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reportagem diversas
por kiescroto em 18/07/05 - 17h:14m
Doutores abandonados
Quem diria que mais de vinte anos de estudo seriam motivo para demissões? É o caso dos professores doutores que dão aulas em universidades particulares. “As faculdades contratam o doutor apenas para a fase de verificação do MEC”, denuncia Maria Inês Corrêa, vice-presidente da Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (Andes). Passada a fase de reconhecimento do curso pelo MEC, esses docentes são descartados, por custarem mais na folha de pagamento. Por medo de não conseguir nova colocação no mercado, muitos professores não denunciam a situação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabelece que toda faculdade deve ter, pelo menos, um terço do seu quadro docente composto por professores mestres ou doutores. Como não há uma definição específica da porcentagem de doutores necessária, os gestores das faculdades particulares acabam nivelando por baixo. “Não conformados em transformar professores em força de trabalho, os empresários tratam os estudantes como clientes, incentivando essa relação que infantiliza e desqualifica tanto o professor como o estudante”, diz Marina Barbosa, presidente da Andes. O professor José Carlos Abrão, ex-funcionário da Unip de Ribeirão Preto, foi vítima desse sistema em dezembro do ano passado. “Fui demitido, sem motivo claro, junto com vários outros colegas”, conta. “Todos éramos doutores.” A solução para o problema, segundo Marina Barbosa, seria reforçar a fiscalização: “É preciso um forte controle social sobre as instituições privadas para obrigá-las a adotar um padrão acadêmico de qualidade”.
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Na luta pela paridade
Você escolhe o reitor da sua faculdade? Esta é uma realidade que já existe em algumas universidades, como a PUC de São Paulo, Federal do Amazonas e Federal Fluminense. Mas na Universidade de Brasília, por exemplo, os professores têm 70 por cento dos votos, enquanto estudantes e funcionários têm 15 por cento cada segmento. Os movimentos estudantis, os docentes e os técnicos da UnB lutam pela paridade – proporção igual para todos os segmentos na eleição. Wagner Guedes, coordenador-geral do DCE da UnB, diz que a mobilização está forte, tanto que o reitor Lauro Morhy recebeu uma torta no rosto, atirada pelos Confeiteiros sem Fronteiras, no dia 4 de maio, durante seminário sobre exclusão social, no auditório da reitoria. Isso foi o ápice do conflito com a reitoria. As desavenças começaram quando os estudantes, docentes e técnicos não puderam participar da reunião do Conselho Universitário para votar a paridade, porque não ficaram sabendo que a reunião havia sido antecipada pela reitoria. Indignados, os estudantes se manifestaram e houve repressão policial. Dois estudantes apanharam. Além de iniciar uma petição para anular a reunião, o movimento estudantil preparou uma assembléia geral com estudantes, funcionários e professores, na intenção de fazer prosseguirem as mobilizações e determinar os novos rumos do movimento. A USP, a Unesp e a Unicamp também fizeram uma paralisação das universidades públicas no dia 24 de maio para reivindicar, dentre outras coisas, a democratização das eleições para reitor.
Força aos que lutam pela paridade!
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Com propaganda se vende até coca-cola.
Bernardo Severiano da Silva (1915-1996)
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Retratos do Brasil
Durma-se com um barulho desses
Na tarde de domingo, tiro a sesta na rede, ao sol, que está frio, quando uma saraivada de tiros me vai espertando. Dúzias, de várias armas. Rajadas: pá-pá-pará-papá-pá-pá-pá. No Ribeirão da Ilha, bairro dos mais pacatos da pacata Florianópolis, que diabo.
Não estava sonhando. São crianças imitando tiroteio. Pá! Pou! Pá-pá! Pou-pou! Brincam de guerra ou de mocinho e bandido, se é que ainda chamam assim. E tome tiro. Dispararam uns duzentos. Assesto o binóculo: seis piás de cinco a dez anos, na baixada, além do pasto. Durava quase meia hora. Escondem-se atrás de árvores, muros. Uma loirinha de rabo-de-cavalo em forma de trança brande um pedaço de pau com o qual fuzila um zebu – pá! pá! pá!... O boi se limita a boi: olha e rumina. A menina vira as costas, baixa a arma e sai andando tranqüila. Missão cumprida. Parece marine americano depois de executar insurgente nalguma parte do mundo.
