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Invasão de privacidade... DT 180... !00%

Preparação da Yamaha DT 180

Vocês devem estar estranhando que estamos demonstrando como preparar a Yamaha DT 180 para trilha, pois com a abertura das Importações durante o Governo Collor, vários modelos específicos para competições deixaram nossas já defasadas motocicletas condicionadas a categoria "Museu".

Mesmo fora de fabricação há anos, a Yamaha DT 180 ainda tem muitos admiradores, quer pelo seu baixo preço, quer pela manutenção barata e ainda por suportar razoavelmente bem uma preparação mais pesada.

Assim, não são raras nas competições de motovelocidade em terra (veloterra) onde ainda se vêem muitas DT’s 180 mexidas azucrinando ao lado de DT’s 200 e XLX’s 350.

Portanto, passamos a apresentar as dicas de preparação da DT 180, que ficam a critério e responsabilidade do leitor



1 - Relação:

Para as pistas travadas, sugiro a utilização de pinhão 15 ou manter o de 16 dentes com coroa 54 (das antigas Yamaha MX 180). Para as pistas com retões, use pinhão 15 com a coroa original, que acho a ideal, se realmente tiver muitas retas.



2 - Suspensões:

2.1 - Dianteira:



Esse é o grande problema da DT 180, pois são poucas as alterações possíveis. Na dianteira, normalmente utiliza-se óleo mais grosso (o mesmo do motor). Eu prefiro apenas aumentar em torno de 15 ml a quantidade do óleo original, que é o óleo que mais responde as imperfeições da pista. Mas os óleos importados respondem melhor ainda, pois com o trabalho intenso da suspensão os óleos normais tendem a "espumar", perdendo sua viscosidade. Isso ocorre inclusive com as suspensões originais das importadas.

Por fim, pode-se optar em colocar sobre a mola original, mais uma, de aproximadamente 4cm de altura. Tente encontrar a tampa das bengalas com o ventil de ar (igual as de câmara de ar, que equipavam as DT´s 88 e 89), o que lhe facilita a retirada do ar devido a espuma do óleo.



2.2 - Traseira:

Nunca utilize os antigos alongadores traseiros, pois encurta a distância entre eixos da moto, pois a balança abaixa, desestabilizando a moto, já que não há aumento do curso da suspensão, apenas aumento da relação ao solo. Se você é muito alto e quer manter o alongador, sugiro que alongue a balança em torno de 4cm, cortando-a antes do pino de regulagem da corrente e acrescentando metal de igual espessura.

Ah, opte pela balança quadrada, que é mais rígida que as antigas redondas.



3 - MOTOR:

A seguir passo as informações sobre preparação do motor, que é de sua responsabilidade caso haja erro de preparo ou julgue pouca a longa vida do mesmo!

3.1 - CILINDRO: Usar pistão 1 mm (original ou Metal Leve e anéis Cofap) para aumentar a cilindrada. Não recomendo cortar as janelas do pistão, pois diminui em muito sua durabilidade. Na saída de escape, que originalmente é no formato de "meia-lua", passe a retífica de mão na parte superior interna, até que a saída fique "redonda". Seria melhor lhe explicar através de fotos, que pretendo em breve colocar no site.

Troque a pirâmide (onde ficam as palhetas de admissão – torque induction) por uma de RD 350, cuja furação original no cilindro é igual. NÃO COMPRE DA DT 200, QUE NÃO CABE! Leve para um torneiro aumentar o espaço interno para que caiba a nova pirâmide. NUNCA RETIRE AQUELE SEPARADOR QUE EXISTE NO CILINDRO. A área a ser retirada não pode ficar completamente lisa, sob a conseqüência de a mistura ar-combustível não ocorrer, por isso, há a necessidade daquela rugosidade existente.

Ainda na admissão, deve furar nos dois lados internos da entrada em direção as janelas de admissão (Fica difícil explicar sem figuras) com 4mm de diâmetro. Isso fará com que a mistura seja diretamente enviada para baixo do pistão, como se fosse admissão direta. Se a caso não entendeu o procedimento, NÃO FAÇA SOB PENA DE INUTILIZAR O CILINDRO.



3.2 - VIRABREQUIM

No virabrequim, existem a bolachas (que são unidas pelo pino da biela). Lá verifica-se que além do furo onde vai o pino da biela, existe outro. Recomendo que feche este furo, com nylon ou madeira, tomando cuidado para que não se solte. Isso fará com que a pré-compressão seja mais forte, e por conseqüência, a mistura subirá mais rápido para a cabeça do pistão.

