lindavitoria | Para tds!
    15/02/06 - 22h:36mDenunciar

    Para tds!

    O Gato de Botas











    Um moleiro, que tinha três filhos, repartindo à hora da morte

    seus únicos bens, deu ao primogênito o moinho; ao segundo, o seu

    burro; e ao mais moço apenas um gato. Este último ficou muito

    descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe

    disse:

    — Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e,

    em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou

    um asno.

    Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as

    botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe

    uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto.

    Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo

    e dirigiu-se para o saco. O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei,

    dizendo-lhe:

    — Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe

    entregasse este coelho. Guisado com cebolinhas será um prato

    delicioso.

    — Coelho?! — exclamou o rei. — Que bom! Gosto

    muito de coelho, mas o meu cozinheiro não consegue nunca apanhar

    nenhum. Dize ao teu amo que eu lhe mando os meus mais sinceros

    agradecimentos.

    No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes e levou-as ao

    rei como presente do marquês de Carabás. O rei ficou tão contente

    que mandou logo preparar a sua carruagem e, acompanhado pela

    princesa, sua filha, dirigiu-se para a casa do nobre súdito que

    lhe tinha enviado tão preciosas lembranças.

    O gato foi logo ter com o amo:

    — Vem já comigo, que te vou indicar um lugar, no rio, onde

    poderás tomar um bom banho.

    O gato conduziu-o a um ponto por onde devia passar a carruagem

    real, disse-lhe que se despisse, que escondesse a roupa debaixo de

    uma pedra e se lançasse à água. Acabava o moço de desaparecer no

    rio quando chegaram o rei e a princesa.

    — Socorro! Socorro! — gritou o bichano.

    — Que aconteceu? — perguntou o rei.

    — Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás!

    — disse o gato. — Meu amo está dentro da água e

    sentirá câimbras.

    O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio; voltaram daí a

    pouco com um magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando

    jovem.

    O dono do gato vestiu-o e ficou tão bonito que a princesa, assim

    que o viu, dele se enamorou. O rei também ficou encantado e

    murmurou:

    — Eu era exatamente assim, nos meus tempos de moço.

    O gato estava radiante com o êxito do seu plano; e, correndo à

    frente da carruagem, chegou a uns campos e disse aos lavradores:

    — O rei está chegando; se não lhes disserem que todos estes

    campos pertencem ao marquês de Carabás, faço-os triturar como

    carne para almôndegas.

    De forma que, quando o rei perguntou de quem eram aquelas searas,

    os lavradores responderam-lhe:

    — Do muito nobre marquês de Carabás.

    — Com a breca! — disse o rei ao filho mais novo do

    moleiro. — Que lindas propriedades tens tu!

    O moço sorriu perturbado, e o rei murmurou ao ouvido da filha:

    — Eu também era assim, nos meus tempos de moço.

    Mais adiante, o gato encontrou uns camponeses ceifando trigo e

    lhes fez a mesma ameaça:

    — Se não disserem que todo este trigo pertence ao marquês

    de Carabás, faço picadinho de vocês.

    Assim, quando chegou a carruagem real e o rei perguntou de quem

    era todo aquele trigo, responderam:

    — Do mui nobre marquês de Carabás.

    O rei ficou muito entusiasmado e disse ao moço:

    — Ó marquês! Tens muitas propriedades!

    O gato continuava a correr à frente da carruagem; atravessando um

    espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual

    vivia um ogro que era o verdadeiro dono dos campos semeados. O

    gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:

    — Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a

    teu respeito. Dize-me lá: é certo que te podes transformar no que

    quiseres?

    — Certíssimo — respondeu o ogro, e transformou-se num

    leão.

    — Isso não vale nada — disse o gatinho. - Qualquer um

    pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está

    em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?

    — É fácil — respondeu o ogro, e transformou-se num

    rato.

    O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir

    a porta, pois naquele momento chegava a carruagem real. E disse:

    — Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás.

    — Olá! — disse o rei — que formoso palácio tens

    tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.

    O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei

    murmurou-lhe ao ouvido:

    — Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.

    Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um

    esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na

    adega; e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de

    jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.

    Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e

    disse-lhe:

    — Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço.

    Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de

    ti. Por que não a pedes em casamento?

    Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi

    celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par

    de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos

    diamantes.

    E daí em diante, passaram a viver muito felizes. E se o gato às

    vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por

    divertimento; porque absolutamente não mais precisava de ratos

    para matar a fome

    Comentários (1)

    1. meyrilacerda 16/02/2006 - 09h28m

    que papai do céu embale os seus sonhos

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