Consulto Dilma, a jardineira, nascida no bairro há meio século. Tem violência aqui? Lembra-se dum rapaz que levou um soco, caiu, quem sabe bateu a cabeça no chão, morreu. Briga em jogo de futebol. “Faz mais de cinco anos.” Puxa da memória outro jovem, que apareceu enforcado numa árvore. Possivelmente suicídio. “Faz mais de oito anos.” Só.
Nem uma canivetada, muito menos tiro. Até fecharam o posto da PM do distrito em 2004, o que, para nós, até contribui para maior sossego.
Bem, deduzimos que as crianças apreendem tanta violência nos filmes e desenhos da tevê, nos videogames. Ou lhes chega o exemplo do pessoal do Porco do Bill mundo afora torturando, matando e saindo andando, que nem a loirinha de trança.
Mas onde queria chegar mesmo? Ah, sim. As colegas de hospício Simone e Viviene vieram à Enfermaria nos entrevistar para trabalho na escola de jornalismo. Tema: censura na ditadura. Lembrei que, em 1964, passados vinte anos do fim da ditadura Vargas, havíamos atingido estágio democrático não-igualado até hoje, passados vinte anos do fim formal da ditadura militar (essa foi de matar).
Um diário como Última Hora, de Samuel Wainer, seria um luxo hoje. Vibrante, colunistas inteligentes, ao lado das causas populares. A ditadura estrangulou a UH.
E a televisão? A TV Excelsior, criadora dos festivais que revelaram gênios da MPB, chegou a apresentar programas com Millôr Fernandes e Stanislaw Ponte Preta. Hoje, eles não passariam da portaria de estação alguma. A ditadura militar, claro, matou a Excelsior. E criou o “padrão Globo”.
Certo é que hoje, com raríssimas exceções, programas infantis na tevê são lamentáveis. E somos nós, a sociedade, que temos de nos mover. O governo não deve se meter nisso – mais a mais, em se tratando de governo Lula, por melhor intenção que houver, a mídia gorda vai cair de pau. Os chamados “formadores de opinião” da mídia gorda, estes sim, poderiam entrar numa campanha pela melhora de qualidade da televisão, mas em sua maioria estão mais ocupados em derrubar o Lula.
A inteligência precisa voltar à tevê. Se não, não dá.
Só queria tirar uma sesta em paz.
Manual de Redação da Enfermaria
24 dicas por André Abrão
4. Anule aliterações altamente abusivas.
5. Anglicismos são out, palavras vernáculas são in.
6. Seja seletivo no emprego de gíria, bicho, sacou?
7. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.
Continua
Cartilha
Nada de preconceito. É possível encontrar gente inteligente na direita como gente burra na esquerda.
Receita para jornalista pós-moderno ficar mais tempo no ar
Por que pedir, se você pode solicitar? Dizer prejuízo, se pode dizer detrimento? Se a chuva recrudesceu, por que dizer que aumentou? Pra que usar, se você pode utilizar? Pra que pôr, se pode colocar? A vítima levou tiro na cabeça? – diga “na região da cabeça”. Troque palavras e termos curtos, ao alcance de todos, por outros, compridos e de uso entre gente “letrada”. Principais vantagens:
1. quem lê não entende nada, mas vai te achar “o máximo”.
2. leitores irão ao dicionário, o que contribui para a “cultura” e a forma física deles, obrigados a deslocar-se pela casa.
Você não acha curioso ...
... que todo governo que sai diga que deixou a casa em ordem e todo governo que entra diga que encontrou a casa na maior bagunça?
Ready madee
Renan coloca o santo em primeiro lugar e o homem de ação em último: a excelência moral, afirma ele, sempre perde algo quando penetra na atividade prática, porque precisa adaptar-se à imperfeição do mundo.
Edmund Wilson, sobre o que seja um homem virtuoso, em Rumo à Estação Finlândia, Companhia das Letras, 1995, p. 44.
children's corner
Diálogos mãe&rebento
Lucas, 4 anos, e Vanderléia
– Mamãe, as pessoas falam “parece, mas não é”.
– Sim, está certo.
– Mas mãe, enquanto parece, é!
Nic, 5 anos, e Katia
– Nic, se eu fosse uma fada e tu pudesses me pedir qualquer coisa, o que tu pedirias?
– A tua varinha de condão!
(Cinco anos depois)
–- Mãe, se tu achasses a lâmpada de Aladim e pudesses fazer só um pedido, o que pedirias?
