31/10/06 - 00h:53mDenunciar

Le tigre

Estou gostando muito de ouvir Le tigre ultimamente...postura legal da banda no palco...é uma mistura de punk com eletrônico...vale a pena confirir no http://www.youtube.com/watch?v=CVdgfbVk2LY&mode=related&sea
rch=



Aí vai a história de como surgiu o Le tigre...



Os anos 90 não só viram o movimento grunge dando a cara do rock que viria a ser produzido nos anos seguintes, como também deram origem a duas cenas distintas, mas que tinham muito em comum. O Queercore (bandas assumidamente gays que tocavam rock pesado e faziam letras bem politizadas) e as Riot Grrrls (garotas feministas influenciadas pro bandas como o Bikini Kill) davam voz a uma nova anarquia, uma nova atitude. Ambos "movimentos" (com o perdão da palavra) lutavam pela igualdade de direitos, pelo respeito e pela não-submissão as regras hipócritas da sociedade machista e retrógrada. Uma das bandas pioneiras da cena riot foi o Bikini Kill, liderado pela incansável Kathleen Hanna. O Bikini Kill foi formado no final dos anos 80, quando Kathleen (uma ex-stripper) juntou-se a Tobi Vail e Kathi Wilcox primeiramente para montar um fanzine feminista também chamado Bikini Kill. A banda desde o começo chamou muita atenção por sua provocativa postura política, obrigando inclusive os homens que assistiam seus shows a ficarem na parte de trás para que as garotas pudessem dançar a vontade em frente ao palco. Durante os shows, a banda convidava as garotas da platéia para subirem ao palco e deixarem suas opiniões. O Bikini Kill lançou alguns álbuns muito bem aceitos pelo público e crítica, mas decidiram acabar com o projeto logo em 1998. No mesmo ano, Kathleen recruta as amigas Sadie Benning (videomaker) e a fanzineira Johanna Fateman.e forma o Le Tigre. A proposta é a mesma do Bikini Kill: atitude rock'n'roll contra a mediocridade. O som misturava pitadas de música eletrônica com um punk rock nervoso, cheio de hormônios, mas afim de muita diversão, aliado a letras tão politizadas quanto as do Bikini. O primeiro CD da banda, chamado "Le Tigre", sai em 1999 e causa um grande furor na cena alternativa em todo o mundo. Depois de uma bateria de shows, muita coisa acontece. Sadie Benning saiu da banda e foi substituída por J. D. Samson e o single "Hot Topic" é lançado, tornando-se uma espécie de cartão-postal da banda. Em seguida o EP "From the Desk of Mr. Lady" aparece e serve como divisor de águas para o Le Tigre. O que muitos pensavam em se tratar apenas mais um projeto de vida curta agora já era uma banda formada e com uma fiel constelação de admiradores. Com a carreira em alta, elas lançam o CD "Feminist Sweepstakes". O CD é mais agressivo que os trabalhos anteriores e a banda deixa de vez de ser classificada como um "casamento entre o B-52's e o Bikini Kill" e traz letras mais politizadas e melodias menos alegres. Mas nem por isso o Le Tigre deixa a bola cair e faz deste CD um dos seus melhores trabalhos. As letras sempre foram a grande força por trás do trabalho da banda: em "Get Off the Internet", por exemplo, elas gritam: "Onde estão meus amigos? Saiam da Internet! Eu quero encontrar vocês nas ruas!". Na música "Mediocrity Rules" a crítica vai direto aos machões que se acham superiores a tudo: "Quando estou com você a mediocridade é a regra" e termina num refrão onde o grito do famoso Fred Flintstone ("Yabbba dabba dabba doo") define bem a mentalidade deles. Em "Bang! Bang!", o protesto é contra os crimes envolvendo racismo e discriminação. Apesar de ter um forte teor feminista, as letras do Le Tigre também caem como uma luva para os gays e lésbicas, afinal de contas, passamos pelos mesmos problemas, julgamentos, e falta de respeito e direitos impostos pela sociedade que tanto prega os "valores, moral e bons costumes". O Le Tigre é uma perfeita lavagem cerebral para a sociedade machista, ignorante e burra em que vivemos. Afinal, já faz tempo em que saímos da Idade da Pedra, não é mesmo? Ou será que não?



Fim do Bikini Kill, Julie Ruin e o começo do Le tigre. Kathleen Hanna era a cara visível das Bikini Kill, uma das bandas de mulheres que, no início dos anos 90, se tornou imagem de marca do movimento Riot Grrrl. Durante algum tempo, as Bikini Kill conseguiram levar avante, sem cair nas garras do sistema - que rapidamente as engoliu e delas fez umas porta-estandartes -, o seu mote. A revolução ao jeito das garotas durou o que tinha que durar, que é como quem diz a efemeridade do voraz mundo musical. Mas as sementes ficaram. Por um lado apropriadas pelo mainstream com as Spice Girls e as Britneys do mundo, por outro no trabalho de P.J. Harvey ou Tori Amos. Isto quando falamos de artistas bastante visíveis. Pois Kathleen Hanna continua a conduzir uma unidade criativa intervencionista. Ainda antes do fim das Bikini Kill, Kathleen começara o projeto Julie Ruin. Julie é como que um alter-ego de Kathleen onde esta pode explorar a música sem depender do formato convencional de canção ou do suporte fornecido por uma banda, pondo-se assim em cheque e com o qual editou em 1998 o álbum Julie Ruin. Não levou muito tempo até que Kathleen se voltasse a integrar num colectivo, nascia o Le tigre

Comentários (1)

maritheusaeverde
1. maritheusaeverde 31/10/2006 - 17h07m

*****! eu achava que so eu ouvia essas bizarrices! hahah
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on guard!

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