04/05/06 - 12h:10mDenunciar

Bauhaus

O SAUDOSISMO



Domingo, véspera de feriado, eu sentada no passeio de casa sem nada o que fazer. Era por volta do meio dia. Um carro desce a rua e pára na porta. Nele, estavam meus dois irmãos, Branco e Warlen, e uma de minhas cunhadas, Josy. Ao parar, falam que vão à Furnas almoçar e Branco vai logo me convidando: Vamos? Fiquei em dúvida, porque tinha outros compromissos à tarde com amigos, mas resolvi a ir. Troquei de roupa rápido e lá fomos nós. Como mais dois casais de amigos, Adriano e Maria Virgínia e Paulo e Sérbia, iriam participar do almoço também, paramos no Bar do Zé Gordo, em Pontevila, para encontrá-los. Lá, nos reunimos e ficamos por 30 minutos, tempo suficiente para quatro cervejas e umas boas gargalhadas.

Ao decorrer de nossas conversas, chegaram ao Bar do Zé Gordo algumas pessoas diferentes, deviam ser turistas. Um senhor de aproximadamente 60 anos e uma mulher com cara de 40, além de outro casal e várias crianças. O velho careca, de barba branca, foi até educado, nos cumprimentou. Parece que as famílias estavam preparadas para almoçar ali mesmo.

Viramos os últimos copos de cerveja e decidimos ir para outro lugar almoçar. O restaurante ficava em uma casa velha, parecia mais um sítio. Primeira vez que vejo um lugar tão rústico próximo a Lagoa de Furnas. Lá, há um pequeno museu, um comércio de doces e o restaurante. Comemos e bebemos na varanda da casa, lugar fresco e muito agradável. A todo o momento assistimos um rapaz conduzir vacas e bois no local (Paulo até lembrou da preciosa obra Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Chamou o rapaz de Riobaldo, o jagunço da história).

Mas, voltando ao Bar do Zé Gordo, saímos dele direto para o carro do meu irmão, que estava estacionado próximo a dois veículos dos turistas. Fui chegando e logo vi um adesivo na frente de um dos carros, que até pareciam importados, um adesivo da cor da bandeira brasileira (azul, verde e amarela) que dizia: “JK: QUEREMOS OUTRO!”. Chamou-me a atenção a frase. Entrei no carro e vejo na traseira de outro veículo estacionado à frente o mesmo adesivo. Fui logo mostrando-o para meus irmãos e Branco desabafou:

_Não gosto desse saudosismo. As pessoas têm uma mania de querer ressuscitar àquelas que de uma certa forma foram importantes para o país. Isso é errado. O JK não foi tão bom para o Brasil assim não. O país está com essa mania agora, o Lula querendo seguir o modelo de governo de Getúlio Vargas (presidente entre xxx e xxx) e o Walkimin (candidato à presidência neste ano) quer ser o JK.

Fiquei pensando no comentário do meu irmão. Até que ele tem razão. Na hora, me veio à cabeça a minissérie JK, transmitida em março deste ano pela “Rede Globo”, maior emissora de televisão do país. Pensei na influência que ela exerceu sobre os brasileiros durante o período da minissérie, sobre o “modelo” de presidente que ela fez de Juscelino em 2006, que é de eleição. As cenas de homem honesto, correto e que tinha em mente o progresso emocionaram muitos telespectadores. Juscelino, que foi presidente entre xxx e xx, fez sim algumas obras para o Brasil, mas os outros também fizeram, apesar de toda roubalheira. Será mesmo que JK foi diferente como a “Rede Globo” mostrou? Ele pode sim ter trabalhado em tempo diferente, com rapidez, mas foi o primeiro a deixar o Brasil endividado e em crise. Chegou até ser perseguido por isso.

Ao chegar em casa, depois de ter refletido sobre o “JK: QUEREMOS OUTRO!”, peguei um livro para ler. “Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra” é uma obra que reúne textos de vários jornalistas, professores, mestres e críticos e pertence a Manoel, diretor de “O Pergaminho”. Abri a página 155. Lá, estava o texto “Notícias sobre a crônica” de Marcelo Coelho, colaborador da Folha de S.Paulo e professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

Coincidência ou não, no início do artigo Marcelo falava justamente sobre o saudosismo. Não é só JK que está deixando saudade nos corações dos brasileiros, parece que os antigos cronistas também. Segundo Coelho, ele já teve a ocasião de expressar sua antipatia por um estilo de crítica saudosista, que costuma lamentar o fato de não haver mais rodapés literários como antigamente, que a imprensa está em declínio se comparada aos bons tempos da década de 50, 60, 70 ou 80. Para o autor, isso é cair no mesmo erro de dizer que não há mais cronistas como antigamente.

“Não faz sentido lamentar a falta de um Rubem Braga nos jornais de hoje, nem faz sentido notar que não surgiu um novo Machado de Assis; é pura ilusão de ótica tomar os grandes talentos de uma época passada como o padrão de normalidade daquela mesma época, ignorando que a regra sempre foi o predomínio dos medíocres e que o passar do tempo até ajuda a melhorá-los um bocado. E quem quer que folheie um livro como ‘O harém das bananeiras’, de Carlos Heitor Cony, ou leia sua crônica diária na Folha de S.Paulo, verifica que contamos, nos dias de hoje, com um artista em tudo comparável aos maiores mestres desse gênero. O

Comentários (5)

jukhouri
1. jukhouri 4/05/2006 - 15h00m

juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, valeu o apoio no flog... to gostando muito dessa brincadeira..rsrs... bjão... aahhh, preciso falar com vc...

2. B. 4/05/2006 - 15h42m

Faltou o fim do texto aí em cima!!
bj.
ps: Não sou louco de escrever minha historia, num conto assim de bobs...
...mas quem lê acha que vivi aquilo tudo.

3. Juliana 4/05/2006 - 16h39m

Eu e minhas amigas da escola fizemos um site com nossas fotinhas, nao perca!!, venha conhecer eu e minhas amigas em fotos absolutamente inesqueciveis, tem vários filmes eu com meu namorado, fazendo *****, e claro as putinhas das minhas amigas *****. -
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W W W . G A T A S B R . N E T

maritheusaeverde
4. maritheusaeverde 4/05/2006 - 18h16m

bela lugosi is deaaad

5. Fabinho 4/05/2006 - 18h26m

Jú muito massa o texto,,mas ficou faltando um pedaço? A foto daquela banda, admito é ridícula,não conheço o som, mas o visual é horroroso...mas não julgarei pela aparência (como se não o tivesse feito ainda), depois vc me mostra o som...blz..abração

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