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ao som de "this is love", da PJ Harvey...


Foto: Dois franceses, de idades diferentes, com fones de ouvido no metrô de Paris


Moda neurossensorial

Erudita, popular, religiosa ou folclórica, a música engloba a combinação de elementos sonoros destinados a serem percebidos pela audição. Muito difícil encontrar alguém que não gosta de música. Ela está presente na vida de qualquer pessoa e é a arte mais sublime de se entreter e emocionar.
Sou uma apreciadora de música. Meu reduto sonoro é minha casa. No entanto, a caminho do trabalho procuro ouvir também minhas canções preferidas – do rock. Para isso, plugo meus fones de ouvido e, por meio do celular, aprecio as guitarras distorcidas, o som grave dos contrabaixos e as empolgantes batidas de bateria.
Percebo que esse hábito não ocorre somente comigo. O uso de fones de ouvido, como são conhecidos no Brasil, é muito comum entre jovens e chega até a ditar moda. Já encontrei muitos deles com o acessório por ruas de Formiga, Belo Horizonte e São Paulo. Porém, ainda não tinha visto pessoas acima dos 40 anos com o mesmo hábito. Recentemente, me surpreendi com uma grande quantidade de europeus, em uma viagem que fiz pelo Velho Continente, usando o acessório. Muitos deles com mais de 40.
Em Portugal, os fones de ouvido são conhecidos como “auscultadores”. Nas terras lusitanas e também na França, os vi de variados tamanhos e modelos. Em uma “avenue” de Paris, cheguei a passar por um homem mais velho, alinhado (muito comum ver pessoas bem vestidas na capital francesa), de terno e gravata, com uma pasta preta à mão direita e com um fone gigante encaixado sobre as orelhas. A indumentária que me transmite seriedade e maturidade foi contraposta ao acessório sonoro que descaracteriza essa imagem. O fone me remete ao estereótipo da juventude Hi-tech, que vive ligada ao mundo das altas tecnologias.
Ao ver os europeus de várias idades com os fones de ouvido percebi o quanto a música é importante para as pessoas. Entretanto, questionei o uso do acessório. Pensei o quanto ele pode ser prejudicial a quem o usa frequentemente, independente da idade.
Já em terras brasileiras, ou melhor, formiguenses, procurei me informar sobre o assunto com a médica otorrinolaringologista Maira Mota. Fiz uma série de perguntas à profissional, que me respondeu todas com prontidão.
Segundo Maira, os problemas que podem surgir com o uso constante dos fones são inflamações no canal externo das orelhas, zumbido, irritabilidade e dificuldade auditiva. “O maior deles é a perda auditiva induzida por ruído, no qual as frequencias agudas são as mais afetadas pelo som. Os sintomas dos problemas normalmente aparecem a médio e longo prazos, pois dependem do tempo de exposição ao ruído, da frequência do som, da hereditariedade e da sensibilidade da pessoa ao barulho. A curto prazo, os sinais se mostram com alergias e infecções.”
A otorrinolaringologista aconselha a pessoa a procurar um especialista quando sentir dores no ouvido, coceira, zumbidos ou dificuldade para entender os sons. Ela informa que zumbido, infecções e alergias são tratados com medicamentos. “Já a perda auditiva é irreversível e, em casos graves, o uso de próteses auditivas é o indicado.”
De acordo com Maira, o limite de decibéis permitido para se ouvir música é de 80. Mas nem sempre as pessoas respeitam este número. Às vezes, ficam expostas a barulhos muito maiores, como os de um trio elétrico que tem 130 decibéis.
A especialista contou que os homens se expõem mais aos ruídos do que as mulheres. No entanto, sem dúvidas, os adolescentes, sem distinguir sexo, usam mais os fones de ouvido. E esse uso frequente na juventude pode resultar problemas na velhice. Maira explica que a tendência é que haja perda auditiva, mesmo que em grau leve, acima dos 60 anos. “A exposição ao ruído pode acelerar esse processo.”

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