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APOISTILA JUJUTSU MÉTODO SHIDOSHI

por jutaijitsu em 13/4/2008

APOSTILA JUJUTSU MÉTODO SHIDOSHI Programa para o exame de faixa Para promoção de faixa, serão exigidos os seguintes conhecimentos: - Shizen-tai – Postura Natural, em pé, com pernas afastadas. O exame de postura compreende o conhecimento das posições, naturais (shizen-tai), tanto à direita (migui-shizen-tai). Tai-sabaki – Movimento do corpo Mae-sabaki – Movimento para a frente Yoko-sabaki – Movimento para o lado Mawari-sabaki – Movimento para trás – Ayumi-kata (Shin-tai) – Maneira de andar, deslocamento Devem ser demonstradas as formas de deslocamento sobre o tatami, salientando os seguintes detalhes: Ayumi- ashi: Passo normal, andar descontraidamente mantendo os joelhos e tornozelos flexíveis sem cruzar os pés. Suri-ashi: Passo normal arrastado, deslocar-se em todas as direções, fazendo o contato com o solo com o bordo externo da planta dos pés, calcanhares ligeiramente levantados. Tsugui-ashi: Passo emendado, acompanhando os passos de seu oponente, isto é, se este avançar o pé direito, recua-se o pé esquerdo, se recuar o pé direito, avança-se o esquerdo. – Kumi-kata – Maneira de segurar, pegada a) Migui-kumi - pegada na posição direita b) Hidari-kumi - pegada na posição esquerda – Jigotai – Posiçaão de defesa As pernas permanecem semi-flexionadas, com os pés um pouco afastados, servindo de defesa e ataque. Hidari-jigotai; Pé esquerdo na frente Migui-jigotai; pé direito à frente – Preparação para um golpe – Kuzushi – Desequilíbrio Mae-kuzushi; desequilíbrio para a frente Ushiro-kuzushi; desequilíbrio para trás Mae-sumi-kuzushi; desequilíbrio para frente/ ao lado ao mesmo tempo Ushiro-sumi-kuzushi; desequilíbrio para trás/ao lado ao mesmo tempo Yoko-sumi-kuzushi; desequilíbrio para o lado Happo-sumi-kuzushi; desequilíbrio para os oito lados - Tsukuri; Preparação – Kake; Execução, projeção - Ukemi – Amortecimento de quedas Executar o ukemi partindo das posições; deitado, sentado, de cócoras e de pé, para trás e para o lado. a. Te-uti-ukemi; queda a batida de mão b. Zempo-katten-ukemi; Queda com giro frontal c. Mae-ukemi; Queda frontal d. Yoko-ukemi: Queda ao lado e. Ushiro-ukemi: Queda de costas Introdução Quando perguntadas sobre o que é Jujutsu Método Shidoshi, muitas pessoas diriam que é um esporte Olímpico outro, em uma perspectiva histórica, descreveriam-no como uma extraordinária atividade cultural japonesa. Ainda, outros diriam que é uma arte marcial, sistema de defesa pessoal, ou uma forma de combate. A coleção de técnicas conhecidas por Jujutsu podem ser usadas com propósitos recreativos, de aptidão física ou Educação Física. Entretanto, o Jujutsu Método Shidoshi possui um impacto muito profundo nas vidas seus praticantes do que qualquer uma dessas descrições implica. Realmente, todo faixa preta e muitos outros estudantes, entendem que Jujutsu pode ser um modo de vida, possui princípios e objetivos que podem ser vistos como uma evidência da filosofia que pode ser aplicada em todos os aspectos da vida de uma pessoa. Esses princípios podem ser uma força positiva, útil no desenvolvimento do espírito, do comportamento e servindo a humanidade. Nós podemos dizer que o Jujutsu é uma arte pelos métodos para alcançar a realização individual e a verdadeira expressão própria. Nós podemos, ainda, dizer que Jujutsu Método Shidoshi é uma ciência porque ele implica em um conjunto de várias leis da natureza: gravidade, fricção, movimento, velocidade, transmissão de peso e a união de forças. Na sua fase mais importante, constitui uma espécie de lógica-maior desenvolvida através da prática e da ascensão verdadeira... O Jujutsu de Shihan Faustino Infantil A criança ainda em período de desenvolvimento ósseo, com