01/10/06 - 20h:28mDenunciar

Jello Biafra

Li ontem uma matéria do amigo Alisson, veiculada na sexta-feira passada no semanário "Nova Imprensa". Achei interessante e vou citá-la aqui. A matéria fala sobre o movimento punk, traz trechos de uma entrevista com o músico da Dead Kennedys Jello Biafra, concedida à revista Trip, e informa sobre o DVD Botinadas, lançado recentemente e que conta a origem do punk no Brasil.



Aí vai a matéria do Alisson, que é também editor-assistente da Popload (www.popload.com.br). Escreve semanalmente sobre futebol, música, cinema e cultura pop em geral. É um dos djs que irá se apresentar no show de lançamento do "Eletrocardiodrama"...



Botinadas



Navegando na internet dia desses, fui parar no site da bacanérrima revista Trip, uma das mais conceituadas entre os leitores que amam saber o que anda rolando nos meandros da cultura pop em geral. Uma das matérias carro-chefe da edição 148 da revista, que a essa altura já deve estar nas bancas, traz uma bela entrevista com Jello Biafra, feito pelo jornalista Bruno Torturra.

Pra quem não sabe, Jello Biafra, fundador da banda Dead Kennedys, é um dos maiores ícones e uma das pessoas de maior influência da história do movimento Punk. Como descreveu o jornalista da Trip na introdução da matéria, “Biafra trouxe política e inteligência para dar sentido a toda fúria daquela geração raivosa anti-sistema (...) É um homem de 48 anos que acha o dinheiro uma das drogas mais perigosas. Que não fala nada sem pensar, cita datas e sobrenomes de governantes internacionais com requintada precisão. O homem que é um dos mais cáusticos e influentes críticos da política de seu país natal, insuflando idéias socialistas e revolucionárias para centenas de milhares de jovens há mais de 20 anos. Que já se candidatou a prefeito de San Francisco há 27 anos. Um homem que passa seu dia lendo e escrevendo tanto que mal tem tempo para usar computador. Ele não tem computador. O homem que pode ser considerado o maior punk vivo”, define.

Em suma, o movimento Punk é isso. Uma forma mais ou menos organizada e unificada, com o intuito de alcançar objetivos, estejam eles ligados à revolução política, almejada de forma diferente pelos vários subgrupos do movimento, seja a preservação e resistência da tradição punk, como forma cultural deliberadamente marginal e alternativa à cultura tradicional vigente na sociedade ou como manifestação de segregação e auto-afirmação por gangues de rua.

No desenrolar da entrevista, Jello Biafra transmite o sentimento que é marca registrada entre os punks: sinceridade. Principalmente quando o assunto em pauta é a política.

“Você vota?”, foi o melhor jeito encontrado pelo jornalista para começar a entrevista. “Sempre voto em candidatos radicais para presidente e outros cargos. Mesmo que eles não ganhem, eu prefiro votar em algo que eu quero e não ganhar do que votar em algo que não quero e ganhar”, respondeu o punk, já de início.

“Então você acredita em democracia?”, é a questão seguinte. “Eu acredito em democracia, mas não acho que vivemos em uma. Os Estados Unidos são uma democracia administrada por empresas, onde até a imprensa é domada. Muito parecido com a Rede Globo no Brasil. Significa que as pessoas têm uma ilusão de escolha entre partidos, mas não interessa em quem elas votem, o povo perde e as corporações ganham. Para mim as eleições locais são as mais importantes porque é onde o dinheiro é gasto no fim das contas”, atacou.

Mas não só de política vive o Punk, muito menos a entrevista com o Dead Kenned. Ao ser indagado se “o Punk está em decadência”, o pai do Dead Kennedys respondeu com a tal ‘sinceridade’ dos adeptos do movimento, citada anteriormente. “Depende. Por um lado, sim. Muita gente prejudica a criatividade e a solidariedade do underground por rotular gêneros e discriminá-los. As pessoas teriam mais a ganhar se escutassem e criassem músicas sem pensar a que categoria pertencem. Talvez por isso mesmo o punk brasileiro seja tão interessante. A primeira vez que escutei Ratos de Porão e Olho Seco eu fiquei chocado com aquele som de guitarra que parecia uma serra elétrica. Me cansa escutar moleque tentando imitar o que já fizemos há tempos e ignorando novos sons”, sintetizou.

Além de sincero, dá pra se perceber, Biafra, como bom punk que se preza, conhece a ‘cena’ não só do seu ambiente (EUA), mas também outras cenas, como a brasileira. Talvez seja esta a chave do sucesso que faz do movimento punk o mais solidificado da história do rock. Boas idéias têm que ser propagadas. No Brasil, o Punk sempre se apresentou como uma cena concreta e formada por excelentes bandas e motins. Mas nunca foi tão amplamente divulgada e estudada até o início desta semana...

Tudo porque, a partir desta idéia, Gastão Moreira, ex-apresentador do canal MTV, lançou “Botinada”, filme que após intensos quatro anos de gestação, chega ao mercado para traçar um raio-X completo da origem da cena punk no Brasil. A produção narra o período inicial do movimento, sua primeira fase (1976 – 1984) e o paradeiro de seus protagonistas. Foram entrevistadas, neste período de quatro anos, quase 80 pessoas, o que rendeu um material bruto de 200 horas de vídeo.

“Foi por causa do punk que eu descobri que poderia montar uma banda, tocar e compor. Poderia basicamente fazer qualquer coisa. Até mesmo arriscar fazer um documentário. Resolvi então me concentrar na turbulenta chegada do movimento por aqui. Parti para a pesquisa. Comecei a rastrear os entrevistáveis. ‘Quem são?’ ‘Onde estão?’ ‘O que eles fazem hoje em dia?’ Me peguei diante de uma insolúvel espécie de gincana norteado por pistas falsas. Todo o material que encontrei está em condições precárias: fitas de vídeo mofadas e jornais caindo aos pedaços. Não poderia ser diferente. Fui atrás de todos os vestígios, tentei juntar o máximo de material possível antes que seja tarde. Os punks me receberam muito bem”, revelou Gastão.

De acordo com a síntese do diretor, eles (punks), tal qual Jello Biafra, transbordam emoção e sinceridade nos depoimentos. “Depois de duas décadas, conseguem o distanciamento necessário pra ver toda essa história com bom humor. Os ricos detalhes permanecem num arquivo empoeirado na memória. Botinada traz à tona essa incrível história contada pelos punks que vivenciaram de corpo, alma e jaqueta de couro essa caótica jornada”, frisa.

O DVD, que possui cerca de 110 minutos de duração, é dividido em 34 capítulos. Nos ‘Extras’, destaque para o “Punk em Brasília”, a “Censura” e a confecção dos “Flyers” como ferramenta de marketing de guerrilha do movimento. Anexo ao DVD, será oferecida uma coletânea em CD com as principais bandas que marcaram a história do movimento no país, entre elas: Garotos Podres, Inocentes, Ratos de Porão e Cólera.

O trailer do filme pode se assistido no site da produtora ST2, empresa produtora do longa. O endereço é: www.st2.com.br.

Comentários (1)

1. anarkaos 2/10/2006 - 23h44m

de alto nível a matéria do Alisson. todo mundo insiste em matar o punk e ele continua vivaço! Jello Biafra: o anti-papa do punk!!!

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