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A Grande Diferença
Nos jardins da Toca, até as borboletas pareciam mais alegres naquele dia. As pouquíssimas nuvens que sobrevoavam o céu não conseguiam esconder o lindo sol de verão que brilhava e refletia no pequeno lago da casa dos Weasleys. Um bonito e bem ornado altar estendia-se sobre a grama, e a frente dele muitas cadeiras estavam posicionadas para que, daqui a alguns minutos, recebessem os convidados para o casamento de George. Depois de seis meses de namoro firme com a assistente de sua loja, George assumira que Vera era a mulher da sua vida, aquela que o apoiou nos negócios e ajudou a superar a morte de Fred. Palavras como essas vindo de George eram uma surpresa e tanto. Molly havia chorado lágrimas incessantes quando o filho anunciou seu noivado, pois adorava Vera e sabia que ela o faria feliz. Mas sua maior preocupação naquele dia não eram os noivos. Era Ron.
O ruivo havia passado os últimos cinco meses afogado em uma depressão sem tamanho, que o fazia vagar da cama para as Gemialidades Weasley – onde trabalhava agora -, da loja para a cozinha de casa, da cozinha para o Curso de Formação de Aurores e dele para a cama novamente, sem dirigir a palavra para a maioria dos familiares e amigos. Molly tentou por milhares de vezes conversar com Ron, descobrir o que aconteceu, mas ele se negava a conversar sobre o assunto. Era difícil para ela vê-lo daquele jeito, principalmente tendo certeza de que ele não tinha muitos motivos. Chegou a pensar que fosse sofrimento amoroso, mas Harry e Ginny garantiram que Ron e Hermione haviam se beijado no dia da queda de Voldemort. E Harry e Ginny também garantiram que Ron não falava mais com eles, e Molly não duvidara.
Enquanto polia pela centésima vez a mesa em que o jantar seria servido, Molly tentava encontrar um jeito de se aproximar do filho, mas sem nenhum sucesso. Todas as investidas imaginadas haviam sido tentadas nos últimos tempos, mas Ron conservara em volta de si um muro alto, e tornara-se inatingível. Bom, não era hora de pensar nisso. Aquele seria um dia feliz, independente de estresses ou depressões. E a Sra. Weasley lutaria por aquilo. Afinal, ela era uma Weasley, e ensinou a todos os seus filhos que não deviam se entregar por nada. Pensou nisso e sentiu uma pontada desconfortável, que tentou ignorar. Talvez Ron não tenha aprendido.
No meio dos arranjos de rosas cuidadosamente colocados na beira do lago, Ron estava deitado. Arrancava gramas com a ponta dos dedos, e de vez em quando, tirava alguns insetos que ousavam subir em sua simples camiseta branca. Seus cabelos caíam sobre o rosto e ele mantinha os olhos fechados, em uma tentativa falha de dormir. Sabia o que aconteceria se dormisse. Uma aranha poderia subir nele e, horror dos horrores, sonharia com Hermione de novo. Abriu os olhos e encarou a luz ofuscante do sol. Repassou mentalmente os planos para aquele dia: Ajudar a família a organizar a festa, se arrumar para a festa, receber os convidados, dar sorriso e fazer agrados para qualquer um que aparecesse na sua frente. Será que ela viria? Jorge havia convidado, ela e a família. Ron finalmente levantou-se e ia para dentro de casa, mas algo lhe prendeu a atenção. O banco que ficava na beira do lago, que era branco, simples, que não tinha nada demais. Só as lembranças. Não lembranças alegres ou tristes, mas lembranças que traziam um grande vazio.
Fora ali, naquele banco na beira do lago, que tudo terminou. Ele, que desde que a guerra terminou, sentia que algo faltava na sua vida, descobriu o que era: Ele não a amava mais. Seu coração não disparava quando ela estava por perto, sua respiração não ofegava, ele não ficava inebriado com seu perfume. E naquele banco contou para ela o que sentia. Aliás, contou o que não mais sentia. E ela, forte como sempre, foi embora sem dizer o que achava daquilo. Quem sabe não fora melhor assim? Muitas explicações, muitas palavras, muito choro, muito riso, sempre trazia problemas. E problemas era tudo que eles não precisavam naquele pós-guerra.