3.3 - CABEÇOTE: costumo usar uma junta mais fina, como a da Yamaha MX 180, que ainda existe no Mercado, se bem que por aqui está difícil encontrar. Pode-se ainda optar pelo rebaixamento do cabeçote em no máximo 1mm, ou fazer a junta com o alumínio que lacra as latas de certos alimentos em pó.



3.4 - BOMBA DE AUTOLUBE: Dispense este equipamento, retirando-o inclusive, o que deixará o virabrequim mais leve, com pequeno aumento de potência. Misture o óleo diretamente no tanque. Retire também o reservatório de óleo 2t.



4 – ESCAPAMENTO:

4.1 - SISTEMA DE EXAUSTÃO: É o grande fator em um motor 2T. Troque o escape original para o do tipo da Yamaha MX 180, que ainda existe no mercado, cuja curva de saída é maior. Perde-se pouco em torque e ganha-se muito em alta. O silencioso original deve ser trocado por uma "ponteira" de alumínio, que libera melhor os gases. SEMPRE MANTENHA A LÃ DE VIDRO EM CONDIÇÕES, SUBSTITUINDO-A QUANDO A PONTEIRA COMEÇAR A FICAR BARULHENTA.

5 - FILTRO DE AR: A caixa de ar original da DT 180 é muito pequena, devendo ser substituída por outra. Eu costumo fabricar uma utilizando um cano de PVC de 100mm, com entradas por cima, uma de cada lado do amortecedor traseiro, fechando as laterais com as respectivas tampas cegas daquele cano e utilizando espuma adquirida em lojas de cortinas.

Para a espuma ficar "em pé", use telas metálicas para sustentação, uma de cada lado. Para posicionar as telas e a espuma, faça canaletas e fixe-as no cano por meio de rebites.

Faça dois furos na parte superior, mais para a parte de trás, para fixar os canos de 40mm, que serão as entradas de ar. Esses canos podem ir até próximo ao banco, o que lhe permite, num fora-de-estrada, atravessar riachos sem que entre água no filtro.

Use também cano de 40mm para fazer a saída para o coletor de admissão, usando o coletor original.

Para fechar as laterais do filtro, utilizando as tampas cegas de 100mm, passe no filtro uma rosca que é comprada em metro e fixe através de borboletas.

Para fixar o novo filtro na moto, utilize barras metálicas (chapas finas), fixando no lado direito onde é fixado o reservatório de óleo 2t (que deve ser retirado). No lado esquerdo, fixe no local onde é fixado o filtro de ar original. Fure o cano de PVC para fixar as chapas, utilizando rebites e utilize cola de silicone para uma perfeita vedação.

IMPORTANTE: mantenha sempre limpo o filtro de ar e a espuma, trocando-a a cada bateria, para melhor entrada de ar e durabilidade do motor. Umedeça a espuma filtrante com óleo 2t ou, preferencialmente óleo específico para filtros, sem exageros.



Com essas modificações, sua DT 180 ficará irreconhecível, com grande aumento de potência e ainda uma boa durabilidade do motor (vai faltar suspensão para as novas características do motor). Pode-se fazer apenas algumas das modificações, como o filtro e escape, que já melhorarão muito sua moto.

Aconselho o uso de gasolina de aviação, ou pelo menos gasolina aditivada, caso sejam feitas as alterações no cilindro/cabeçote/pistão. Ainda, procure encontrar o carburador da Yamaha MX 180. Não será difícil fazer o acerto correto da carburação. Cuide principalmente da falta de combustível, que causa a batida de saia do pistão (a famosa "grilada", que danifica o mesmo, podendo até furá-lo).

CONSELHOS FINAIS:

1)Não encare uma corrida antes de acertar bem a carburação!

2. Também não se esqueça da utilização correta dos pneus, em relação a pista. Existe um tipo de pneu para cada tipo de solo. A correta utilização dos pneus, lhe trará melhor resultados.

3. Convém ainda, fazer um chek-up nas engrenagens de câmbio, que serão BEM mais solicitadas devido ao aumento de potência.

4. PILOTE SEMPRE COM EQUIPAMENTO COMPLETO E EM PERFEITO ESTADO!

5. NUNCA PILOTE SOZINHO, TENHA SEMPRE A COMPANHIA DE ALGUÉM.






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