– Que nada de mal acontecesse às crianças.
– Eu pediria pra poder fazer infinitos pedidos.
Lili, 7 anos, e Eugênia
– Filha adorada! Cada dia que passa te amo mais.
– (Mãozinhas na cintura) Ah, é?! Quer dizer que hoje me ama menos que amanhã?
E que as Forças Superiores nos livrem da mediocridade, se puderem.
Goze mais Estudando o Pagode na Opereta Segregamulher e Amor, Trama, 2005.
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A explicação radica no amadurecimento da doutrina da “guerra preventiva”, formulada pela equipe neoconservadora que inspira a estratégia de política externa da Casa Branca, e publicamente anunciada por Bush, logo após o atentado de 11 de setembro de 2001. A “guerra preventiva” – conceito caro a Adolf Hitler – abriu aos Estados Unidos a possibilidade de atacar qualquer país, região ou grupo considerado uma ameaça potencial à segurança nacional estadunidense, especialmente aqueles integrantes do famoso “eixo do mal” (Irã, Síria, Coréia do Norte, Cuba e Iraque e Afeganistão antes da invasão).
O documento atribui, explicitamente, aos Estados Unidos um mandato militar global, isto é, o direito de agir militarmente mesmo em situações em que não ocorram guerras e conflitos. E mais: a Casa Branca concede a si própria o direito de promover operações militares dirigidas contra países não hostis aos Estados Unidos, mas considerados estratégicos do ponto de vista de seus interesses. Como explica o Wall Street Journal (edição de 11 de março de 2005):
Ainda segundo o WSJ, o documento trata de quatro tipos de problemas centrais, que devem ser atacados por forças especialmente treinadas, nenhum deles envolvendo confrontações militares tradicionais: “Construção de parcerias para derrotar ameaças terroristas domésticas; defesa do país, incluindo ataques contra grupos terroristas que planejam atentados; influenciar as escolhas de países que se encontrem em situação de ter que optar por alguma decisão estratégica, como a China e a Rússia; impedir a aquisição de armas de destruição em massa por Estados hostis e grupos terroristas”.
Não basta, portanto, a um governo qualquer proclamar suas juras de amor a Washington. Além disso, ele deve provar-se politicamente capacitado a se integrar ao processo de “mudança do mundo” nos termos postos pela Casa Branca. Caso não esteja à altura da tarefa, não importa o motivo, será derrubado pelos meios considerados mais convenientes por Washington, incluindo financiamento de grupos de oposição, treinamento de mercenários e, se necessário, intervenção direta (o dramático aumento de verbas destinadas a financiar publicações e a atividade da oposição em Cuba, aprovadas em maio de 2004 pelo Congresso dos Estados Unidos, é um bom exemplo disso). O importante é que os governos façam sempre a “opção estratégica” mais “correta”.
Torna-se compreensível, nesse quadro, a derrubada dos governos aliados mas “instáveis” dos países integrantes da CEI. A Rússia nunca deixou de ser considerada uma rival pelos Estados Unidos, especialmente por sua localização geoestratégia, no coração da Eurásia. Desde 1992, o establishment estadunidense proclamou sua intenção de isolar a Rússia e impedir sua reconstrução como potência euro-asiática. Por isso, torna-se necessário garantir a posse de governos “estáveis” nos países que formam sua antiga “esfera de influência”, com o objetivo de criar um “cordão sanitário”.
A nova doutrina prevê também que Washington deve “dissuadir” a Rússia e a China, abertamente consideradas potências rivais, a abandonar qualquer pretensão de competir militarmente com os Estados Unidos. Com esse fim, a indústria bélica deve constituir um poderio tão esmagador, que tornaria ridículo sequer alimentar a idéia de um enfrentamento (esse é o fundamento doutrinário do gigantesco orçamento militar dos Estados Unidos, que em 2005 atingiu uma cifra equiparável ao PIB brasileiro).
O tratamento dispensado à União Européia é um pouco mais sutil, pois, em tese, os europeus são considerados aliados. Ainda assim, é óbvio que existe uma disputa, movida principalmente contra o imperialismo franco-britânico, explicitamente demonstrada durante as preparações da invasão do Iraque (jamais aprovada por Paris e Berlim). Concretamente, delineia-se o eixo integrado por Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália e, subsidiariamente, Israel, contra a UE e as outras potências rivais. O principal foco é a Eurásia (o que não exclui, obviamente, as outras partes do planeta, incluindo a Amazônia Internacional).
