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fases de um mito
por legiaoagoraesempre em 22/05/05 - 15h:53m
Fases de um mito
Por Adson Boaventura
Estudante, professor de inglês, funcionário público, radialista, jornalista, ator, compositor, poeta e cantor. Registros de vários momentos e fases da vida de Renato Russo Manfredini Júnior estarão presentes em uma exposição que estará em cartaz na Galeria I do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de 6 de abril a 23 de maio.
A exposição é organizada por uma equipe de 10 profissionais, sob a orientação da irmã de Renato Russo, Carmem Teresa Manfredini e da professora de História da Arte da UnB, Renata Azambuja. Serão vários ambientes. Um deles é destinado ao universo musical do homenageado, com algumas composições e poemas não publicados; um espaço que reune fatos e registros da família de Renato; mostras de objetos de uso pessoal do artista; e um outro para vídeos, onde os fãs poderão ver clips da banda e um vídeo experimental do qual Renato Russo participa como ator.
O espaço da exposição remeterá ao apartamento do artista no Rio de Janeiro que será remontado em forma de labirinto. Conforme conta ao Correio Braziliense, Carmem Manfredini acha que a exposição poderá tirar o projeto “Memorial Renato Russo” do papel e o tornar realidade. Isso porque há uma grande riqueza de materiais que, reunidos, contam a vida pessoal e profissional de Renato para a exposição no CCBB. Haverá até mesmo redações e testes escolares do artista.
Era uma vez na escola
Ao caminhar pelo campus da Universidade Católica de Brasília, pode-se encontrar uma gama variada de alunos, funcionários e professores dos mais diferentes cursos com os mais distintos tipos de conhecimento e histórias de vida como a do professor de literatura brasileira do curso de Letras da UCB, Marcos Silvio Pinheiro.
Quando professor de literatura do ensino médio no Colégio Marista (Maristão), no final dos anos 70, teve um aluno no mínimo peculiar, que se destacava em várias matérias, especialmente em gramática, redação e literatura. Esse aluno se chamava Renato Russo. Professor do artista durante o primeiro e último ano do ensino médio, Marcos Silvio presenciou desde o relacionamento com os colegas ao desempenho em sala de aula daquele estudante que viria a se tornar um mito.
Certa vez, o professor Marcos pediu para que os estudantes da turma de Renato Russo listassem obras literárias já lidas por cada um deles. Quando verificou a lista feita por Renato, o professor se surpreendeu. “Havia mais de 20 obras, todas elas eram clássicos da literatura, nomes como Shakespeare, Dostoiévski, Camões, Kafka. No inicio, brinquei com Renato e pedi para ele listar os livros já lidos e não os livros da biblioteca de seu pai. Mas aos poucos ele ia mostrando que realmente tinha lido aqueles livros. Era um aluno do primeiro ano do ensino médio com uma bagagem literária realmente surpreendente” relata o professor.
A mudança de comportamento de Renato Russo durante o ensino médio é algo que o professor também destaca. Durante a segunda oportunidade como professor de Renato, já no terceiro ano, Marcos Silvio reparou que seu aluno estava mais retraído, isolado e mostrava, às vezes, uma certa agressividade. “Acho que o problema que ele teve na perna pode ter contribuído para essa mudança de temperamento” – lembra o professor, referindo-se a epifisiólise, uma doença que destrói a extremidade dos ossos.
Passado o ensino médio, Renato Russo já dava os primeiros passos no cenário musical de Brasília com sua banda Aborto Elétrico, pré Legião Urbana. Seu professor lembra um encontro inusitado que teve com Renato, algum tempo depois do artista terminar o ensino médio. “Estava caminhando pela Feira dos Estados quando, de repente, pula na minha frente um sujeito com traje punk que gritava sem parar. Era o Renato, acompanhado de seus amigos” –recorda o professor.
Ainda hoje, Marcos Silvio se recorda de seu aluno que, por sua vez, chegou a citar o professor em algumas entrevistas quando era perguntado sobre sua vida pessoal. Marcos Silvio considera-se um fã de Renato Russo: “Não só eu, como também meus filhos” e acrescenta: “Com certeza prestigiarei a exposição no CCBB”.