02/12/06 - 19h:00mDenunciar

Arnaldo Dias Baptista

A "Caros Amigos" traz em sua edição 116 uma matéria com o ex-mutante que agora voltou a ser mutante...





Aí vai parte da matéria...



A vida e a obra contínuas de Arnaldo Baptista



Por Daniel Camargos



A foto na coluna social do jornal Estado de Minas mostra um senhor alegre, com 58 anos e as marcas da vida que, por mais que pareçam curadas, resistem na profundidade do olhar, na cicatriz da traqueostomia e nos vincos do rosto. “É...é...podes crê. Naquela foto eu fiz cara de miss Brasil”, ri de si mesmo Arnaldo Dias Baptista. Antes de cada pensamento, ao processar as perguntas e enquanto formula uma resposta que mesmo desconexa brilha pela fuga do lugar-comum, o ex-mutante, o ex-marido de Rita Lee, o roqueiro que se jogou do terceiro andar de uma clínica psiquiátrica há 24 anos, o gênio criativo e centralizador dos Mutantes soletra com a voz pausada: “É... é... podes crê”.



Podem crer: Arnaldo morreu, nasceu de novo, gravou um disco (Let it Bed, 2004), retornou em uma formação híbrida com os Mutantes, com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee e sem Liminha, mas com o irmão Sérgio Dias e o baterista Ronaldo (Dinho) Leme e lotou casas da moda em Londres e em seis cidades dos Estados Unidos. Promete para o próximo ano apresentações no Brasil e aguarda o lançamento do DVD e CD com os shows para inglês ver, um livro sobre o retorno da banda e um longa-metragem com a saga dele, produzida pelo Canal Brasil e com locações em Londres e nos EUA. Além do primeiro livro de ficção científica, escrito na década de 70, que será editado pela Rocco.



A inserção de Arnaldo em um mundo do qual ele nunca participou se opõe à gênese de sua nova empreitada, a publicação do livro Rebelde entre os Rebeldes. Livro, aliás, que já lhe valeu outra nota em coluna social, dessa vez do jornal Folha de S. Paulo. A ligação com o estilo literário é embrionária, pois o nome da banda foi inspirado na obra O Império dos Mutantes, de Stefan Wul. No final da década de 70, Arnaldo se aventurou a transformar parte do universo que admirava – e vivia – em texto. O primeiro capítulo do livro já havia sido organizado por Mário Pacheco, que escreveu a biografia do mutante: Balada do Louco. O livro de Arnaldo – que está espalhado em pedaços escritos a mão em diversos cadernos e em trechos feitos a máquina de escrever – será reunido por Leonardo Villa-Forte, fã que procurou o ídolo e resgatou os originais. O lançamento é aguardado para março ou abril do ano que vem.



Não sou muito conhecedora de Mutantes, mas essa nova formação da banda ficou estranha. Para mim, Zélia Dunkan está muito fora do contexto musical do grupo.





Mutantes - Preciso urgentemente encontrar um amigo



Preciso urgentemente encontrar um amigo

Pra lutar comigo

Pra lutar comigo



Quero ver o sol nascer

E a flor desabrochar

E no mundo de amanhã



Quero acreditar

Quero acreditar

Quero acreditar e a paz que eu tanto quero

Eu consiga encontrar



Preciso urgentemente encontrar um amigo

Pra lutar comigo

Pra lutar comigo



É difícil encontrar

Pois é grande a confusão

Pode até estar aqui

Nessa multidão

Nessa multidão

Nessa multidão

E a paz que eu tanto quero

Ele traz no coração







Mutantes

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