princípios fundada em uma razão pura. Pura é uma razão que, sem mescla de interesses, se constitui como razão prática. Trata-se de uma razão livre ou melhor autônoma. Liberdade significa, negativamente, independência de determinações estranhas e, positivamente, autodeterminação.

Fonte: edição número 5 da revista "Discutindo Filosofia" [especial]

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