todos os seus órgãos extremamente vulneráveis, não pode e não deve ser submetido a um treinamento que exija grande esforço físico. A prática de qualquer modalidade esportiva deve ter como finalidade conservar a saúde, melhorar a disciplina e formar o hábito de recrear-se com coisas sadias, fugindo da delinqüência e maus costumes. A prática do trabalho físico deve, nesse período conseguir da criança, melhor postura corporal e desenvolver-lhe reflexos que venham equilibrar seus impulsos naturais. Visto sob o aspecto educativo, o Jujutsu deve restringir-se a uma atividade bem orientada, recreativo-educacional, pois a resistência da estrutura óssea e dos músculos que quase nenhuma força possuem, é fraca e o desenvolvimento mental é lento e não muito regular. "Se alguém empurrar você, puxe-o; se lhe puxarem, empurre-o. Nunca devemos opor resistência a uma força, sempre acompanha-la" "Aprender a cair sem se machucar é o bê-a-bá desta luta." O Espírito do Jujutsu M. Shidoshi “Conhecer-se e dominar-se é triunfar” “Quem teme perder já está vencido” “Somente se aproxima da perfeição, quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo, humildade” “Quando verificares com tristeza que nada sabes, terás feito teu primeiro progresso no aprendizado”. “Nunca te orgulhes de haver vencido um adversário. O que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância”. “O Budoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar”. “O Budoca é o que possui inteligência para compreender aquilo que lhe ensinam, paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes, e fé para acreditar naquilo que não compreende”. “ Saber cada dia um pouco mais e usa-lo todos os dias para o bem, é o caminho do verdadeiro Budoca” “Praticar Jujutsu é educar a mente com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com justiça, o corpo é uma arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência”. DISCIPLINA do Jujutsu Método Shidoshi 1.Respeitar os superiores e os colegas 2.Cumprimentar corretamente ao entrar e ao sair do Dojo. 3.Manter silêncio 4.Ajoelhar em ordem quando da chegada do professor 5.Estar atento às instruções do professor 6.Sentar-se corretamente 7.Durante as aulas, somente sair em casos de extrema necessidade 8.com a devida permissão do professor 9.Conservar o Dojo sempre limpo e em ordem 10.Não treinar em outra academia sem a autorização do professor Vocabulário Agura -Sentados de pernas cruzadas Ashi -Pé, perna Atemi -Golpe Aka -Vermelho Ayumi -Passos alterados Dan -Grau Dangai -Grupo antes da preta Dojo -Lugar onde se pratica o Judô Gari -Ação de ceifar Gatame -Ação de segurar Fusegui -Defesa, esquiva Hai -Sim, pronto Hajime -Começar o combate Hantai -Adversário Hantei -Julgamento Hara -Estômago Harai -Varrer Hidari -Esquerda Hiza -Joelho Jigotai -Posição de defesa Ju -Estudo, lugar Jujutsu -Caminho da suavidade. Budoca -Aquele que pratica Jujutsu Judogui -Roupa para praticar Jujutsu (Kimono) Kake -Projeção Kami -Acima Katame -Controle Kiai -União do espírito, grito de competição Kiken -Abandono Kiken-gachi -Abandono do seu oponente Libramec -Lugar onde se estuda o caminho (Jujutsu) Koshi -Quadril Make -Derrota por abandono Migui -Direita Moro-te -Com as duas mãos Mukso -Meditação Obi -Faixa Randori -Exercício livre, treino Rei -Saudação Ritsu-rei -Saudação em pé Sensei -Professor Sempai -Superior Shiai -Competição Shize-hontai -Posição natural (shizentai) Shisei -Postura Sutemi -Sacrificio Tatami -Acolchoado esteira para a prática do jujutsu Tate -Levantar Te -Mão, braço Uchi-komi -Golpes repetidos, aperfeiçoamento de técnicas Ukemi -Queda Ushiro -Atrás Waza -Técnica Yoko -Lado Yudansha -Faixa Preta Za-rei -Saudação de joelhos Zori -chinelos Zubon -Calça (de jujutsu) Wagui -Casaco EM COMPETIÇÃO Shiai-jô -Área de