30/07/08 - 16h:28mDenunciar

A Última Noite de Inverno

Olá gente! o/
Desculpem o sumiço. Estava sem tempo para o flogão!
Hoje eu estou com a one-shot: A Última Noite de Inverno, que, para não ficar muito comprida eu vou dividir em duas parte, ok?







âHonestly what will become of me
I don't like reality
It's way too clear to me
But really life is daily
We are what we don't see
We miss everything day dreamingâ


âHonestamente o que aconteceu comigo
Não gosto da realidade,
É clara demais para mim
Realmente a vida é magnífica,
Nós somos o que não vemos
Perdemos tudo sonhandoâ


Estava precisando me isolar por um tempo desde que aquele maldito inferno havia começado e isso já não era mais segredo a ninguém, pelo contrário, tava mais do que evidente minha frustração e revolta. Apesar de ter vivido praticamente a minha vida inteira cercada de pessoas eu sempre estive sozinha. Era como se eu fosse uma ilusão ótica, eu podia gritar, chorar, destruir o que tivesse ao meu redor e nem se dariam ao trabalho de dirigir-me o olhar ou até mesmo movimentar um milímetro do corpo para saber o que acontecia no local. Era como se para eles eu não existisse e talvez, quem sabe, também acontecesse comigo em relação a àqueles seres.

- Imbecis! â me soltei na poltrona empoeirada rindo compulsivamente como se aquilo fosse a piada mais engraçada que já tivesse escutado em toda a minha vida. â Vocês são todos um bando de imbecis, seus mesquinhos inúteis! â gritei novamente em plenos pulmões, já com lágrimas nos olhos, o pescoço arquejado para trás e as mãos na barriga. A própria que já dava sinais de que aquela crise de risos já estava indo longe demais.

âFlames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end?
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end?â


âChamas ao Pó,
Amantes à Amigos
Porque todas as coisas boas acabam?
Chamas ao Pó,
Amantes à Amigos
Porque todas as coisas boas acabam?â


Aos poucos fui me acalmando e isso ocorreu devido ao fato de ter me lembrado de uma pessoa diferente de todas as outras, meu pai. Ele era diferente em todos os ângulos, porque enquanto as pessoas eram inescrupulosas, egoístas e estavam sempre procurando pelo dinheiro ele estava lá comigo, me levando a passeios e me fazendo rir, era um homem integro e bondoso, além de que talvez tenha sido a única pessoa que realmente se importou comigo, que me protegeu de tudo e de todos.

O único problema é o fato de que ele não está mais aqui e que desde então começou este inferno que infelizmente chamo de vida. Mas eu vou voltar a ficar junto dele.

âTraveling I always stop at exits
Wondering if I'll stay
Young and restless
Living this way I stress less
I want to pull away when the dream dies
The pain sets it and I don't cry
I only feel gravity and I wonder whyâ


âViajando eu paro somente nas saídas
Pensando se eu continuarei jovem e inquieta
Vivendo desse jeito, eu me estresso menos
Eu quero me afastar quando o sonho morre
A chega e eu não choro
Eu sinto somente gravidade e eu me pergunto por quêâ


- Ahh papai... Você não é que nem os outros, não é? â sorri de uma maneira quase que doentia pegando delicadamente um porta-retrato na mesinha ao lado da poltrona. Na foto havia duas pessoas, estes eram uma menininha e um homem adulto a abraçando.

A garotinha trajava um delicado vestido de renda, um cachecol envolto no pescoço e nas pernas rechonchudas uma meia calça. O pequeno casaco de lã era o leito para a delicada trança de lado, fazendo com que as madeixas negras realçassem ainda mais os olhos azuis que a jovem possuía. O homem, magro e esguio, era de certa forma bonito. Os cabelos negros estavam bagunçados e lhe davam um ar de juventude que infelizmente o tempo retirou; por estar abraçado a criança seu corpo pendia para frente fazendo com que o sobretudo negro tampasse seu corpo quase que por completo, deixando à mostra apenas uma parte onde se via uma calça social escura. Seu sorriso era terno e os seus olhos transbordavam bondade. Atrás deles se via um enorme chalé de madeira, uma construção antiga e bela, tinha o telhado totalmente tingido de branco, era neve.