Porém o vazio que ele sentira quando ela fora embora parecia pior do que aquele que sentia em relação a ela. Quando ela estava perto, ele não se sentia apaixonado. Mas quando ela estava longe, ele sentia-se a pessoa mais abandonada do mundo. Sentia falta... Não sabia exatamente de que, mas sentia muita falta. Desviou-se dos seus pensamentos para cair na realidade, notando que seu irmão mais velho, Charlie, vinha na sua direção. Ele usava uma camiseta cor-de-rosa levemente desbotada e parecia muito cansado.
- Ron! Onde você esteve? Tive que arrumar as cadeiras na mesa de jantar sozinho, cara! – Parou na frente de Ron, apoiando as mãos nos joelhos. – Estou cansado. Bem, você tem que tomar seu banho, não é? Vai na frente, depois eu vou.
O ruivo acenou com a cabeça e encaminhou-se para a Toca. Mas, antes que pudesse dar um quarto passo, sentiu a mão de Charlie sobre seu ombro, puxando-o para que se encarassem. O garoto mais velho parecia sério, e no meio das cicatrizes que o irmão tinha no rosto, devido às dificuldades com dragões na Romênia, Ron viu algumas rugas de preocupação.
- Ron, o que você tem? – Ele apertava de leve os ombros do garoto. – Você não fala com mais ninguém, parece que foge da gente!
Ron meneou a cabeça negativamente, e logo proferiu a frase que virara sua marca registrada nos últimos meses.
- Não aconteceu nada, Chal. Eu só estou muito cansado.
- O.k., Ron, não precisa falar. – O irmão respondeu. – Mas isso está te prejudicando. E eu não quero que você se afunde mais.
Charlie voltou para dentro de casa, seguido de Ron. Nenhum deles dirigiu a palavra ao outro, e o clima desarmônico dos dois foi percebido pelos outros Weasleys. Charlie avisou-os que não tivera nenhum progresso, enquanto Ron ia para o quarto pegar seu terno. Abriu a porta do quarto, que não dividia com Harry desde que o amigo havia comprado um apartamento em Londres e levara Ginny com ele. O ruivo pensava em como queria estar feliz como o amigo e a irmã mais nova. Pensava nisso freqüentemente, e a solução dos seus problemas sempre chegava como uma morena de cabelos cacheados muito cheios e lanzudos, e que agora trabalhava em prol dos elfos domésticos no Ministério. Ron gostava de pensar que todos esses pensamentos com Hermione eram momentâneos e logo passariam, mas os momentos se prolongavam sempre.
O terno de Ron era preto em risca de giz, e vinha acompanhado por uma bonita camisa azul escuro, que combinava com seus olhos. Ele vestiu-o depois do banho e desceu as escadas para encontrar os outros Weasleys que iriam recepcionar os convidados. Passou pela frente do quarto de George e teve tempo de presenciar seu pai dando um discurso sobre a vida de casado e a importância da família.George parecia muito atento e interessado. Encontrou Harry e Ginny esperando-o, ele usando terno acinzentado e camisa branca, e ela com um elegante vestido ouro claro e sandálias no mesmo tom.
- Vamos? – Ron perguntou. Ginny arqueou as sobrancelhas.
- Você viu isso, Harry? Ronald falou com a gente!
Harry soltou um suspiro impaciente e olhou feio para Ginny, que se fingiu de inocente. O moreno murmurou um “Vamos lá, cara” para ele e os três saíram para o jardim. Este agora estava bem mais bonito do que pela tarde: milhares de fadas coloridas e brilhantes sobrevoavam o lugar, fazendo reluzir as travessas prateadas postas na mesa. Vários balões cintilantes foram conjurados e enfeitavam as árvores, junto com serpentinas que não paravam de cair. Ron ensaiou um sorriso quando viu aquela cena, mas ele logo se dissipou.