Essa disputa não declarada explica a ansiedade dos governos alemão e francês por aprovar a nova constituição européia, contra a posição dos movimentos de esquerda: trata-se de preparar a UE para entrar de sola na nova corrida armamentista com os Estados Unidos. E explica também a euforia com o lançamento, em 19 de janeiro, do Super Jumbo A380, um avião gigante com capacidade para 555 passageiros, fabricado por um consórcio europeu, com o objetivo de competir com a estadunidense Boeing. Os mais importantes líderes europeus participaram da cerimônia que marcou o primeiro vôo do avião, e enalteceram a capacitação tecnológica da Europa.
O resultado disso tudo não poderia ser mais nefasto. Os Estados Unidos promovem uma nova corrida armamentista, envolvendo cifras e capacidade de destruição muito superiores às verificadas à época da Guerra Fria. Para manter os investimentos militares, os Estados terão que cortar ainda mais os gastos com as áreas sociais; terão que acentuar as características repressivas, policiais e militares, com o objetivo de reprimir movimentos e manifestações populares; por fim, terão que atacar de maneira cada vez mais radical e profunda qualquer vestígio de democracia.
Receita de grandes explosões. O preço, todos sabemos quem paga.
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por Marilene Felinto
Inveja do Brasil
Os grandes invejosos: a imprensa brasileira golpista, a Argentina e o PSDB das baratas tontas. Não porque o país esteja às mil maravilhas, mas apenas porque vem se dando muito bem (como nunca se deu) em alguns setores específicos.
A imprensa golpista, a serviço dos interesses da classe dominante, e por não ter ainda conseguido derrubar um governo como o do PT de Lula, inventa crises todos os dias e a cada movimento do governo.
Uma das últimas da central de fabricação de mentiras da imprensa golpista (encabeçada pelo jornal Folha de S. Paulo e macaqueada pela TV Bandeirantes e outros órgãos de mídia jornalística de péssima qualidade) foi uma suposta “briga” entre o presidente Lula e o argentino Néstor Kirchner, por ocasião da cúpula dos países árabes e sul-americanos que ocorreu em Brasília, em maio último. Apontavam-se, entre os motivos, “a política de independência do Brasil”, que preferiria “relações mais estreitas com o eixo Sul-Sul”, ou o “papel central que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer exercer na região”, ou a “falta de apoio do Brasil à Argentina junto ao FMI”.
A imprensa golpista não somente fez de tudo para subestimar a importância do encontro de cúpula entre árabes e sul-americanos como tentou tirar o foco de evento tão importante e inédito na história do Brasil. Tentou reduzir o encontro a uma falsa crise entre Lula e Kirchner. Logo após a cúpula, o próprio Kirchner desmentiu a especulação. Em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, no final de maio, ele disse que “com o presidente do Brasil” tem “uma excelente relação e muito mais concordâncias do que se acredita. O que acontece é que sempre a disputa comercial entre os países encobre tudo”.
Então, o ponto é este: a Argentina se ressente com o sucesso da economia e da política externa brasileiras. Mas é claro que a imprensa golpista não diz isso – porque teria de admitir que o governo Lula está transformando o Brasil numa potência comercial; porque teria de admitir que o governo que eles (imprensa golpista, a serviço dos interesses da classe dominante e da oligarquia do PSDB) pensavam derrubar em seis meses não se revelou o que eles professavam. Muito pelo contrário.
Elementos da potência brasileira: o quinto maior país do planeta em superfície, que pode se tornar, dentro de dez anos, o principal produtor agrícola mundial. “As realizações (do Brasil) no campo da agricultura são desde já impressionantes: primeiro produtor e exportador mundial de açúcar, de café, de suco de laranja, primeiro exportador mundial de tabaco, de carne bovina e de frango, e segundo exportador de soja”, afirmava o impressionado jornal francês Le Monde, em 24 de maio último. E acrescentava: “No total, ele (o Brasil) sobe para o terceiro degrau do pódio, atrás dos Estados Unidos e da União Européia”.
A Argentina, um país meio metido a europeu, hoje desprestigiado e sem credibilidade no mundo, com sua economia no fundo do poço, tem inveja de que a verdadeira potência da América do Sul seja o Brasil. Essa rivalidade é antiga, mas nem por isso estabelece atualmente uma “crise” entre os dois países. As relações comerciais no Mercosul estão em franca expansão.