competição Uke -Budoca passivo (aquele que é atacado) Tori -Budoca ativo (aquele que ataca) Ippon -Projeção completa, ponto completo Wazari -Projeção quase completa, meio ponto Yuko -Quase meio ponto Koka -Quase yuko Ossaekomi -Imobilização (controle sobre o oponente) Toketa -Perda do controle sobre o oponente Sono-mama -Ordem para parar a luta no chão Hajime -Começar o combate Mate -Parar ou esperar Sore-made -Terminar o combate Tate -Levantar Shido -Punição leve Chui -Infração moderada Keikoku -Infração séria Hansoku-make -Infração muito séria (desclassificação) Hantei -Decisão pelos juízes Yusei-gachi -Indicação do lutador vencedor Fusen-gachi -Vitória sem adversário Sogo-gachi -Vitória por pontos somados Kiken-gachi -Vitória por desistência do oponente NA PEGADA Eri -Gola Makaeri -Meio da gola Okueri -Fundo da gola Guruma -Rotação Gui -Roupa Ushiro-eri -Atrás da gola Mon- dokoro -10 cm abaixo da gola Himo -Fio Uê -Acima Shita -Abaixo Kami -Acima Shimo -Abaixo Gyaku -Contrário Kesa -ângulo Niguri -Apertar Kotai -Trocar de adversário Shiho -Quatro lados Zempo -Parte frontal Numerais 01 – Itchi 11 – Dyu-itchi 30 – San-dyu 02 – Ni 12 – Dyu-ni 40 – Chi-dyu (Yon-dyu) 03 – San 13 – Dyu-san 50 – Go - dyu 04 – Shi 14 – Dyu-shi 60 – Roku-dyu 05 – Go 15 – Dyu-go 70 – Shitchi-dyu 06 – Roku 16 – Dyu-roku 80 – Hatchi-dyu 07 – Shitchi 17 – Dyu-Shitchi 90 – Kyu-dyu 08 – Hatchi 18 – Dyu-hatchi 100 - Hyaku 09 – Kyu 19 – Dyu-kyu 10 – Dyu 20 – Ni – dyu Técnicas- NAGUE-WAZA Técnica de projeção. Subdividem-se em: - Te-waza- Técnicas de braço Morote seoi-nague Tai-otoshi Kata-guruma Sukui-nague Uki-otoshi Ippon-seoi-nague Sumi-otoshi Eri-seoi-nague Te-guruma Moro-te-gari Seoi-otoshi Kibisu-gaeshi Yama-arashi Outros: kuchiki-taoshi, uchi-mata-sukashi Koshi-waza-Técnica de quadril Uki-goshi O-goshi Koshi-guruma Tsuri-komi-goshi Harai-goshi Tsuri-goshi Hane-goshi Utsuri-goshi Q-guruma Sode-tsuri-komi-goshi Ushiro-goshi - Ashi-waza – Técnica de pé ou perna De-ashi-barai Hiza-guruma Sassae-tsuri-komi-ashi O-uchi-gari Ko-soto-gari Okuri-ashi-barai Ko-uchi-gari Uchi-mata Ashi-guruma Harai-tsuri-komi-ashi O-soto-otoshi Ko-soto-gake O-soto-gari O-soto-guruma O-uchi-gaeshi Tsubame-gaeshi Outros: Hane-goshi-gaeshi; harai-goshi-gaeshi; uchi-mata-gaeshi... - SUTEMI-WAZA Técnicas de sacrifício. Subdividem-se em: – Ma-sutemi-waza- Técnicas de sacrifício frontal Tomoe-nague Sumi-gaeshi Ura-nague Hiki-komi-gaeshi Tawara-gaeshi - Yoko-sutemi-waza – Técnicas de sacrifício lateral Yoko-otoshi Tani-otoshi Hane-maki-komi Soto-maki-komi Uki-waza Yoko-wakare Yoko-guruma Yoko-gake Harai-maki-komi Ko-uchi-maki-komi Outros: daki-wakare: Uchi-mata-makikomi; Uchi-maki-komi; O-soto-maki-komi - Katame-waza Técnicas de controle ou domínio. Subdividem-se em: - Shime-waza – estrangulamento Nami-juji-jime Kata-juji-jime Gyaku-juji-jime Sode-guruma-jime Tsukomi-jime Hadaka-jime Okuri-eri-jime Kata-ha-jime Sankaku-jime Jigoku-jime Ryo-te-jime - Kansetsu-waza – chave de braço Ude-hishigi-hara-gatame Ude-hishigi-hiza-gatame Ude-hishigi-juji-gatame Ude-hishigi-te-gatame Ude-hishigi-waki-gatame Ude-hishigi-ude-gatame Ude-hishigi-sankaku-gatame Ude-garami Kata-te-jime Ossae-komi-waza- Imobilização Hon-kessa-gatame Tate-shiho-gatame Yoko-shiho-gatame Kami-shiho-gatame Kuzure-kessa-gatame Kuzure-tate-shiho-gatame Kuzure-yoko-shiho-gatame Kuzure-kami-shiho-gatame Kata-gatame Ushiro-kessa-gatame Makura-kessa-gatame -Atemi-waza Técnicas de bater, tais como: socos, chutes,joelhadas, sendo estas, técnicas somente para adultos com o objetivo de realizar o aprimoramento da defesa pessoal. . Programa para o exame de faixa Para promoção de faixa, serão exigidos os seguintes conhecimentos: - Shizen-tai – Postura Natural, em pé, com pernas afastadas. O exame de postura compreende o