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ao som de "no class", da Motorhead...

O formiguense Liberato (ultimamente, a cada e-mail, me mostra ser uma pessoa admirável) me enviou hoje um artigo muito bem escrito, que aborda um assunto polêmico e necessário de discussão. Trata da lei da palmada. Ela proíbe palmada, beliscão e qualquer tipo d[não permitido]o físico que provoque dor em crianças e até mesmo nos "indefesos" adolescentes. Não que eu seja a favor de uma surra, um espancamento, longe de mim isso, mas tapinhas na bunda para corrigir uma criança que dá birras insuportáveis não faz mal nenhum. Eu levei muito "não" dos meus pais e muita chinelada, varada e mangueirada na bunda e nas pernas, nem por isso me transformei em uma mulher revoltada e pervertida. Hoje, os pais não falam "não" para os filhos. Permitem tudo e, para compensar a falta deles em casa, o enchem de presentes, dão carros, motos, etc. Correm o risco de ter filhos adultos imaturos, sem juízos e perdidos no mundo. Criam homens e mulheres que, por pensarem ser "donos do próprio nariz", tomam decisões impensadas que acabam trazendo-lhes consequências dolorosas e também para a família.

Segue o artigo do Wilson...


Meu ídolo!

Wilson Liberato (de São Paulo)

Quando criança, você tomou palmadas de seus pais? Puxões de orelha? Chineladas? Beliscões? Tapas? Surra de vara ou cinto? Ficou d[não permitido]o?
Se a resposta foi sim a uma destas perguntas, então deve ser por isso que você é estressado, traumatizado, revoltado, recalcado, violento, mal-humorado. Já me contaram que a convivência com você é mesmo horrível. Assim pensam muitos psicólogos, psicopedagogos, juristas, políticos e simpatizantes, ao apoiarem a chamada lei da palmada. Ela proíb[não permitido]os físicos e estabelece punições aos pais.
A notícia é velha, mas acaba sendo atual, já que a lei está em vigor. Posto que muitas crianças ainda não sabem, aqui vai um conselho: Crianças! Caso apanhem, denunciem seus pais à mídia, ao delegado, ao promotor, ao juiz! Eles têm que aturar qualquer que seja seu comportamento, pois vocês não pediram para nascer, correto? Vocês estão protegidas pela tutela do Estado, por serem o lado mais leve da balança.
Pouco depois da sanção da lei, ocorreu um fato curioso envolvendo o jogador Neymar, do Santos F.C. Ao abusar de jogadas individuais durante um jogo, foi repreendido pelos colegas de equipe e pelo técnico Dorival Júnior. Irritado, o atleta proferiu palavrões, desacatando a todos. O fim da história deu na demissão do técnico e na permanência do menino. O pobrezinho não teve culpa de ter tido uma educação que não respeita hierarquia nem nada. E estava protegido pelo Estatuto do Menor e do Adolescente. Ele ficou nervoso e merecia atos conciliatórios de seus superiores. Além disso, representa um tesouro para o time.
O caso Neymar me fez lembrar o que professores de escolas públicas enfrentam com alguns de seus alunos. Não só por já ter experienciado, como também por ter visto publicado amiúde. Há alunos que não conhecem limites. Como fez o jovem atleta, mandar o professor tomar no cu e a professora à puta que a pariu não é incomum. Isto, para ficar em casos corriqueiros. (Ler O Professor refém, Tânia Zagury, 2006, Record, SP). Imagine-se professor de uma beldade dessas, e imagine como essa criancinha indefesa deve se comportar em casa. Qualquer ato de autoridade do professor ou de providências junto aos pais para coibir tais atitudes é nulo. No final, o desfecho é o mesmo do técnico do Santos. Ou o professor engole o desaforo, ou é demitido/exonerado, ou toma a decisão mais sensata: demite-se. A escola pública que se arranje. Quando aparecerá um outro Paulo Freire, agora para escrever a versão docente da pedagogia dos excluídos?
Não pense, caro leitor, que há ira nesta crônica. Longe disso! É só uma constatação comparativa. A propósito, vejamos, em Ensaios céticos, o que escreveu sobre a liberdade infanto-juvenil o filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970):
“No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se dever proibir coisa alguma a uma criança, pois ela deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. ‘E se sua natureza a levar a engolir alfinetes?’, indaguei. Lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de uma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante – além do fato de se divertirem importunando anciãos. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta.
Deve existir um elemento de disciplina e autoridade: a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.”
Vejamos agora um trechinho da Bíblia sobre o assunto. No livro de Provérbios 13:24), o Rei Salomão diz: “O que retém a vara aborrece seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina”.
Posso citar minha mãe? Diz ela: “Patada de galinha não mata pinto!”
Naturalmente, Salomão sabia a diferença entre dar varadas e espancar. O problema é que ele não deixou a diferença explícita, assim como a lei da palmada não dá diretrizes sobre como agir em caso de agressão e desrespeito; nem Russell deu dicas sobre até que ponto a disciplina e a autoridade devem ser exercidas.
Logo, pontos a favor da lei: Salomão é do Primeiro Testamento, que foi revisado por Jesus Cristo; Russell era um velho gagá. Minha mãe, ora, minha mãe! Já Lula, pai dos pobres e dos desassistidos, sancionou a lei da palmada após ouvir vários companheiros doutores.
Neymar, instado a redimir-se, foi o meu ídolo em 2010.
Por causa de tudo e apesar de tudo, feliz 2011 a todos!

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