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Entrevista com Corey (set. 2006)

por murderdollsmylive em 23/09/06 - 16h:50m

O PLANO QUE DEU CERTO:
STONE SOUR!!!!!

O vocalista Corey Taylor é certamente um dos sujeitos mais ocupados do mundo da música,já que faz parte das duas das maiores bandas do momento.Ele se divide entre os mascarados do Slipknot e o mais variado,mas não menos intenso,Stone Sour.E depois de passar dois anos na estrada com o Slipknot,Corey esta de volta com Come What (Ever) May,o mais novo disco do Stone Sour.

Rock Brigade:Você fez uma longa tour apos o lançamento do último disco do Slipknot e,quando todo mundo pensava que ia dar um tempo,você surge com mais um disco do Stone Sour.

Corey Taylor:"Eu tive um ou dois messes para descansar e começei a ensaiar com o pessoal do Stone Sour.Foram umas férias típicas de Corey Taylor(risos)!Muitas das musicas que começamos a tocar já tinham sido escritas a três anos,enquanto outras eu compus durante a útima turne com o Slipknot.Nós juntamos esse material e vimos que já tinhamos trinta músicas.Começamos a ouvir elas e selecionemos aquelas que realmente nos diziam algo,totalizando dezoito.Gravamos dezeseis e gostamos muito do que ouvimos,é um material bem variado.Muitas bandas preferem ser categorizadas,mas nós optamos por ficar no meio do caminho e fazer nossa própria musica.E,no fim das contas,esse disco é até mais melódico que o primeiro."

RB:Eu acho o primeiro (Stone Sour,de 2002)bem variado tambem.A gente ouve faixas como Get Inside e Bother e fica imaginando de que foram feitas por bandas diferentes.

Corey:"Totalmente diferentes,certo (risos)?Bother,por exemplo foi feita por mim,e depois os outros caras completaram.E foi isso que fez dela uma faixa tão diferente."

RB:E no novo disco,todo mundo participou?

Corey:"Sem dúvida!No outro disco,Josh Rand e eu cuidamos de praticamenete tudo.Desta vez,tanto ele e eu como o James e Shawn Economaki escrevemos alguma coisa e eu acho que foi isso que tornou o novo album mais forte que o primeiro.Há um sentimento de liberdade nele,uma sensação de que as expectativas do público serão superadas.Todo mundo se envolveu nesse novo trabalho e isso gerou essa diversidade.De certa forma,o disco é sombrio,por outro lado,é mais aberto que o anterior."

RB:Você parece estar usando muito mais vozes limpas em Come What (Ever) May.

Corey:"Tem muito pouco de gritaria no novo disco.As partes mais pesadas só aparecem em duas ou três musicas,apenas para enfatizar certas passagens.Esse é o tipo de vocal que eu fazia no começo da minha carreira.Aliás,esse disco tem o tipo de som que eu fazia antes de entrar no Slipknot.Ele realmente serve para abrir a cabeça das pessoas e funciona bem,com refrões fortes e solos cortantes de guitarra."

RB:O que você pensa dos fãs do Slipknot que não gostam do Stone Sour ou simplismente não entendem o que você esta tentando fazer?

Corey:"Muita gente esquece que você pode transmitir emoção sem ter nessesáriamente que berrar e eu considero minha misão lembrar as pessoas disso.Há pesoas que pensam que você só consegue transmitir emoção se gritar ate estourar os miolos e isso não é verdade.É como Garden,do Pearl Jam,ou Toys in the Attic,do Aerosmith.As duas tem muita emoção.Há toda uma gama de sentimentos nos vocais melódicos que parece assustar as pessoas.Eu cansei de ter medo,se algum dia tive algum receio em relação à minha atuação enquanto músico,esse dia aconteceu a muito tempo."

RB:Pois é,e parece que não teria sentido você fazer do Stone Sour um Slipknot versão 2.

Corey:"Exatamente!Foi justamente por querer algo diferente que eu montei outra banda.Há muita coisa que eu posso fazer no Slipknot,mas não posso no Stone Sour e vice-versa.Jamais poderei fazer uma musica como SIC ou Iowa no Stone Sour,não ia funcionar.Poder pegar vários estilos de musica e apartir daí fazer meu próprio trabalho é simplismente perfeito."

RB:Falando sobre a produção,por que vocês escolheram trabalhar com Nick Raskulinecz?

Corey:"Inicialmente,faríamos com o Dave Fortman,que foi o primeiro com quem fizemos contato e nos pareceu ser um cara muito legal.Mas aí ele teve que ir fazer o disco do Evanescence e,infelismente,não pôde trabalhar com a gente.Então ligamos para o Nick,que estava pronto para viajar até nós no momento em que desligou o telefone.No fim das contas,ele se mostrou um dos caras mais legais que já conheci em minha vida.Ele simplismente ama a musica!Ele adora o que faz e adorou a nossa musica tambem.Fizemos a pré-produção e fomos pra gravação.Eu não fiquei muito preocupado por que estava acompanhando todo o processo.Pudemos conversar bastante,trocar muitas idéias,e isso resultou num som que eu nunca tinha ouvido antes.Se você tem uma banda do estilo do Stone Sour e prescisa de um produtor que entenda desse tipo de som,Nick é o cara."