conhecimento das posições, naturais (shizen-tai), tanto à direita (migui-shizen-tai). Tai-sabaki – Movimento do corpo Mae-sabaki – Movimento para a frente Yoko-sabaki – Movimento para o lado Mawari-sabaki – Movimento para trás – Ayumi-kata (Shin-tai) – Maneira de andar, deslocamento Devem ser demonstradas as formas de deslocamento sobre o tatami, salientando os seguintes detalhes: Ayumi- ashi: Passo normal, andar descontraidamente mantendo os joelhos e tornozelos flexíveis sem cruzar os pés. Suri-ashi: Passo normal arrastado, deslocar-se em todas as direções, fazendo o contato com o solo com o bordo externo da planta dos pés, calcanhares ligeiramente levantados. Tsugui-ashi: Passo emendado, acompanhando os passos de seu oponente, isto é, se este avançar o pé direito, recua-se o pé esquerdo, se recuar o pé direito, avança-se o esquerdo. – Kumi-kata – Maneira de segurar, pegada a) Migui-kumi - pegada na posição direita b) Hidari-kumi - pegada na posição esquerda – Jigotai – Posiçaão de defesa As pernas permanecem semi-flexionadas, com os pés um pouco afastados, servindo de defesa e ataque. Hidari-jigotai; Pé esquerdo na frente Migui-jigotai; pé direito à frente – Preparação para um golpe – Kuzushi – Desequilíbrio Mae-kuzushi; desequilíbrio para a frente Ushiro-kuzushi; desequilíbrio para trás Mae-sumi-kuzushi; desequilíbrio para frente/ ao lado ao mesmo tempo Ushiro-sumi-kuzushi; desequilíbrio para trás/ao lado ao mesmo tempo Yoko-sumi-kuzushi; desequilíbrio para o lado Happo-sumi-kuzushi; desequilíbrio para os oito lados - Tsukuri; Preparação – Kake; Execução, projeção Ukemi – Amortecimento de quedas Executar o ukemi partindo das posições; deitado, sentado, de cócoras e de pé, para trás e para o lado. a. Te-uti-ukemi; queda a batida de mão b. Zempo-katten-ukemi; Queda com giro frontal c. Mae-ukemi; Queda frontal d. Yoko-ukemi: Queda ao lado e. Ushiro-ukemi: Queda de costas Sobrevivência e renovação Jujutsu através do final da era feudal Hoje sabe-se que o jujutsu foi desenvolvido ao longo de um período considerável. Muitas das histórias populares comumente encontradas em livros ocidentais de jujutsu têm sido comprovadas como incorretas ou pelo menos grandemente exageradas. Estas incluem a história de Chin Genpin trazendo o jujutsu da Chi na para o Japão, e a do jujutsu ter sido inventado por um médico de Nagasaki chamado Akiyama Shirobei Yoshitoki, após seu retorno de uma viagem à China. Esses homens realmente existiram, mas seu papel no desenvolvimento geral do jujutsu foi na realidade limitado, e muitos sistemas assemelhados ao jujutsu já existiam no Japão antes de qualquer um dos dois ter nascido. Foi estabelecido que o jujutsu foi desenvolvido ao longo de diversas linhas, com diferentes necessidades sociais em cada período histórico determinando as condições sob as quais suas lutas tiveram lugar, e com seus fundadores tendo as mais diversas filosofias sobre como se sobrepuja um oponente. As duas linhas principais que podem ser distinguidas são os sistemas que foram desenvolvidos para uso real no campo de batalha clássico, e aqueles que foram desenvolvidos em tempos de paz; os sistemas de agarramento de campo de batalha são mais antigos, e formaram as bases do que depois se tornou o jujutsu. A maioria dos sistemas pertencem ao segundo grupo (jujutsu de tempos pacíficos), e são produtos da era Edo. Outra distinção que pode ser feita é entre sistemas desenvolvidos por membros da classe guerreira para guerreiros (buke yawara ou bushi yawara) e sistemas desenvolvidos por ou para os cidadãos comuns (shomin yawara ou ippan yawara). O número total de escolas ou estilos de jujutsu é difícil, se não impossível, de determinar. Não é de surpreender que as estimativas variem de forma significativa dependendo do critério utilizado. O