Quando os convidados começaram a chegar já eram oito horas da noite. Primeiro os pais de Vera, um senhor gorducho de bigode e uma senhora baixinha de cabelos muito loiros. Logo depois muitos tios e primos, de ambas as partes. Xenófilo, Luna e Newt Scamander Neto foram levados para seus lugares por Harry.Todos usavam amarelo. Depois deles, chegou a adorável tia Muriel, que reclamou dos cabelos muito desarrumados de Harry, de uma mancha quase imperceptível na camisa de Ron e, para desespero de todos, chamou Ginny de “desfrutável”, por estar morando com um homem e não estar casada. A ruiva levou a tia até sua cadeira e voltou, seu rosto púrpura de tanta raiva.
- Aquela barata velha e nojenta! – Ela praguejou, juntando-se ao namorado e ao irmão. – Duvido que saiba a diferença física entre homens e mulheres!
- Claro que ela sabe, Gi! – Harry disse, sorrindo. – Meninos têm cabelos curtos, meninas têm cabelos compridos! Ela acha que eu estou no meio termo, por isso não gosta de mim! – Ele continuou, rindo e puxando-a pela cintura, para abraçá-la.
Então, o mundo parou de girar. A Toca ficou repentinamente mais quente e apertada, mas só Ron percebera. Harry e Ginny continuaram rindo, e sorriram mais ainda quando viram quem acabara de chegar para o casamento. Ela estava linda. Seus cabelos foram domados em um coque no alto da cabeça, prendidos com uma fita cor de creme. Seu vestido verde-claro batia um pouco abaixo do joelho e era solto no corpo, balançando com o vento. Flores da mesma tonalidade da fita de cabelo subiam da ponta do vestido até a altura do seio. Uma sandália de salto em couro cru ornava seus pés. Era a sua Hermione e estava tão perfeita quanto jamais estivera. Ao seu lado estava um homem alto, de cabelos curtos e muito castanhos, e uma mulher com jeito de moça, cabelos grandes e ondulados, com sorriso largo. As pernas do ruivo começaram a bambear. Eram o Sr e a Sra. Granger. Se aproximaram do trio que aguardava para receber os convidados e a expressão risonha de Hermione se desfez logo que seus olhos caíram sobre Ron.
- Boa noite! – Disse a Sra. Granger, ainda sorridente. – Nossa, vocês três cresceram tanto! Da última vez que nos vimos vocês eram tão pequenos, não é Al? – Ela se dirigia ao Sr. Granger.
- É verdade! – Ele respondeu, estendendo sua mão para os rapazes e beijando a mão de Ginny. A Sra. “ Pode me chamar de Donna” Granger cumprimentou a todos também.
- A quanto tempo não nos vemos, Mione! – Harry exclamou, dando um abraço na amiga, que retribuiu, para logo depois cumprimentar Ginny com o mesmo entusiasmo. As duas trocaram algum segredinho que gerou risadinhas. Risadinhas que novamente cessaram quando Hermione olhou para o ex-futuro-namorado.
- Oi, Mione. – Ele disse, ensaiando seu melhor sorriso. Não teve efeito nenhum nela.
- Oi, Ronald. – Ron registrou o uso do seu nome inteiro, e não do apelido. – Onde nós vamos sentar?
Sentindo-se quase um empregado, como se sua única função fosse receber convidados, levou os Granger até seu lugar de honra, nas primeiras fileiras, junto com a família Weasley. Não demorou muito para a cerimônia começar. Ron sentou-se ao lado de Hermione – armações de George Weasley, ele conhecia bem – e logo seu irmão chegou, suas mãos tremiam e não conseguia para de se mover. Aparentemente a roupa estava desconfortável, e George não parava de ajeitar a gravata. O Sr. Weasley pediu para que ele se acalmasse, disse que tudo correria bem, que precisava relaxar. Uma música suave começou a tocar e Vera passou pelas cadeiras, seu vestido arrastando uma longa cauda pelo corredor. A cerimônia foi tão linda e tão entediante como no casamento de Bill, mas dessa vez Hermione não chorou. Aliás, Hermione não riu, não conversou e nem apresentou nenhum tipo de emoção.
