16/12/05 - 18h:27mDenunciar

Feliz Natal...

Haverá um Natal, em que todos saberemos que somos irmãos na Criação.



Haverá um Natal em que as palavras terão um único sentido e não poderão ser distorcidas ao sabor do nosso entendimento e das conveniências.



Haverá um Natal em que já nasceremos como borboletas conscientes de eternidade e não como míseras lagartas, arrastando-nos na lama do egoísmo, do efêmero, da ilusão e da superficialidade.



Haverá um Dia de Natal em que perceberemos que o caminho é pela evolução consciente e pacífica e nunca pela revolução anárquica e violenta, pois "a grande chave" é mudar o coração do homem.



Haverá, eu creio, esse dia em que os nossos egos estarão apaziguados para sentirmos que só é bom para nós o que for bom para todos, e saberemos praticar, então, a igualdade e a justiça possíveis nos padrões humanos.



Acredito nesse Natal em que estaremos o tempo todo lúcidos, sem ignorarmos o sentido transcendente da vida e sem temermos a “morte”.



Nesse dia distante, irmãos, nenhum sistema político ou tecnológico permitirá duvidar de Deus, e ninguém venderá armas para matar irmãos em troca de opulência, maior rendimento “per capita”, equilíbrio da balança de pagamentos ou satisfação egocêntrica do poder.



Nesse Natal futuro saberemos distinguir o supérfluo do indispensável, sem que o Marketing e a Publicidade inventem as nossas necessidades e carências, e sem nos anestesiarem sublimamente com a ilusória felicidade de Ter, pois todos estaremos conscientes da importância de Ser.



Haverá, sim, um tempo sem preconceitos e “apartheids” possíveis, porque nenhum de nós desejará ser feliz enquanto houver um irmão terreno que não o seja.



Nessa manhã luminosa poderemos dizer que não somos iguais na trajetória necessariamente individual da nossa caminhada eterna; Embora irmãos na grande viagem cósmica da evolução humana;



Respeitando, naturalmente, o direito de cada um singrar o seu próprio caminho, sem o dominarmos com idéias e sem pisarmos as flores dos seus canteiros.



Haverá, certamente, esse tempo cristão de dignificação do ser humano em que ninguém com rosto de homem precisará escavar no lixo da nossa indiferença a diária sobrevivência; E nenhuma criança inventará cascas de melão nos contentores ou restos podres do nosso egoísmo descartável para poder sorrir o direito de existir.



Não precisaremos de jornais para sabermos o que gostaríamos de não saber, nem de rádio e televisão para nos embriagarem de ilusão ou envenenarem nossa alma com a naturalidade inaceitável da miséria, da fome, da crueldade da guerra, das catástrofes e do apocalipse da Dignidade Humana.



Nesse Natal, nós mesmos saberemos dizer a verdade uns aos outros sem a informática, a cibernética, os satélites e as parabólicas, e sem vergonha, de rosto ao sol.



Nessa longínqua mas possível manhã de Natal da nova era, seremos capazes de colocar a imagem do Cristo nas montras do “Merchandising” (tão ocupado com a facturação e o IVA), e o “Sermão da Montanha”, para nos inspirarem a dizer ternamente as palavras do amor que ora devemos uns aos outros.



Então, nenhuma ideologia, nenhum partido ou “slogan” serão necessários para nos conduzirmos: saberemos muito bem o nosso caminho de compreensão e de fraternidade, e nenhum calendário marcará dias de excepção ao quotidiano.



É quando haverá, irmãos, um planeta sem fronteiras, "Nato’s e Oua’s" onde todos os passos encontrarão homens dignos e sinceros que não trocam o coração pela razão, a consciência pela ciência, e que sabem que toda a tecnologia, progresso e criatividade só valem se servirem o homem e a criação.



Deus poderá ser inventado sem ridículo, e seremos naturalmente religiosos pela compreensão da unidade universal dos átomos, das células, das galáxias, dos corações humanos, mesmo sem imagens, sem templos, sem passadeiras de veludo, tão obsoletos como as Bíblias, os Alcorões, os Upanishades da nossa alienação.



Porque a palavra de passe será sempre Amor, síntese de todos os credos, e com ela serão inúteis todas as regras, estatutos e mandamentos.



O beijo, o sorriso e o pão serão a moeda fraternal de troca ao natural direito de estarmos aqui, sem a violência, a maldade e o materialismo da sociedade de consumo que tornou o homem descartável.



É quando teremos confiança, conhecimento e paz no coração para podermos tocar uns nos outros sem medo, (sem lepra, sem herpes, sem psoríase ou sida) e trocar mensagens de esperança, palavras de carinho e de ternura com aqueles que cruzarem o nosso caminho.



Temos de inventar já esse tempo, irmãos, sem moças a cantar ópera na estação do metrô a dinheiro, Sem garotos sujos a vender a “Eva”, no Rossio, em vez da escola, sem emigrantes retornados a vender os “autogrupos” da sua sobrevivência, sem a menina do “centro” a dizer que “só daqui a um ano é que seremos atendidos” com a miserável pensão social, rindo da nossa necessidade; e sem a velhota esquecida no banco do serviço de urgência, esperando a transfusão da esperança e a ternura dos filhos que a esqueceram.