Se houve (ou deveria ter havido) um “conflito” recente entre Argentina e Brasil, foi pela agressão racista de um jogador de futebol argentino contra o brasileiro e são-paulino Grafite. Mas, como a imprensa brasileira golpista não existe para defender o direito de pretos e pardos, tratou o escândalo a seu modo blasé (do mesmo modo que as confederações de futebol), condenando, muitas vezes, o jogador brasileiro por ter “exagerado” ao denunciar criminalmente o argentino Desábato. Ora, a Argentina é um país branco, majoritariamente racista e cuja história também é marcada pelo extermínio puro e simples de negros africanos. Quem é preto ou pardo e já sofreu discriminação de argentinos sabe do que estou falando.
Num artigo para a agência Argenpress, de 2004, intitulado “Africanos em Buenos Aires - Os Outros Desaparecidos”, Roberto Morini afirma que a Argentina branca conseguiu ocultar bem seu passado de escravidão africana, mas que não pode esconder as marcas do racismo que ressurgem da história a todo momento. Morini conta que, em 1810, os negros eram um terço da população de Buenos Aires, mas que em apenas cinqüenta anos já tinham praticamente desaparecido. Segundo Morini, “o fim da escravidão só serviu para exterminá-los” e “somente nos últimos anos do século 20 pôde-se observar uma tímida recuperação da visibilidade do africano em Buenos Aires”.
As conquistas brasileiras obtidas na esfera internacional, tanto na política quanto no comércio, estão entaladas na garganta da imprensa brasileira golpista e do partido a que ela serve – o PSDB paulista das baratas tontas Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra. Em composição com a imprensa também paulista, eles dançam miudinho para tentar desestabilizar tanto sucesso. Basta citar, na lista de sucessos, a recente vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio, no caso do açúcar, derrotando a poderosa União Européia e conseguindo com que os produtores brasileiros reduzam pela metade os preços de seus produtos para vendê-los em igualdade de condições no mercado internacional. Conquista inédita, quase inacreditável, reveladora do dinamismo e da inteligência da política externa chefiada pelo ministro Celso Amorim – um diplomata de verdade, o oposto do marasmo paralisante dos homens de FHC nessa área. Quem não se lembra da subserviência do então ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que tirou os sapatos num aeroporto europeu para ser revistado?! Foi nessa posição de humilhação que o governo FHC sempre colocou o Brasil no mundo.
O PSDB e a imprensa golpista que o apóia são uma oligarquia de gente colonizada, maquiada de erudição. Exemplo do espírito de colonizado da imprensa golpista: em 25 de maio último, na edição noturna do Jornal da Band (TV Bandeirantes), o âncora Carlos Nascimento perguntou ao comentarista Joelmir Beting: “Há mesmo tanta importância em o Brasil vir a ocupar uma cadeira no Conselho Permanente de Segurança da ONU?” Beting respondeu algo como: “Isso é mais para provocar ciúmes na Argentina”. Pasmem com tamanha manipulação, com tanto desserviço, tanta desinformação e ignorância!
E não se pode esquecer da cobertura revoltante da imprensa golpista quando da Cúpula de Países Árabes e Sul-Americanos. Trata-se de uma imprensa antiárabe, antipalestina, que fez de tudo para minimizar a importância do encontro, para desqualificar o esforço do governo para a organização de evento tão complexo e de desdenhar a aproximação entre essas populações do mundo. O jornal Folha de S. Paulo, na voz de seus colunistas golpistas (leiam-se, como exemplo, os textos de Eliane Catanhede sobre essa cobertura), babou manipulação de todo tipo, sempre defendendo Israel e Estados Unidos, como se o evento tivesse sido montado contra esses dois países irmãos carnais na belicosidade. Não foi. Ninguém estava interessado em Israel e Estados Unidos. Ali, o que interessava eram os árabes e os sul-americanos – pela primeira vez na história. Ponto final. É isso que eles, colonizados e invejosos, não conseguem engolir.
Marilene Felinto é escritora e jornalista.
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De braços com a máfia, o retorno.
