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A morte da inocência

Na década de 50, Norma de Lourdes, de 5 anos, foi brutalmente assassinada pelo pai em Formiga; desde então, várias pessoas dizem receber graças por intermédio de sua al
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Não é de hoje que crianças morrem inocentemente em decorrência da ira de seus pais. Há dois anos, o caso Isabella Nardoni estampou as primeiras páginas dos jornais e chocou o Brasil. Aos cinco anos, a menina foi agredida pela madrasta e jogada pelo pai do sexto andar de um prédio em São Paulo. Em Formiga, na década de 50, um crime semelhante aconteceu e também causou estupor na sociedade conservadora da cidade. O caso é de Norma de Lourdes, que aos cinco anos foi maltratada pela madrasta e brutalmente assassinada pelo pai.
Norminha, como ficou conhecida, era uma criança que vivia muito bem com seus pais, até que a mãe veio a falecer e sua vida sofreu uma reviravolta. Com a morte da mãe, passou a ficar na companhia do pai até o dia em que ele se casou novamente. No entanto, ao invés de encontrar na figura da madrasta um porto seguro para amenizar sua carência materna, se tornou alvo das maldades da mulher, que incorporava o estereótipo da madrasta má, cultivado durante séculos por contos infantis.
A vida de Norminha nada tinha de magia. Foi sofrida. Não bastasse a tristeza pela falta da mãe, ela foi obrigada a aturar as constantes torturas infligidas por sua madrasta. Há relatos de que, assim que o pai de Norminha saía para trabalhar, a criança ficava na companhia da madrasta. A esposa de seu pai não gostava da criança e, por isso, a negligenciava. Não a alimentava, não lhe dava banho e muito menos atenção.
Assim que o pai chegava do trabalho, a menina reclamava para ele de fome e cansaço. Para se justificar, a madrasta dizia que Norminha era muito gulosa e queria sempre mais. O pai acreditava no que a esposa falava.
As reclamações da menina passaram então a ser rotina na casa, já que a madrasta não exitava em manifestar seu desapreço pela criança. Quando tinha a oportunidade de falar com o pai, Norminha reiterava suas queixas de fome e cansaço.
Um dia, exausto do trabalho e das reclamações da esposa e da filha, o pai decidiu acabar com aquela situação. De acordo com o coordenador da Funerária e dos Cemitérios Municipais, João Carlos Vespúcio, Norminha foi levada pelo pai a um terreno baldio, localizado nas imediações do Patronato São Luiz, e com um garfo deu fim à vida da filha, que, inclusive, morreu com fome. “Há quem diga que, no momento do assassinato, o pai dizia à filha: Norminha, isso é para você deixar de ser gulosa”, contou Vespúcio.
Na época, o crime chocou a população formiguense. Desde então, muitas pessoas visitam o túmulo da criança, que tem como epitáfio: “Senhor, dai a Norma de Lourdes as alegrias do céu, já que as da terra foram passageiras”. O coordenador da Funerária Municipal informou que crianças são os principais visitantes da sepultura de Norminha, que fica próxima à entrada do Cemitério do Santíssimo, pelo lado esquerdo.
Muitos formiguenses dizem já ter recebido graças por interseção da alma da criança. Em retribuição, eles levam ao túmulo doces, velas e brinquedos. Segundo João Carlos, alguns acontecimentos inusitados já foram observados e constatados por funcionários do cemitério. Todas as vezes que balas são colocadas no túmulo de Norminha, os doces somem, mas os papéis de bala permanecem.
O setor da Funerária e Cemitérios Municipais registrou a história de Norminha por meio de conversas informais e revelações de devotos de sua alma.

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