Temos de acreditar nesse dia e começar a construí-lo, já, sem megalomaníacos economistas do crescimento, da produção, da rendibilidade, sem estatísticas dos salários injustos ou não pagos, e as nossas filhas desempregadas que se tornaram “massagistas”, sem serem contempladas pelos “Écus” da CEE.



Temos de sonhar esse Natal, ó irmãos conformados, em que não violaremos as mulheres com o nosso dinheiro masculino porque o Amor será gratuito e natural.



É quando já não haverá “crack” nem cocaína para iludir o vazio existencial, nem bombas de revolta pela insensibilidade do sistema; é quando dormiremos sem a angústia dos reatores nucleares de agora e das bombas de neutrões sofisticadas que nos garantem o extermínio do ser humano, mas não da propriedade horizontal, consentindo-nos apenas o pesadelo de existir.



Creio, irmãos, nessa era sem armas e exércitos (inúteis, pois a guerra não servirá então os interesses de ninguém), quando o ódio, a cobiça, o desejo de dominação, terão sido banidos do nosso coração.



É o tempo em que o “auxílio”, a “concórdia, a “cooperação” não serão palavras mentirosas para iludir os fracos, os pobres, os indefesos e ignorantes.



É quando não precisaremos de FMI’s, de discos para a fome, de estandartes de simulada compreensão e amizade nem de Natais nos hospitais para tranquilizar a nossa consciência.



O Cristo exiatirá então, dentro de nós, pela primeira vez, porque a Terra não mais será dividida em 1.º, 2.º e 3.º mundos, e porque o direito ao pão, ao sol e ao amor (sem qualquer ONU), nascerá deveras para todos os homens em qualquer latitude.



Nesse amanhã distante, não haverá câncer, peste bubónica ou aids, nem enfarte, ateroesclerose e “stress”, porque a natureza já não precisará corrigir o homem, e todos os partidos serão verdes.



Nesse dia de riso, então, já não teremos nojo de viver estes desumanos dias; não haverá suicidas nas prisões mutilando-se ao desespero da inutilidade, nem velhos desprezados carregando a morte nas cartas de jogar nos bancos dos jardins da cidade indiferente, doentes, descartados, incomunicáveis, mutilados; nem jovens de olhos azuis vendendo as enciclopédias do desemprego, sem destino e sem rumo, empurrados lentamente pelo desamor da xidade para a agulha da heroína, na alternativa do assalto ou suicídio por falta de coerência.



Até lá, irmãos, muitos alienados serão desumanamente operados ao cérebro com a trepanação do nosso Prêmio Nobel da Medicina para ficarem mansos, não “chatearem” a gente, e servirem de treino; muitos cientistas continuarão a modificar a genética dos animais enquanto alguns de nós derrubarão as florestas e deixarão desertos para se encherem de dinheiro, de mercedes almofadados e de lindas mulheres com casacos de peles.



E os rios, o ar, a água e os alimentos não serão envenenados pelas grandes multinacionais, enquanto os “Jogadores de Xadrez” põem uma ogiva nuclear em cada canto do tabuleiro aproveitando a nossa distracção diária a procurar o pão dos filhos nas calçadas quotidianas da cidade, vendendo artigos à comissão, enquanto, monotonamente, os sinos das igrejas continuam a dobrar por nós.



Eu creio, irmãos, nesse Natal verdadeiro que temos de inventar já, Urgentemente, em que a vida seja digna de ser chamada Vida e o homem digno de ser Homem.



Será quando as Mães não recearão gerar filhos, porque eles terão futuro, os jovens poderão estudar, pois serão úteis à sociedade a arranjar emprego compatível, e os velhos não se suicidarão por lhes ter sido roubado o horizonte que lhes resta nas fotos amareladas do passado.



Então, irmãos, encontraremos o Cristo em cada homem, renascido, na nova era da Fraternidade.



Então, será realmente Natal.

Cecília Rodrigues



Comentários (3)

lilianmara
1. lilianmara 18/12/2005 - 20h45m

É NATAL
O mundo está em suas mãos.
Tenha coragem e determinação
para transformar momentos difíceis
em grandes desafios, buscando na solidariedade um passo para dias melhores.
Neste Natal, que o grande potencial
da humanidade revele-se
em cada um de nós
para o início de um novo ano.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo!
bjuss

fcommefemme
2. fcommefemme 24/12/2005 - 12h54m

E eses tempos estão chegando, pode crer!
Passei aqui pra desejar a você, Katya e a todos os seus queridos um FELIZ NATAL ! ! !
Beijinhos!
Mércia.

ogranderic
3. ogranderic 6/06/12 16:15

Oi Mina! vim te fazer uma vistita básica! nossa como você está bonita! ta de parabéns viu! adorei! quando der da um passada la no meu perfil vou ficar muito feliz..um forte abraço pra ti..

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