melime Flogão |
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BlogJJpor melime em 7/8/2008 Eu observo os mortais andando tranqüilamente por essas ruas iluminadas demais, cheias de mais. Eu os vejo conversando animadamente, sinto o odor do álcool no hálito de muitos e observo com inveja enquanto alguns fumam. Cara, como eu queria que o prazer simples de fumar um cigarro continuasse exatamente igual. Bem, é isso, eu os observo enquanto caminho sobre quatro patas bem longe deles, mesmo que me vissem, como pareço um dingo, estou mais para um cachorro vira-lata que um lobo. Eu os observo e chego a conclusão que eu odeio essa cidade. Então, me questiono: se eu sabia que não ia gostar, por que acatei o conselho dele? Ah, eu já não agüentava mais a Austrália e suas coisas tão familiares. Precisava sair da li, então, nada melhor que uma cidade recém-conquistada pela Camarilla, certo? Ok, tenho que me convencer disso. Uma noite dessas eu consigo. Mas a Austrália estava realmente insuportável. Nasci, cresci, trabalhei e morri por lá. Era um inferno ter que evitar áreas que eu conhecia e gostava por ter perigo de ser reconhecida. Porque eu ainda corro esse risco, eu ainda sou muito nova em termos vampíricos. Cara, como eu cheguei a isso. Eu só tava trabalhando, sabe? Eu e meu parceiro, perseguindo uns filhos da puta. Eu e meu parceiro, presos num pequeno tiroteio afastados demais do nosso carro para pedir reforços. Eu e meu parceiro, morrendo. É, por aí, só que eu não morri-morri. O problema, naquela noite, foi um maldito que chegou por trás dele vindo do nada. Ele matou meu parceiro com uma faca, a metros de mim. Com uma faca!!! E, aí, com ele morto e eu sozinha, minhas chances eram nulas. Mas é aquilo, vai pro inferno? Carrega uns escrotinhos junto com você. Essa era a minha intenção original e eu ia conseguir arrastar dois comigo. Um dos que atirava em mim e o assassino do meu parceiro. E eu estava morrendo ali, com um terceiro vindo para perto dar o golpe final quando ele apareceu. Pode-se dizer que ali era o território de caça de meu senhor. Sei lá, o território de caça dele era absurdamente grande. Ele não matou o cara que seria meu algoz, ele o guardou pra mim. Gentil, não? Foi algo tão confuso, aquilo tudo. Ser levada para longe de onde tudo tinha acontecido, ter meus machucados curados sem que eu entendesse bem como. Ser Abraçada, bah. Nem sei se eu preferia ter morrido naquela noite, nem sei porque fui transformada. A questão é que fui e as coisas mudaram. Depois, beeeem depois, descobri que ele tinha recebido permissão para gerar uma cria e estava procurando algum mortal que ele achasse que tinha algo a oferecer. Cara, não faço idéia do que viu em mim. Eu mal sobrevivi sozinha, mal fui capaz de agüentar o horror de tudo aquilo. Ver meu rosto na televisão como desaparecida, invadir meu antigo apartamento num momento de solidão. Aiai, tudo tão irritante. Mas aí, você vai vivendo noite após noite, até ele se reapresentar. Noite após noite, até aceitar melhor tudo aquilo. Noite após noite, até não agüentar mais aquele lugar que representava tanto sua humanidade. Mesmo estando em outra cidade, outro estado, ainda era a Austrália. Então, quando ele falou de NY, eu decidi ir, pra ver como seria, se teria algo a acrescentar a minha não-vida. Cheguei, usei minhas parcas economias para comprar um apartamento perto de algum lugar com terra. E aqui estou eu, pensando que essa cidade é muito estranha. |
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