30/01/07 - 20h:08mDenunciar

As irmãs amigas Jaciara, Andréa e Adelaide

Adorei essa foto, mostra o carinho e a amizade dessas três irmãs...



Hoje, conheci um lado diferente da amiga Adelaide (Rosa do Desejo, Clarice, Ana Karenina ou Rosa Eastwood...são tantos pseudónimos). Como escreve bem essa amiga, que mesmo se descreve como criança levada, mulher ardente, amante, impaciente, teimosa, agressiva, fútil na medida certa para não ser arrogante (adorei essa última frase, amiga. Acho até que deveríamos mudar nosso jeito de ser, pintar o cabelo, cair na vida e gritar que somos felizes. Tô brincando...jamais).

Menina, vc é, como Maurício mesmo disse, a Manoela de Barros versão cama, mesa e banho...rsrs. Lendo seu blog, vi textos lindos, simples, sinceros e bem escritos. Engraçado que você usou personagens sem nomes (só há ele e ela nas frases). Tratam do cotidiano, das lembranças, da vida que às vezes é amarga, às vezes é doce...



Tem um texto que eu gostei muito...me fez lembrar dos bolinhos de fubá que minha mãe fazia (que nem ficavam tão bons assim, mas como era impossível freqüentar a Padaria Santa Cruz...). Aí segue...





Café da manhã



Levantou-se da cama, espreguiçou-se e tratou logo de ir tomar seu café. Mas, nesta manhã, ele sentiu um ar diferente. Um cheiro estranho o apanhou de surpresa. Não era cheiro de café, não aquele habitual.

Olhou à sua volta e não encontrou nada que pudesse explicar aquele ar que, aos poucos, tomava conta de toda a sua atmosfera familiar, causando nele uma sensação estranha. Aos poucos aquele cheiro foi se tornando familiar e ele se lembrou de quando tinha 8 anos. Seu pai se levantava todos os dias às 5 da manhã para preparar o café. Fritava bolinhos de fubá. Por volta das seis seu pai o acordava para que ele se arrumasse para a escola. Ele não queria se levantar, mas aquele cheiro de café que já tomava a casa inteira o despertava. E os bolinhos que seu pai preparava eram os melhores bolinhos do mundo.

Ao chegar na cozinha sua empregada já havia preparado a mesa do café. Ali tinha seu insubistituível café. Mas no lugar dos bolinhos de fubá, a sua mesa estava cheia de especiarias que a empregada todas as manhãs busca na padaria: geléias, requeijão, biscoitinhos de vários sabores e formatos, pães, sucos e frutas.

Ao se deparar com aquele banquete, comum de todos os dias, ele se assustou. Não estava reconhecendo sua própria mesa, sua própria xícara, seu habitual café da manhã. E, num milésimo de segundo, ele fez uma viagem a um mundo desconhecido. Saltou no tempo e no espaço. E neste momento, que parecia interminável, ele foi apreendido pelo estranho ar de café da manhã. Mas não o que sua empregada prepara todos os dias.

Ele sentiu o cheiro de algo há muito tempo adormecido dentro de si.

Algo que já dera por perdido na sua péssima memória.

Um ar estranho que o fez ignorar as leis da física.

Sentimentos que lhe foram um dia tão familiares, corriqueiros e que agora o tomam como se fossem externos à ele.

E, em meio a uma estranha mistura de sensações, ele respirou profundamente aquele tão conhecido ar que o envolvia nessa manhã...



E, em meio a uma estranha mistura de sensações, ele respirou profundamente aquele tão conhecido ar que o envolvia nessa manhã - Adelaide Rosa do Desejo

Comentários (1)

jukhouri
1. jukhouri 31/01/2007 - 16h38m

huum... esse texto passa a sensação de um abraço... de uma saudade... de um retrato... de um livro antigo... de um sonho... de um sorriso... gostei mto... Parabéns à artista das Palavras, Adelaide... bjão Juuuuuu

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