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pra um amigo especial!!!!!!“...sei dos caminhos que já percorri...foram tantos que não saberia precisar.. quais foram os q me ergueram em duráveis construções de dignidade e contentamento... quais foram os que escorreguei e cai, machucando as palmas das mãos, os joelhos e, algumas vezes, o queixo, a testa, a boca... em todos eles o medo me acompanhava e sei que neles eu fui encontrando partes de mim ainda desconhecidas...todos me possibilitaram, além das cicatrizes, de um certo sentido de satisfação, encontros comigo, as minhas inúmeras faces revelando-se e reveladas...em pé ou em quedas, eu, e os caminhos se confundem pq, na verdade, todos me fizeram melhor...ainda tenho tantos outros caminhos para seguir.. as curvas me garantem o inesperado e a felicidade é uma longa trilha que tenho que percorrer todo o tempo, incansável que sou, mesmo quando o tempo é adverso, e no meu abrigo o telhado nem sempre está em boas condições e as goteiras me molham as costas e os ombros, inundam as minhas terras secas e meus pés afundam em buracos que eu mesmo cavei...ausência de alguns, hoje me dói, uma dor diferente de todas as dores que já andei sentindo..não me pergunte o pq da dor..vou tentando achar as marcas de chão pisado e parece que algo mascara a minha busca. .a falta de vento na casa me diz que eu não tenho porque perder o rumo, as folhas secas não cobrem o assoalho e as flores começam a abrir, viçosas e ainda sem perfume..a vida que levo, é uma vida que nem esta absolutamente aberta porque o tempo me deu balizas e nem desesperadamente fechada, tem sempre um vão a ser preenchido e outros que precisam ser limpos e esvaziados e uns poucos q, forçosamente, foram abandonados..as vezes me deixo enganar com os cascões q crescem por sobre meus arranhões e feridas, encobrem um pus denso e me impedem de regenerar, de me curar..sei das minhas feridas e arranhões, as vezes preciso de ajuda para arrancar os cascões.. que seria de mim, sem arranhões, sem feridas? As pessoas que não se ferem são as mesmas que passam sempre de raspão pela vida...não temo o vazio, pq fui aprendendo a recolher e reconhecer as pedras que me machucaram as solas dos pés enquanto andei descalça e despretensiosa, a juntar coisas coloridas e de formatos estranhos, a colecionar músicas, poesias, frases soltas, nomes e fotografias e ainda estou aprendendo a me desfazer do que guardo, inutilmente, na minha sacola, no meu saco de andarilhagem. A dor da ausência me lateja e eu tenho vontade de chamar de chamar, com a naturalidade de quem chama por alguém que está a dois passos de você..a felicidade é tão somente isso..ter a pessoa amada a dois passos de você..há momentos em que as lembranças me assustam, como fantasmas de filmes de terror.. lembranças doq projeto viver logo depois..daqui a pouco..o desejo é sempre a perspectiva do realizável, desaprendi o receio de desejar, a razão me dá alicerces e a loucura me acena à distância..tem tb esse sentimento de amor que me garante a penca das chaves das minhas portas na minha mão..as fechaduras e dobradiças estão em perfeito estado e nada pode, de verdade, me trancar..minhas janelas guardam a paisagem que vêm desenhando pra mim com carvão em papel molhado..venho usando minhas agulhas e linhas preenchendo o tempo de espera entre pontos de bordado e miçangas..costurar almas não é uma tarefa fácil e não tenho me deixado disponível e nem dispersa.. sei o q quero e me lanço, inteira, ainda q desconheça os contornos e acidentes geográficos, os perigos todos, os altos e baixos desse terreno que apenas suponho..já tive meus momentos de gula, de forjar segredos, de me esconder de mim, de andar apressada e de suportar coisas que não me pertenciam..já carreguei pessoas nas minhas costas..não sei o que é pecado e busco me absorver quando insistem em me manter no banco dos réus..os meus juízes não são brandos, a minha injustiça é a medida exata das asas medidas em polegadas, meus algozes trazem sempre o rosto descoberto e eu posso olhá-los nos olhos..nem