Suspirei desviando o olhar, me lembrava daquele dia como se fosse ontem, era meu aniversário e a penúltima noite de inverno, eu era aquela menininha.



âFlames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end?
Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end?â


âChamas ao Pó,
Amantes à Amigos
Porque todas as coisas boas acabam?
Chamas ao Pó,
Amantes à Amigos
Porque todas as coisas boas acabam?"


- Inverno... â Balancei a cabeça sorrindo e indo em direção à janela, esfregando as mãos que mesmo com luvas teimavam em continuar geladas.

Continuei olhando a foto ternamente enquanto me recordava de cada fato ocorrido naquele dia. Era meu aniversário de oito anos e eu havia implorado a papai para que o fizéssemos no chalé nas montanhas dele, um lugar lindo e aconchegante, principalmente no inverno, a época em que estávamos e a que eu mais gostava. As árvores ficavam sem folhas, tirando alguns pinheiros; toda a área era cercada por montanhas que se encadeavam e que ficavam com o topo branco devido à neve. Aquela vista deslumbrava qualquer um, e mais ainda se o céu estivesse avermelhado, fosse na aurora ou no crepúsculo, ambos tingiam a neve branca perfeitamente. Vendo aquela cena a única coisa que conseguíamos sentir era... amor.

Ri com meu pensamento, amor?! Ora que bobagem, nem sei o que isso significa. Àquela garotinha de oito anos já não existe mais, talvez existisse se aquelas coisas não tivessem acontecido, mas aconteceu. Eu não devia me referir a ela como a mim, como se fôssemos uma única pessoa, aquela garotinha é outra pessoa, é apenas lembranças de um passado longínquo que nunca mais tornaria a ver, a ter, a viver.

âDogs were whistling a new tune
Barking at the new moon
Hoping it would come soon so that they could dieâ


âQuando os cachorros estão assoviando uma nova canção
Olhando para a Lua nova
Esperando que chegasse logo para que eles pudessem morrer"


Afastei-me da janela e mergulhei na penumbra azulada do chalé, ouvindo ao longe os lobos uivando para a lua cheia.

Aproximei-me da lareira com o intuito de me aquecer, porém o fogo estava quase extinto e o calor que saia de lá era a mesma coisa que nada. Suspirei pesadamente sentando na posição de lótus perante a lareira e me curvei para pegar mais lenha. Coloquei a madeira no fogo e remexi com um espeto de ferro, melhorou, mas nem tanto.

Varri o lugar com o olhar e me levantei para pousar o porta-retrato na mesinha da sala, não podendo deixar de notar que tudo estava muito sujo, mas isso não fazia diferença, pois não iria ficar por muito tempo ali. Bufei. Pelo menos me dei ao trabalho de retirar as teias de aranhas, parecia que eu estava num sarcófago e que ninguém entrava lá há anos. Só que era isso mesmo, ninguém entrava naquela casa a pelo menos vinte anos. Passei a mão no móvel e não consegui conter um espirro, aquela poeira toda estava irritando meu nariz.

- Que seja...

Peguei uma taça de vinho tinto entre os dedos trêmulos e sentei-me preguiçosamente no tapete felpudo, perto do fogo que agora estava bem melhor, bebia aquela bebida com delicadeza e classe assim como eu pai fazia.

Sorri de canto, um misto de malicia e ingenuidade, lembrando-me de como ele tomava seus vinhos, com os olhos vidrados no fogo da lareira como se estivesse pensando em algo que lhe roubava toda a atenção enquanto eu ficava com uma xícara de chá fumegante nas mãos, sempre indagando o porquê de ainda não poder tomar o liquido avermelhado, ele sorria e dizia que tudo tinha seu tempo. No outro dia ele morreu.

