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†Entrevista com Joey†

por milarocknaveia em 16/10/05 - 01h:18m

Entrevista com Joey Jordison
Joey Jordison é o baterista dos Slipknot e um dos seus principais porta-vozes. O Nº1 da banda mascarada mais famosa do planeta defende a honestidade e a integridade como os valores máximos dos Slipknot.
Crítico do nu-metal, Joey Jordison olha o “homem invisível”, que toma as grandes decisões, como o grande inimigo dos Slipknot. Não é anti-republicano e até concorda com a defesa da pena de morte preconizada por George W. Bush.
1-A vida dos Slipknot é demasiado “stressante”?
Joey Jordison – Não a consideraria “stressante”. É definitivamente trabalhosa. Mas quando há por aí bandas que não conseguem a exposição que temos, só penso no quão sortudos somos e que temos uma excelente vida. Reflito muito sobre isso, assim como donde venho. Há bastante trabalho nos Slipknot, mas é para isso que aqui estou. Sentimo-nos afortunados, se tivermos em conta que a nossa cidade de origem é Des Moines - uma terra pequena onde nunca se é reconhecido como músico - e que conseguimos pôr a nossa banda pra tocar para as massas.
2-Normalmente conjugam a imagem da banda com a violência. Você acha que a nossa sociedade está ficando demasiado violenta?
Se olharmos para a América de hoje e para os bombardeios de aviões americanos sobre o Iraque, considero que vão surgir sérios problemas no futuro. Estou mesmo de mal com o meu país. É esse estado de coisas que provoca turbulência nas nossas cabeças. É por isso que há bastante verdade em torno de nós. A honestidade é o nosso alvo principal; musical e visualmente. É um reflexo do que fizemos no nosso primeiro álbum. Não é uma atitude contra nenhuma banda ou contra o mundo. É mais contra o “homem invisível” que está lá em cima e toma as decisões. A nossa hostilidade reflete-se mais em relação a esse tipo de gente.
3-Vai ser difícil manter unida uma banda de nove membros?
Nunca penso muito nisso. Nove pessoas é muita gente. Nunca me imaginei numa banda com tantos membros. Mas foi assim que conseguimos obter o som que queríamos. Será que brigamos? Não, isso nunca acontece.
4-Como foi a sua entrada nos Slipknot?
Já nos conhecíamos quando éramos mais novos e tocávamos em diferentes tipos de bandas. Os Slipknot começaram por ser cinco e foram-se alargando até terem atingido o número de nove. Recrutamos os melhores membros das bandas locais.
5-Já partilhavam todos da mesma filosofia de vida?
Sim, aliás, não escolheríamos uma pessoa que soubéssemos que não iria funcionar no nosso grupo. Fomos muito cautelosos na escolha dos membros dos Slipknot. Havia bons instrumentistas mas que tinham que se adequar à personalidade da banda.
6-O que é que leva você a usar máscaras?
Todo mundo da nossa cidade só queria saber quem tinha entrado e saído da banda, mas o problema é que ninguém nos ia ver tocar. Era como se não estivéssemos ali dando os nossos shows. Tornou-se muito doloroso para nós ninguém nos apoiar. Pensamos para nós: “Que se foda! Se nos tratam como anônimos e sem qualquer respeito pelo que fazemos, assim vamos nos manter e não terão o privilégio de ver as nossas caras”.
7-Cada máscara é um reflexo de uma personalidade individual?
Sim. A minha máscara, por exemplo, não reflete somente um aspecto. Pode significar amor, ódio, beleza, nojo, ou tudo ao mesmo tempo. Não é algo que possamos classificar facilmente. Gosto da minha máscara por ser multifacetada, é por isso que gosto tanto de usá-la.
8-Qual é a sua opinião sobre o seu atual Presidente?
O pai dele foi Presidente dos Estados Unidos, o que para muita gente na América é uma segurança, apesar de ter feito um monte de porcarias. E como pensam que o pai foi um bom Presidente, pensam que o filho vai também fazer um bom serviço nos próximos quatro anos. Não posso dizer se sou ou não um apoio de George W. Bush. A nossa banda não faz muito dinheiro, mas pertencemos já a uma classe que já não paga tantos impostos. Se me tivesse mantido preso às minhas origens, sei que seria bastante mal para mim. Se pensar nos jovens – e eles são o futuro – o W. Bush não está realmente a par dos seus problemas.
9-Quando o George W. Bush foi governante do Texas, ocorreu naquele estado um número elevado de penas de morte. Defende a pena de morte?
Depende do castigo que se der ao crime que se praticou... Acho que apoio a pena de morte.
10-Concorda portanto com a atitude de apoio de W. Bush à pena de morte?
Sim.
11-E os Slipknot são uma democracia?
Absolutamente. Somos nove pessoas que se gostam mutuamente e vamos para o palco como um todo. Todos têm uma importância igual. Nós sabemos quais são as nossas origens e demoramos dez anos para aqui chegar.
12-Aprecia o movimento do nu-metal, atribuído a bandas como os Limp Bizkit?
O nosso produtor Ross Robinson ajudou a criar esse som, e agora está a fazer tudo para se ver livre desse movimento musical. Houve quem nos envolvesse no nu-metal por causa da nossa popularidade. Temas como “(Sic)” e “Sur Facing” não têm nada de nu-metal, e contém uma forte carga de guitarras. Falando como baterista, gostava de ver essas bandas de nu-metal tocando o “(Sic)” e o “Sur Facing”... Não apoio nada esse som.
13-O que você tem escutado atualmente?
Venho ouvindo muito o black-metal norueguês.
14-Vocês são escravos da indústria musical?
Não, basta reparar no nosso material de show que tem inscrito a frase “kill the industry tour”. Que se lixe a indústria. Sempre que a indústria decide uma coisa por nós, fazemos exatamente o contrário. É o que sucede com o nosso álbum, onde não há quaisquer canções “radio friendly”. Nós gravamos, para o “Iowa”, material bastante pesado, contrariando o que o pessoal da indústria nos dizia – para se ganhar novas massas e toda aquela treta toda. Os nossos fãs mais hardcore estão conosco desde o início. Não vamos fazer nenhuma tentativa para obter uma nova audiência. Se isso acontecer, ótimo. Mas isso não ocupa as nossas mentes. O que pretendemos é preservar a nossa integridade.