Quando todos já estavam na pista de dança, com suas taças de whisky de fogo nas mãos, Ron sentiu que não suportaria mais ficar ali. Hermione ficou o tempo todo sentada, com a mesma taça de whisky, bebericando de vez em quando e observando o movimento. Um ou dois parentes dos Weasley chamaram-na para dançar, mas ela negou. Sua tristeza irradiava no ruivo, e ele considerou a hipótese de ser a pior pessoa do mundo. Ninguém poderia magoar tanto outra pessoa. Sentiu um frio que não era natural em uma noite de verão, e resolveu se refugiar dentro de casa, onde sempre fora mais quente e aconchegante.
A sala de estar assim, sem um monte de ruivos bagunceiros correndo de um lado para o outro, parecia maior. Jogou-se no sofá, relaxando os ombros e aliviando um pouco da tensão que sentia minutos atrás. A cabeça jogada para trás, recapitulando os últimos anos. Todos os anos que viveu ao lado dela. No primeiro ano chamou-a de Pesadelo, no terceiro acusou-a injustamente, enciumou-se no quarto e quinto ano, ficou quase todo o sexto ano sem falar com ela e, no sétimo, terminou um possível namoro. Ele ainda não cansara de fazê-la sofrer?
Parou para refletir sobre sua relação com Hermione, mas não conseguia pôr os sentimentos em ordem. Se não queria vê-la triste, por que não ficara com ela? Por que parecia que toda aquela paixão havia ido embora? Por que o amor platônico era mais excitante? Pensou em todas as noites dos últimos meses. Havia sonhado com ela em todas elas. Pensou nela o tempo todo. Por que, então, havia dispensado-a? Por causa de uma impressão tola e momentânea? Foi quando essa pergunta veio em sua mente que ele ouviu a porta abrir. Era o Sr. Granger. Ele entrou na sala, encarando Ron muito sério, e enquanto sentava no sofá oposto ao de Ron, disse:
- Ela só está um pouco chateada, entenda. Ela não esperava que... Isso tudo acontecesse. Ninguém esperava. – Ele gesticulava com as mãos durante a fala e falava rápido, como se estivesse com medo de perder sua linha de raciocínio. Igualzinho a Hermione! Ron escolheu bem as palavras que ia dizer, mas aparentemente elas não queriam sair. Nada lhe parecia uma boa resposta, algo a ser dito para um pai furioso que teve sua filha ignorada. Mas Al Granger não parecia nada furioso. Parecia bem compreensivo, afinal.
- Bem... – O ruivo começou. – Não leve a mal, mas...
- Não, não estou levando nada a mal. – O homem parecia certo do que estava falando. – Eu acho, inclusive, que é uma besteira ficar cobrando coisas de você, se você achou melhor assim... – Deu de ombros. – Mas... você tem certeza de que o que fez é certo, não?
Ronald tentou dizer que sim, mas novamente as palavras fugiram. Não tinha certeza de nada.
- Na verdade, Sr. Granger... – Suspirou alto e deixou a cabeça pender. – Não, não tenho certeza.
- Imaginei. – Ele respondeu. Ron fitou-o, e ele continuou. – Então, por que não deu uma chance para vocês dois?
- Porque... – De repente os sapatos lustrosos do Sr. Granger eram mais interessantes que o próprio. – Porque... Parece que falta alguma coisa entre eu e ela. Não sei o que é, mas eu não sinto mais a mesma coisa. Não tem mais aquela euforia, aquilo que a gente não controla, aquela... paixão... O senhor entende?
Para sua surpresa, Al respondeu que sim.
- Já aconteceu comigo. Comigo e com a Donna.
- Mas... Vocês casaram. Então, o amor de vocês não pode ter acabado.
- Você não falou nada sobre amor. – O homem respondeu, um sorriso leve nos lábios.
Ron encarou-o por um momento. Era de amor que estavam falando, não era? Resolveu ignorar aquela afirmação, e perguntou, apoiando os cotovelos nas pernas:
- E o que vocês fizeram?
- Nos casamos e construímos uma família juntos. – Ele respondeu, com simplicidade.