número de escolas de jujutsu existentes durante o período Edo, como sugerido no Nippon Kobudo Soran, é de aproximadamente 179. A mesma fonte menciona 718 escolas de esgrima, 148 escolas de técnicas de lança, e 52 de arco e flecha. Estes números são conservadores, na realidade. O número de escolas de jujutsu existentes no período Edo, quando o jujutsu floresceu de maneira nunca vista, foi na realidade muito mais alto do que 179. Durante esse período, cerca de trezentos han, ou propriedades feudais, existiram. Cada propriedade empregava um certo número de instrutores de artes marciais e, na maioria dos casos, mais do que um instrutor era empregado para uma certa especialidade (como kenjutsu, sojutsu ou jujutsu). À luz destes fatos, não é exagero acreditar que por volta de trezentos jujutsu ryuha possam ter existido, mesmo tendo em consideração que uma certa escola (ou um ramo independente de uma escola matriz) poderia ter sido ativa em mais do que um han. Também não é surpreendente que o final do período feudal em 1868 também tenha marcado o início do fim para muitos das escolas de artes marciais, incluindo os jujutsu ryuha. Jujutsu no período Meiji A abolição do sistema shogunal e a restauração do poder para o imperador também trouxe um fim ao sistema de propriedades feudais, aos daimyo, e à classe samurai como um todo. Alguns daimyo tiveram a sorte de se tornar “governadores” das recém-criadas prefeituras e um bom número de ex-samurai juntaram-se ao novo exército, mas muitos outros simplesmente tiveram de encontrar novas maneiras de sobreviver. Alguns instrutores de jujutsu – por ter bom conhecimento prático de anatomia humana – abriram clínicas especializadas em fraturas. Ainda hoje, Sekiguchi Yoshio, o atual Soke da Sekiguchi Shinshin Ryu, mantém uma clínica juntamente ao seu dojo de jujutsu. Seus ancestrais foram samurai a serviço do Wakayama Han, fiéis colaboradores dos shogun da família Tokugawa. Em alguns outros han, samurai tiveram a oportunidade de se tornarem servidores públicos, mas isso foi mais difícil para os samurai do Wakayama Han. Então, após a Restauração Meiji, a família Sekiguchi começou a comercializar remédios e a tratar doentes. Dessa maneira, a família Sekiguchi não foi apenas capaz de se manter por gerações, mas também pode manter a tradição da família, a Sekiguchi Shinshin Ryu, viva. De qualquer maneira, os anos iniciais do período Meiji foram anos negros para as escolas de bujutsu, e alguns de seus instrutores foram levados a atos desesperados. Em Meiji 5 (1872), Tsuda Ichizaemon Masayuki, soke da escola de kenjutsu Tsuda Ichiden Ryu e anteriormente um importante instrutor do Kurume Han, queimou todos os densho de sua escola e depois cometeu suicídio. O Japão estava cada vez mais caindo sob a influência ocidental, e isso foi particularmente verdadeiro em Tokyo, onde os praticantes de bujutsu eram vistos como anacrônicos e sem sintonia com os novos tempos. Várias tradições marciais desapareceram, enquanto outras continuaram sobrevivendo sem chamar atenção, para ganhar proeminência novamente depois de décadas. Uma volta ao interesse pelo bujutsu ocorreu na época da Rebelião Satsuma em Meiji 10 (1877), quando o governo contratou alguns artistas marciais para ajudar na luta contra os rebeldes. Gradualmente, o interesse em algumas das antigas artes marciais aumentou, até atingir um pico em Meiji 15 (1882). Apenas um ano antes, a agência governamental encarregada das forças policiais reconhecera a importância do papel que instrutores de bujutsu poderiam representar no treinamento de oficiais, e acabou contratando vários instrutores. Remodelar o jujutsu como uma ferramenta para a polícia tornou-se uma alternativa viável para alguns instrutores de jujutsu. Em Meiji 18 (1885), um número determinado