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ao som de "40", da U2...adoro a melodia desta música. Abril do ano que vem o Brasil será palco de uma apresentação da U2. Não queria perder isso.

Foto: Fuçando na internet, encontrei esta foto com a amiga Angélica e o primo dela. Foi registrada em noite de rock.

Li o conto "A mulher abandonada", de Balzac. A narrativa deste escritor francês é um deleite. De forma poética, ele conta a história de amor vivida entre o jovem Barão Gastão de Nueil e a senhora Clara de Beauséant, uma viscondessa que havia sido abandonada pelo marido. O romance, ao qual ela tentou resistir devido à sua situação social e à diferença de idade [ela tinha 30 e ele 20], ocorreu no século XVIII, época em que mulher separada do marido, mesmo que pertencente à nobreza, era jogada fora do mundo e condenada à solidão e, consequentemente, à morte (até mesmo antes da hora). O preconceito era fato. Clara, como Balzac mesmo descreve, foi uma vítima do amor e, por insistência do jovem, se entregou novamente a esse sentimento, que não só traz alegrias. Para evitar as fofocas, eles deixaram a França e foram viver na Suíça. Por cartas, Gastão lhe prometeu fidelidade e amor eterno: "(...)Vos juro fidelidade que não se desfará senão com a morte. Oh! tomai a minha vida, a menos, entretanto, que não temais carregar um remorso na vossa...".
O amor durou nove anos. A mãe do barão, preconceituosa e contra o romance, influenciou o filho a se casar com outra jovem, Estefânia de La Rodière, herdeira de grandes fortunas. Clara, percebendo a aproximação de seu amado com a outra e prevendo que seria abandonada mais uma vez, decidiu deixá-lo e despediu dele com uma carta. No entanto, tinha esperanças de que ao ler a carta ele voltaria para os seus braços, todo amoroso e chorando. Balzac faz uma afirmação que é fato: Há tanta esperança no coração das mulheres que amam. São necessários muitos golpes de punhal para matá-las, elas amam e sangram até o fim. Ele também faz essa ressalta: "Tanto na realidade como no mundo das fadas, a mulher deve sempre pertencer àquele que sabe alcançá-la." Eu concordo demais com isso, apesar de eu viver em uma época em que as mulheres são totalmente desinibidas e tomam as iniciativas.
Gastão titubeou. Casou-se com a jovem e teve um filho. A mãe dele dizia a todo mundo: "Meu filho é perfeitamente feliz". Pouco tempo depois do casamento, Gastão de Nueil caiu em uma espécie de apatia conjugal. Com sete meses dessa felicidade matrimonial aguada, deram-se alguns acontecimentos, insignificantes na aparência, mas que comportam amplas evoluções de pensamentos e acusam grandes perturbações de alma. O barão voltou a procurar a viscondessa. Ela, magra e pálida pelo sofrimento do amor, o expulsou de sua casa. Ele tentou contatá-la novamente, por meio de uma carta, que voltou a ele fechada. Diante da situação, ele pegou seu fuzil e se matou.
Durante a leitura, eu esperava um fim trágico para a viscondessa, já que tinha sido abandonada pela segunda vez por um homem. No final, Balzac faz a seguinte reflexão: "É preciso ter tido medo de perder um amor tão vasto, tão brilhante, ou tê-lo perdido, para conhecer seu preço. Mas, se, tendo-o conhecido, um homem priva-se dele para cair em algum casamento frio; se a mulher com a qual esperou encontrar as mesmas felicidades prova-lhe que elas não lhe renascerão; se ele tem ainda nos lábios o gosto de um amor celeste e se tiver ferido mortalmente o seu verdadeiro amor em proveito de uma quimera social [um amor aparente e conveniente], então ele precisa morrer ou ter essa filosofia material, egoísta, fria, que causa horror às almas apaixonadas."

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