- Mas vocês não se amavam mais! – Ron já estava perdendo a paciência com aquilo.
- Agora sim! Nós nos amávamos. – Vendo a confusão no rosto do jovem, ele continuou. – Ronald, amor e paixão são duas coisas muito diferentes. A paixão nos deixa bobos, derretidos, inconseqüentes, cheios de fogo e entusiasmo. Já o amor... O amor nos deixa seguros, Ronald. Nos deixa certo do que fazer, nos deixa protegido. Amor é aquilo que você não nota quando está presente, só nota quando vai embora. Entendeu?
A porta abriu novamente, revelando uma Molly Weasley muito contente.
- Vamos, meninos! Vera vai jogar o buquê! – Ela sorria, empolgada.
- Já vamos, Molly! – O Sr. Granger respondeu. – Só vou terminar de contar uma história para Ronald.
Molly saiu da sala e deixou-os a sós. Al virou-se novamente para Ron e disse:
- Uma última pergunta, Ron. Você ama a minha filha? Não estou perguntando se está louco de paixão. Você ama? - Enfatizou a última palavra.
Rony achou que aquilo era algo para se pensar, raciocinar, planejar. Mas não. Fechou os olhos e a resposta estava ali, na sua frente. Todos aqueles anos observando os modos e ações dela, admirando o modo que ela escrevia e lia, adorando o modo com que colocava as mechas de cabelo atrás da orelha. Claro que a amava. Olhou para Al Granger novamente.
- Amo. Amo sim. – Sua voz estava mais firme do que imaginava que estivesse.
- Ótimo! – Ele respondeu, sorrindo. – Então, vá em frente! – Levantou-se e se dirigiu para fora da sala. Ron correu atrás dele.
- Como assim, em frente? - Estava desesperado. – O que quer dizer com isso? Ela deve estar me odiando e...
- Vai por mim, Weasley. – Ele respondeu dando uma piscadela que não lembrava nem um pouco Hermione. – Ela não te odeia.
Um grande alvoroço formava-se no centro da pista de dança e todas as mulheres pareciam ansiosas para pegar as flores. Gina estava quase encostada em Vera, e Gabrielle tirou-a da frente com uma cotovelada.
- Não, não briguem! – Gui gritava, desesperado, enquanto embalava a pequena Victorie.
Ron olhou por todos os cantos, procurando Hermione. Ainda não sabia como pediria desculpas ou como iniciaria o pedido, mas tinha que fazê-lo imediatamente. Agora tinha certeza do que sentia e sabia o quanto era verdadeiro. Não queria ficar nem mais um segundo longe dela. Procurou-a entre as muitas mulheres que se preparavam para pegar o buquê, mas ela não estava lá. Encontrou-a onde ela esteve a festa inteira, e quando seus olhos se cruzaram ele sentiu uma fisgada no estômago. Então tudo que sentia sempre esteve ali o tempo todo, e ele não dava chances para aquele amor sobreviver. Foi tão idiota! Mas retribuiria todo o mal que fizera, das melhores formas possíveis. Aproximou-se da mesa, que ficava perto da pista, e então percebeu que não sabia o que falar.
Ok, falarei a primeira coisa que vier na cabeça.
- Se você pegar o buquê, eu te peço em casamento! – Disse, antes que pudesse impedir. Logo notou a grande bobagem que falou, e suas bochechas avermelharam intensamente quando Hermione olhou para ele, surpresa. – Quer dizer, ãhm...
- Quer dizer que você acha que eu quero casar com você? – Ela estava mais magoada do que enfurecida, e isso deixou Ron mais aliviado. Tinha que dar um jeito de contornar a situação. – Depois de tudo que você fez?
- Hermione, eu só quero que você entenda que...
- Que você errou, que não queria me magoar, que estava confuso ou que é um idiota? – Ela fingia-se compreensiva e inocente, o que deixou o ruivo mais sem graça ainda.
Concentrados na conversa, os dois não viram que a jogada do buquê continuava. Até que...
PLAFT!