RB:Bem diferente de trabalhar com o Rick Rubin,não?

Corey:"Ah,muito(risos)!Além do que,eu via o Nick todo dia,já o Rick não era sempre que eu via."

RB:Foi durante a gravação do disco que o batera Joel Ekman saiu da banda?

Corey:"Ele chegou a entrar em estúdio conosco,mas logo em seguida resolvemos cada um ir para o seu lado."

RB:E então Roy Mayorga entrou.

Corey:"Eu conheço o Roy há muito tempo,desde a época em que ele tocava no Soulfly.Depois que Joel saiu,nós começamos a conversar a respeito a respeito no estúdio e Nick sugeriu o nome dele.Eu não tinha pensado nisso até então,mas achei perfeito!Ele chegou e resolveu a parada em cinco dias!É inacreditável vê-lo tocando por nove ou dez horas seguidas com a mesma pegada.E é impressionante o quanto ele gosta do que faz.Ele nasceu para tocar bateria e tem muita criatividade,ele aumentou o nível de intensidade do disco."

RB:Jamey Jasta(vocalista do Hatebreed) não ia participar de uma música com você?

Corey:"Nós chegamos a conversar a respeito,mas,quando fizemos as primeiras demos,vimos que essa musica não ia ficar legal com ele.Fiquei muito chateado por que adoro o Jamey,mas não havia nada no disco que conbinasse com o estilo dele.Mas se um dia resolvemos escrever uma musica que tenha a ver com ele,eu vou adorar tê-lo num albun nosso."

RB:Claro,há sempre um terceiro disco...

Corey:"Sem dúvida nenhuma(risos)."

RB:O primeiro disco entrou timidamente nas paradas,mas,de repente,começou a subir e não parou mais.Isso surpreendeu você?

Corey:"Totalmente!Claro que eu esperava que ele fosse muito bem,mas acabou superando as espectativas.E eu pensando:'Casete,onde isso vai parar?'.Aconteceu a mesma coisa com o Slipknot.Eu me senti num redemoinho!Disco de Platina duplo?O quê???.Aí vem o Stone Sour e é disco de ouro.E eu:'Porra(risos)!Será que estou pirando?'.Ele ainda vende muito e nós nem tivemos que fazer muitos shows para divulgá-lo,tocamos duas vezes nos EUA e duas na Europa,nada mais.Agora,queremos cair na estrada de novo e,assim que der,pretendemos ir à América do Sul."

RB:Depois do sucesso do Stone Sour,você sentiu alguma animosidade dos outros membros do Slipknot quando se reuniram para fazer o vol.3:The subliminal verses?

Corey:"Naquela época,nós não estávamos nos falando muito.Entre todos eles eu,eu era mais próximo do James.Fiquei uns dois anos sem me encontrar com o Clown e,quando nos cruzávamos,não falavamos muito.Foi estranho cara.Eu estava muito depremido com o que estava acontesendo com o Slipknot.A mídia acabou nos enquadrando em todos os clichês possiveis e o clima não estava dos melhores.Quando voltamos a nos reunir,o Stone Sour estava sendo muito falado e eu disse para eles:'Olha,eu não estou fazendo nada que vocês tambem já não tenham feito.Joey tem o Murderdolls,Clown toca com o To my surprise e Sid faz muitos trabalhos solos por aí.E eu não ligo nem um poco pra isso,estou aqui pela música,não quero me acomodar jamais'.E é por isso que o Stone Sour foi perfeito pra mim.Eu conheço esses caras há muitos anos e aquela era uma excelente oportunidade de lançar a banda.Um dos motivos que fez o último disco funcionar tão bem é que nós estavamos topando tocar em qualquer lugar,mostrando para as pessoas aquilo que acreditamos.Tocamos para 85 pessoas e para 85 mil pessoas, sem deixar que esses números nos afetassem em nada."

RB:Mas é assim que tem que ser.

Corey:"Exatamente."

RB:Pelo que dá para concluir,com toda essa atividade do Stone Sour,imagino que o novo disco do slipknot deve demorar um pouco ainda.

Corey:"Provavelmente.Nós não temos nos falado muito desde que acabou a turnê.Depois de ficar dois anos em turnê,quando ela acaba você só quer saber de dar um tempo de todo mundo.Mas o clima esta muito bom.Os caras do Slipknot são muito legais e está bem claro para todo mundo que não dá para consentrar toda sua energia em uma coisa.E isso que faz o Sotne Sour ser tão importante pra mim.


Entrevista tirada da revista Rock Brigade edição de setembro de 2006.