de técnicas de artes marciais tradicionais foi selecionada e incorporada no que foi chamado de Keishicho Budo, ou Keishi Ryu (arte marcial policial). A parte de jujutsu foi chamada de Keishi Kenpo (kenpo policial), e consistia de dezesseis técnicas de luta em pé retiradas de escolas como Tenjin Shinyo Ryu, Shibukawa Ryu, Tatsumi Ryu, Toda Ryu, Araki Shin Ryu, Kito Ryu, Sekiguchi Ryu, Muso Ryu, Shimizu Ryu, Shinmei Sakkatsu Ryu, Ryoi Shinto Ryu, Yoshin Ryu e Kyushin Ryu. Mesmo assim, o interesse nas artes marciais começava a desaparecer. Uma virada importante ocorreu em Meiji 28 (1895), quando a prefeitura de Kyoto convidou praticantes de artes marciais de todo o Japão a participar de uma grande demonstração como parte do milésimo centésimo aniversário da fundação da cidade. Para celebrar o imperador Kanmu, decisões foram feitas para estabelecer a prestigiosa Daí NIppon Butokukai sob a proteção do então príncipe Komatsu no Miya Akihito e reconstruir a Butokuden. A iniciativa foi bem-sucedida e outros ramos da organização logo se estabeleceram em outras prefeituras. Algumas das maiores escolas da época se juntaram à Daí Nippon Butokukai. Por volta de Meiji 30 (1897), Kodokan Judo (localizado principalmente na parte leste do Japão) se tornou um estilo conhecido, e um grande rival das escolas tradicionais de jujutsu que faziam parte da Butokukai (localizada na parte oeste do Japão). Em abril de Meiji 35 (1902), praticantes de artes marciais de Higo Kumamoto, representando sete jujutsu ryuha (Yoshin Ryu, Takenouchi Santo Ryu, Kyushin Ryu Egushi Ha, Tenka Muteki Ryu Torite, Shiten Ryu Kumiuchi, Shiten Ryu Kogusoku e Shiota Ryu Kogusoku), juntaram forças e constituíram Higo Ryu Taijutsu. Não se sabe exatamente por quanto tempo esta iniciativa perdurou. Em Meiji 39 (1906), sob a proteção da Butokukai, quatorze instrutores representando dez diferentes koryu (Yoshin Ryu, Takenouchi Santo Ryu, Sekiguchi Ryu, Yoshin Koryu, Shiten Ryu, Kyushin Ryu, Miura Ryu, Fusen Ryu, Takenouchi Ryu, e Sosuishitsu Ryu) e seis membros da Kodokan, incluindo o próprio Jigoro Kano, desenvolveram o currículo padronizado de jujutsukata da Butokukai. A iniciativa não parece ter sido muito bem sucedida, pois não sobreviveu por muito tempo. De qualquer maneira, pode ter sido uma bênçao disfarçada, dadas as mudanças pelas quais o kenjutsu, iaijutsu, kyujutsu e mesmo o judô de Kano passaram quando foram padronizados. A falta de padronização significou que o jujutsu não se tornou algo que nunca se propusera a ser, a não ser no caso do jujutsu de Jigoro Kano, que gradualmente se tornou um esporte competitivo. Durante o período Meiji, o foco do jujutsu se tornou cada vez mais orientado a situações de auto-defesa, uma direção que já tinha começado a tomar no final do período Edo, quando mais e mais cidadãos comuns se dedicaram a estudar a disciplina, muitos deles mulheres. Várias universidades femininas no período Meiji (como a Sendai e a Universidade Feminina de Tokyo) incorporaram joshi budo (budo feminino), joshi jujutsu ( jujutsu feminino) e joshi goshinjutsu (auto-defesa para mulheres) em seus cursos. Outra mudança vista nesse período foi o crescente número de livros publicados sobre jujutsu. Muitos tiveram reedições em grande número, provando que eram bastante populares – uma situação que seria inconcebível no período Edo, quando as escolas de jujutsu mantinham seus ensinamentos em segredo. As técnicas de uma escola em particular, a Tenjin Shinyo Ryu, eram descritas em diversos livros. Claramente, fazer as técnicas disponíveis para um público maior era uma maneira de atrair novos estudantes. Na mesma época, pela primeira vez foi possível ver demonstrações de jujutsu dirigidas ao grande público. A divulgação do jujutsu era necessária para muitos