sempre meu olhar é doce e a minha boca é macia..não tenho paladar refinado, um prato de feijão me aguça e me faz salivar com prazer..adoro caninha da roça com limão espremido e açúcar..procuro manter a minha agressividade sobre um rígido controle e o meu ciúme também e gosto de desenhar flores e árvores nos cantos dos papéis enquanto busco as palavras q possam me revelar..nem sempre a minha nudez é tranqüila e nem sempre me sinto eu mesma metida em roupas de griffe..hoje eu inventaria uma canção de despertar,uma canção suave, quase romântica, e cantaria bem baixinho em algum ouvido, traria alguém pro meu colo, abriria as cortinas e deixaria que a luz incomodasse olhos dele e que, como um prisma, projetasse suas cores nas paredes brancas, mantivesse ele acordado e atento..ele se veria confortavelmente em cores?E essa dor diferente que não passa, que dilata meus vasos e meu sangue parece correr na contra-mão. Na contra-mão parece que estou quase sempre, frontalmente indo ao encontro, nem sempre descrito e definido, apenas indo ao encontro. Tinha noites, que eu acordava assustada e uma coisa muito grudenta me tomava inteira, às vezes me empurrava pro colo mais próximo, e como esse colo não existia, não tinha muita alternativa: abria os olhos e enfrentava o medo ou abria os olhos e enfrentava o medo. Criei minha estratégia,ao sentir medo, avançar. Meus medos eram tantos. A cada dia que eu enfrentava um medo, me parecia, incorporava um outro..alguns vieram caminhando comigo, resistentes..quanto mais eu avançava, mais eles cresciam.não falo de medo do escuro, nem de medo de raios e trovões, muito menos de alma penada..esses eu superei, não foram fáceis, mas superei na medida que fui enfrentando, sempre de olhos abertos pra não ter grandes surpresas. Eu to falando de outros medos..de não ser amada..medo de não ser aceita..medo do vazio.O medo me era um sentimento sempre tão presente. Medo de perder.Cresci no luto! Elaborar as perdas, ainda que inconscientemente, foi minha tarefa desde me dei conta como gente...minha agressividade era um posto. Me colocaram lá e me era impossível debandar.Malcriada, desaforada, briguenta eram mais q adjetivos pra mim, eram as minhas armas e ferramentas de sobrevivência. Sobreviver a partir da agressividade não é tarefa fácil não. Representar o antimodelo, o q não é aceito socialmente, o q não é validado tem um gosto bem mais amargo doq estar presa no paladar da “boazinha”. Talvez os rótulos “negativos” tenham me dado tb uma flexibilidade maior, porque veja, estar na “conserva” negativa não permite expectativas outras, então a mobilidade deve ser bem maior que estar na “conserva” da boazinha, da bem-comportada, da elegantemente educada. Eu pude transitar, em outros espaços e com outras pessoas, o que essencialmente eu era, sem as minhas máscaras, depondo as minhas armas.. pude escancarar a minha fragilidade e cuidar dela, exercer o meu choro e a minha passividade frente às minhas dores. E foram tantas. Aprendi o riso, a leveza, o olhar mais delicado sobre as coisas em espaços bem distantes.A sempre desconfiança do afeto, a sensação nítida da perda eminente, fadada ao caos qualquer circunstancia de felicidade. Parecia que eu me antecipava aos fatos, vivia elaborando perdas. Tudo interessante e todas as pessoas importantes me seriam retirados em momentos de distração..sofria o que ainda não tinha perdido. Não sei precisar o que foi se transformando em mim e de mim para o mundo, mas fui aprendendo a viver o agora, fui aprendendo a não antecipar um caos que, depois fui ver, só existia na minha fantasia ou passava a existir como resultado da minha antecipação, sempre equivocada. Viver o agora, é o nosso desafio... o ontem se foi para todo o sempre, guardemos as coisas boas...as não tão boas assim que nos dê algum tipo de aprendizagem e as péssimas que sejam jogadas ao fogo e transformadas...porque de Fênix basta a nossa vida cotidiana....” Comentários (0)Apenas quem tem uma conta no Flogão pode comentar. |
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