20/12/06 - 23h:50mDenunciar

O poeta das inutilezas...

Resolvi fazer essa postagem para a amiga Adelaide, a mais nova leitora de Manoel de Barros.



E é impressionante como esse velhinho, que completou 90 anos na terça-feira passada, é simpático...é de uma candura, de uma proeza, de uma simplicidade, de um valor...



Manoel nasceu em Cuiabá (MT), mas mora em Campo Grande (MS). É o poeta das inutilezas, que faz poesias tortas, que prefere as coisas menores e sem nome. "Sempre fui muito voltado para as coisas sem importância".

Como foi criado de forma primitiva, no chão, acampado por não ter casa, conviveu com insetos e, agora, suas obras não poderiam deixar de citar de forma poética essa preferência pelos bichos. "Meu impulso poético me diz que as coisas grandes devem ser desequilibradas com as pequenas. Tenho uma atração pelas coisas mínimas. O ínfimo tem sua grandeza e ela me encanta. Gosto muito das coisas desimportantes, como os insetos. Não só das coisas, mas também dos homens desimportantes, que eu chamo de 'desheróis'".

Manoel tem admiração pelo Charlin Chaplin. Segundo o escritor, Chaplin descobriu o encanto dos vagabundos, queria celebrar o ínfimo, o pobre coitado, o homem jogado fora, o joão-ninguém. "Mas tomei gosto pelo desimportante lendo o Gogol, um escritor que exaltou como ninguém o homem sem valor, sem qualidade. A literatura do homem desqualificado, do pobre diabo, começou com Gogol".

Mas Manoel de Barros também escreveu: "Beethoven é um erro perfeito." Logo, o erro é a perfeição. Para ele, o artista é um doente, não é um homem normal. "É sempre um psicótico, tem um desvio de sensibilidade, algo assim. Minha principal qualidade literária é minha visão torta do mundo. Logo, minha principal qualidade literária é minha doença. Escrever que 'Beethoven é um erro perfeito' é uma idéia torta. Escrever que 'o silêncio do mar é azul' também é uma idéia torta, porque silêncio não tem cor. E, no entanto, eu escrevi isso e as pessoas consideram. Todo artista tem um desvio lingüístico e é ele que forma seu estilo".

Manoel afirma que suas palavras são do seu tamanho. "Eu sou miúdo e tenho o olhar pra baixo. Vejo melhor o cisco. Minhas palavras aprenderam a gostar do cisco, isto é, da palavra cisco. E das coisas jogadas fora, no cisco. Pra ser mais correto: as coisas que moram em terreno baldio".







Meu quintal é maior que o mundo, sou um apanhador de desperdícios, amo os restos como as boas moscas - Manoel de Barros Vídeo Poesia

Comentários (0)

Fotos postadas a mais de 15 dias não podem receber comentários.