mestres, especialmente em Tokyo, porque manter um dojo costumava ser tarefa muito cara. Os irmãos Noguchi apareceram com uma maneira revolucionária de atingir novos estudantes, revolucionária tanto em material como em método. Eles decidiram aplicar o conceito de aprendizado por correspondência, que era relativamente novo então, ao ensino de jujutsu!! Eles produziram manuais ilustrados com fotografias (ao invés de desenhos), explicando cuidadosamente cada técnica. Eles gastaram praticamente sua fortuna inteira desenvolvendo e promovendo o sistema, e veiculando publicidade em jornais variados. Sua idéia era levar o jujutsu até os mais remotos pontos do Japão, mesmo em locais onde não havia dojo disponível. Críticos – normalmente praticantes dos sistemas tradicionais de jujutsu – foram rápidos em destacar que era impossível aprender jujutsu em livros, e que a mera idéia de um curso por correspondência era ridícula. Por outro lado, eles também reclamaram a Noguchi do fato que ele tinha explicado muitos de seus segredos (okugi) em seus livros! Os irmãos Noguchi, que estudaram diversos jujutsu ryuha, replicaram que os sistemas antigos complicavam muito as coisas por manter certos pontos em segredo, ou por não explicar claramente as técnicas, duma maneira estruturada. Noguchi mesmo combinou os princípios de vários antigos sistemas de jujutsu, incluindo Shin no Shindo Ryu, Muso Ryu, Munen Ryu, Kito Ryu, Yoshin Ryu, Shinkage Ryu, e Kiraku Ryu em seu próprio sistema composto chamado Shindo Rokugo Ryu. Infelizmente este sistema aparenta ter se perdido. Um grande rival do Shindo Rokugo Ryu era Kodokan Judo, que ironicamente se beneficiou muito dos esforços dos Noguchi. De certa maneira, os livros que Noguchi escreveu eram muito interessantes, no sentido que foram talvez os primeiros livros de jujutsu com fotografias no Japão. Outro ponto interessante é que alguns dos livros continham técnicas que se acredita terem vindo do Yoshin Ryu ( ou Totsukaha Yoshin Ryu), uma escola que provavelmente está perdida também. Infelizmente, muitos dos antigos jujutsu ryuha estão perdidos para nós hoje. Jujutsu hoje Apesar de representarem apenas uma fração do número total de jujutsu ryuha que já existiu, temos a sorte de que um número de jujutsu ryuha tradicionais tenha sobrevivido até os dias de hoje. Um número estimado de trinta e cinco a quarenta e cinco escolas de jujutsu ainda existem (sem incluir variações do mesmo nome e diferentes ramos de uma mesma escola). Entre essas escolas há algumas que tiveram um importante papel no desenvolvimento do jujutsu, assim como estilos representativos de diferentes rumos dentro da disciplina, de agarramento de campo de batalha à defesa pessoal do cidadão comum. O risco que que algumas dessas escolas venham a desaparecer num futuro próximo é real. Em alguns casos a técnica é mantida viva por um número de discípulos, mas não há um sucessor formal porque o chefe anterior nunca elegeu um. Outras escolas se tornaram escolas adormecidas, com um mestre conhecido mas não discípulos na ativa. Através dos vários ryuha originados em diferentes períodos da história, é possível chegar a uma melhor compreensão da vida em dias que já se foram. Como o bujutsu em geral, jujutsu tradicional é uma parte integrante da rica herança cultural japonesa, e merece ser preservado e mantido vivo para as tradições futuras. lutar ou não lutar, não há nenhuma questão Existe uma coisa bastante interessante nas artes marciais que a maioria das pessoas esquece - seu conceito, a finalidade para qual cada arte é criada. Seu paradigma (adoro essa palavra), e a metodologia que ela usa para resolver seus problemas. Cada sistema de combate, em seu estado original, é uma solução para um problema específico. Kali Silat é do jeito que é porque