O jornal O Estado de S. Paulo alardeou em 25 de maio último que havia descoberto quem era o investidor que está por trás da discutida parceria com o Corinthians. Era, de acordo com o jornalão, Boris Berezovski, que, por meio de entrevista exclusiva, teria feito a grande revelação. O título da matéria: “Berezovski é Corinthians”. E o início do texto dizia: “Agora é incontestável: Boris Berezovski admite, em entrevista exclusiva ao Estado, financiar a Media Sports Investment (MSI), parceira do Corinthians”. Ao ler a matéria inteira, porém, você via que o tal Berezovski não revelara coisa nenhuma. Tudo velho, coisas que a Caros Amigos já publicara na edição de fevereiro, depois de nossa repórter Natalia Viana ter entrevistado o mesmo Berezovski por telefone. Ele já dizia, como agora, que pretendia construir um estádio para o Corinthians, porque “o Brasil tem muitas chances de sediar a Copa de 2014”. Em nova entrevista, feita em 30 de maio, Natalia perguntou-lhe se no pretendido estádio ele seria sócio de Kia Joorabchian, e ele respondeu que seriam coisas “absolutamente separadas. Será um contrato entre mim e o clube Corinthians, o que não significa MSI”.
Acontece que nada disso vem ao caso. O que espanta, o que causa perplexidade, é a naturalidade como esse homem trata o assunto, dizendo até que vem ao Brasil “antes do ano que vem, porque quero ver pessoalmente o lugar, as pessoas...”. E diz que pensa em investir não só no estádio, que “pode ser um primeiro passo para fazer negócios no Brasil”.
Sabe o que é? Ele olha o Brasil com os olhos do europeu colonizador. Ainda. Diz que não se importa com as investigações do Ministério Público brasileiro, “não ligo a mínima para o tipo de investigação que está ocorrendo no Brasil”. O olhar colonizador é tão cínico como ignorante. Somos uma gente simples. Vejam sua frase: “As pessoas de verdade, as pessoas simples, querem ter um estádio novo, e nenhum poder político pode quebrar isso”.
A ignorância é agressiva, prova como ele imagina o país que escolheu para dar suas novas tacadas, chega a dizer que “muitos senadores e muitos ministros fazem parte do conselho do Corinthians”.
Esse homem, apesar de condenado em sua terra, a Rússia, por corrupção, e dela ter fugido para a Inglaterra, está tratando de se infiltrar por aqui, apesar de ter seu nome sendo investigado pelo nosso Ministério Público Federal por sérios indícios de lavagem de dinheiro.
E, de lamentar, tentando infiltrar-se por meio de um clube de tradição e de respeito público inquestionável.
Mas o que continua sem resposta, apesar de todas essas fumaças, como a do Estadão, é quem está por trás da nebulosa parceira corintiana chamada MSI.
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Aboboral
"Corrupto-paco!" - gritou o papagaio do parlamentar.
Os Cofins justificam os meios.
“Quem não foi corrompido, que atire a primeira mala!”
Ela entrou na sala da CPI dos Correios e deu um selinho no deputado.
Deu pití no PT.
O lado bom desse fuzuê é o Brasil ter virado o maior produtor mundial de laranjas.
"O culpado é o mordomo" já era. Agora a culpa é sempre do publicitário.
Limeriques & Casteliques
Nós somos os desempregados
Do nosso querido Brasil
Comendo calango no almoço
Jantando um teco de Bom Bril
Seguimos de cabeça baixa
Debaixo desse céu de anil
Lendo anúncio classificado
Descolando biscates mil
Preenchendo ficha de emprego
Fazendo papel de imbecil
Aceitando vaga de cachorro
Só pra trabalhar em canil
Ai, ai, ai, dá um trampo que eu executo!
Oi, oi, oi, topo até de prostituto!
O nosso saco já está cheio
De vender fruta no sinal
De vender bicho de pelúcia
De levar multa de fiscal
Olha aqui nosso CPF
A gente não é marginal
A gente só quer um emprego
Pra trabalhar na capital
Pode ser até de coveiro
Ou de lixeiro de hospital
Por uma carteira assinada
Tamos limpando até curral
Nós somos os desempregados
Do nosso querido torrão
Depois que globalizaram
Baixou aquela depressão
Deve fazer uns sete meses
Que não pinta uma ereção
Nossas mulheres estão pê da vida
Claro que com toda razão
Inadimplente só faz sexo
Se quitou uma prestação
Virar mão de obra excedente
É o melhor pra cortar tesão.
Ai, ai, ai, dá um trampo que eu executo
Oi, oi, oi, topo até de prostituto...