âDie... Die... Dieâ

âMorrer... Morrer... Morrerâ

- A morte é traiçoeira não é papai? â ri rodando o vinho no copo. - A gente nunca sabe quando ela resolve nos pegar, mas dessa vez quem vai pegar alguma coisa sou eu, sabia? É a sua menininha agora é uma mulher esperta e eu vou provar...

Soltei a taça no tapete, manchando-o com o vinho e rachando o objeto do mais puro cristal, ri. Olhei para a cor avermelhada e comecei a me recordar do dia da morte do papai.

Era de madrugada e o ultimo dia de inverno, o gelo começava a derreter. Na noite anterior comemorei o dia do meu aniversário junto com meu pai nas montanhas, apenas nós dois. Voltávamos devagar, devido à pista molhada e conversávamos animadamente, porém ele acabou se distraindo justo no momento em que um animal cruzava a pista, eu gritei tentando avisá-lo, só que já era tarde demais.

O carro capotou várias vezes, descendo em uma ribanceira. Eu estava usando o cinto de segurança e no banco de trás, por isso escapei quase que ilesa da situação. Mas, o vidro do carro se partiu com os choques que ele teve com o chão, e meu pai que estava no banco da frente acabou por se machucar seriamente. Algumas lâminas fincaram no seu corpo, abrindo suas entranhas e permitindo que o sangue jorrasse sem dó nem piedade. Fiquei por várias horas chorando sobre seu corpo inerte, sem me preocupar se minha roupa estava se sujando de sangue, ou não.

Quando a ambulância chegou eles tentaram nos separar, o corpo já não tinha vida, mas mesmo assim eles nos separaram, eu gritei, chorei e me esperneei só que eles não permitiam que eu ficasse com você, ao invés disso eles pegaram uma seringa e espetaram no meu braço, eu senti uma picada, e depois, mais nada. Acordei no outro dia em uma cama de hospital gritando, eu queria você papai, porém você não aparecia, você não estava mais conosco, tinha ido embora.

Enquanto eu chorava um dos médicos entrou no quarto junto a uma mulher escancarando a porta com violência. O homem demonstrava preocupação e tentava me acalmar, mas a mulher não, ela ficou o tempo inteiro encostada no batente da porta olhando-me com desdém.

De imediato não a reconheci, mas depois eu me lembrei que era uma parente distante, uma tia que nunca mostrou interesse por mim ou por papai. Quando descobri que ela que iria cuidar de mim, percebi na hora que minha vida nunca mais seria a mesma.







E então, o que acharam?
Espero que tenham gostado dessa primeira parte.
O flog está a caracter para o inverno... e meu coração está tão frio quando um.
Vocês devem estar se perguntando quanto ao meu namoro, tive alguns problemas e acabamos sendo separados por outras pessoas.
Porém eu digo, para quem quiser ouvir, que eu ainda o amo com todas as forças, e talvez seja isso que esteja me matando.
Daqui uma ou duas semanas eu posto novamente, ok?



kiss! ;*

Comentários (3)

lovefics
1. lovefics 30/07/2008 - 04h:51

Gente, comentem e leiam a fanfic me dizendo o que acharam ok? kisS!

xxxloveanimexxx
2. xxxloveanimexxx 03/08/2008 - 11h:11

Oiiiii tudo bem??? Adorei o seu flog É muito lindo passa la e deixa sua markinha? beijinhos e tudo de bom pra vc !

inukagomefanfics
3. inukagomefanfics 26/10/2008 - 22h:29

Ahá! Sabia que já tinha visto essa fic em outro lugar XD e foi no orkut. Weeeeell! acho que de flogão não nos conhecemos i.i Gostei da fic =) Parabéns. Kissus =*

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