rattan e facões são armas abundantes nas Filipinas. Koryu jujutsu é do jeito que é porque foi desenhado para ser utilizado por homens que usam armaduras e portam katana, wakizashi e yoroi doshi. Karate é do jeito que é porque foi desenhado para enfrentar homens armados e de golpes retilíneos, estando-se desarmado ou armado com instrumentos agrícolas. Formas nasceram para que se estudasse em pequenos grupos ou mesmo sozinho, disfarçando artes marciais proibidas, ou preservando as técnicas de uma escola para transmissão posterior. E os treinamentos costumavam ser duríssimos. Combate? Normalmente o dia a dia é que provia os combates. Campo de batalha, ou a mera existência num território hostil. Vamos pegar o exemplo do karate. O treinamento extrasuperpesado, mais o kata, mais kumite, mais as lutas do dia a dia eram mais do que suficiente para se desenvolver capacidade de luta. Mas vieram os tempos de paz e lá se foram as lutas do dia a dia. Sobrou o treinamento extrasuperpesado, mais o kata, mais o kumite. Veio o bom das artes marciais para o ocidente - e com a expansão para novos mercados, lá se foi o treinamento extrasuperpesado. Já que não há a urgência de se estar preparado para sobreviver, uma prática "agradável" se tornou muito mais fácil de difundir. Sobrou o kata e o kumite. Sem a preparação física do treinamento extrasuperpesado, o kumite tem de ter sua força reduzida, ser mais regrado, então a ênfase vai para o kata, para a perfeição estética. Aí o povo se revolta e alguns seguem o caminho contrário - o treino volta a ser pesado, com kumite forte, em regras de competição. E a cisão está feita. E podemos extrapolar isso para todas as artes - basta apenas trocar os kata por drills de defesa pessoal, que, sendo aplicadas fora de um contexto dinâmico, não passam de formas. O que temos, então? Artes "mortais" que simplesmente não conseguem pôr suas engenhosas técnicas em execução em um contexto dinâmico (perceberam que estou evitando a palavra '"real"?), e artes competitivas que fornecem um contexto dinâmico, mas limitando seriamente o escopo de técnicas a serem aplicadas. Uma diluição desnecessária, que cria um Palmeiras x Corinthians entre lutadores competitivos e não-competitivos. Convido os leitores a tentar perceber essa diluição, e a experimentar um resgate do poder original da arte marcial. Lutadores de artes como Taijitsu, Ninjutsu, Aikido e outros, pratiquem um pouco de Jiu Jitsu, Muay Thai, Boxe. Sintam o peso de uma pancada, o impacto de um soco, a dificuldade de se ganhar uma posição dominante num combate quando o oponente é bem preparado e hábil. Percebam que na maior parte do tempo não dá pra se encerrar uma luta num golpe só, mas só através de um duríssimo e longo embate. Aos praticantes de Jiu Jitsu, Muay Thai, Boxe - pratiquem algum sistema de defesa pessoal. Percebam que há um enorme leque de recursos a se utilizar num combate, além dos permitidos pelas regras. Há armas, há técnicas de sobrevivência. E percebam que nem sempre é necessário um duríssimo e longo embate pra se encerrar uma luta, às vezes um golpe só resolve. Apenas uma verdade é absoluta nas artes marciais: não se aprende a nadar fora dágua. O único jeito de se aprender a lutar é lutando. Preparação esportiva conta muito, um leque de técnicas adequado às suas necessidades (ringue, rua, guerra do Golfo) também, mas luta é absolutamente essencial. Só assim se percebe o quanto é difícil chutar sacos, enfiar dedos nos olhos ou quebrar os braços dos outros quando eles não estão parados esperando. E só assim se percebe como funciona o processo que te garante a posição de onde é possível chutar saco, enfiar dedo no olho ou quebrar braço de quem não está parado esperando. SHIHAN FAUUSTINO

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