O buquê caiu diretamente no colo de Hermione. A morena olhou, totalmente chocada, para seu colo, e todos começaram a comemorar. Piadinhas como “Só falta o noivo, Mione”, vieram de todos os cantos, e Molly dava constantes risinhos e piscadinhas para Ginny e Harry. Quando a música começou a tocar de novo e as pessoas cessaram suas brincadeiras, Ron criou coragem para continuar a conversa.
- ...que eu te amo. – O garoto levou sua mão às mãos pequenas dela e acariciou. Era o melhor toque do mundo. Ela olhou para as mãos unidas e logo depois para os olhos muito azuis dele. – Eu só quero que você entenda que eu te amo, Mione.
Hermione hipnotizou-se com aquele olhar por algum tempo. Ele sentia um leve tremor no corpo dela, e sabia que não era frio. A morena desviou o olhar, procurando algo com que distrair-se e escapar daquela conversa. Suspirou profundamente, tentando encontrar palavras para expressar o que sentia, mas não encontrou.
- Ron... – Ela tentou começar, sua voz fraquejando. – Você mesmo disse que nós não dávamos...
- Porque eu não entendia! – Ron estava mais nervoso do que desejava. – Eu não entendia nada sobre o que eu sinto por você! Mione, os únicos que nós machucamos fomos eu e você... – Sua voz mostrava que Ron realmente lamentava. – Aliás, fomos os únicos que eu machuquei...
Ele pressionou um pouco mais a mão dela, fazendo-a ofegar.
- Desculpe por te fazer sofrer e...
- O caso não é esse, Ron.
- O que?
- O caso... – Mais um suspiro. – O caso é que eu esperei você esse tempo todo e... Pensei que você não me amava... Que bom que não é verdade. – Ela completou, um sorriso aparecendo em sua boca e iluminando seu rosto.
Olharam-se por um momento, com ternura. As mãos de Ron passaram para o rosto da morena, acariciando-a. Ela fechou os olhos e logo sentiu o pressionar leve dos lábios dele sobre o seu. Um calafrio subiu a espinha de Ron, mas ele sentia-se muito quente. Um calor aconchegante e maravilhoso. Era como se finalmente tivesse voltado para casa. Arrepiou-se quando as mãos pequenas da jovem passaram no seu pescoço, fazendo carinho em seus cabelos.
- Opa! Não falta mais noivo! – George gritou, fazendo todos mirarem Ron e Hermione. Ela, muito sem graça, começou a rir e escondeu seu rosto na curva do pescoço do namorado.
- A proposta ainda vale, viu? – Ele cochichou, em seu ouvido.
- Que proposta? – Ela perguntou, mesmo sabendo qual era. Queria ouvir de novo.
- Eu disse que se você pegasse o buquê eu te pediria em casamento! – Um friozinho percorreu sua barriga, e ele sentiu-se adolescente de novo.
- Então peça! – Ela sorriu para ele.
Ron levantou da cadeira e ajoelhou-se na frente dela.
- Ron, eu estava...
- Hermione Jane...
- Era uma brincad...
- Granger, você aceita se casar comigo?
- Eu só estava brincando, Ron! – Ela disse, rindo, mas sem esconder que adoraria que fosse verdade.
- Ah, Mione! – Ele respondeu, levantando-se e tirando o pó da roupa. – Você me iludiu assim! – Fez cara de ofendido, e ela deu um beijo em seu rosto.
- Não fique assim, meu amor. – A morena passou as mãos em seu cabelo. – Você não quer matar sua mãe do coração, quer? Imagina, dois filhos perdidos no mesmo dia...
Ron sorriu e deu mais um beijo em seus lábios. Poderia ficar a vida toda ali, do lado dela, sem preocupar-se com o resto do mundo. Afinal, quem precisava de um mundo quando se tinha Hermione Granger? Principalmente agora, que tinha certeza do que sentia. E sabia, agora entendia, que aquele era o verdadeiro amor. E que era o melhor sentimento do mundo.
Tinha que falar com o Sr. Granger. Tinha que agradecê-lo por tudo que fez. Primeiro, pôs a mulher da sua vida no mundo. Depois, fê-lo entender que ela era realmente a única mulher que ele amava.
Fim
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