28/07/07 - 18h:27mDenunciar

SER BRUXA...

εїз εїз









Que eu seja como algo que tece o pano na floresta,



profundamente escondida.



Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.



Que eu seja uma exilada, se é este o sacrifício.



Que eu conheça a procissão sazonada



do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os quartos em cruz,



solstícios e equinócios.



Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima,



nas árvores desenhadas no céu luminoso.



Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.



Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma,



para viver em abundância.



Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.



Que sejamos inocentes e despretensiosos.



Que eu seja capaz de gratidão.



Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno.



Que eu saiba isso como o meu cão, nos ossos e no sangue.



Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor,



em canções que soem como aroma do alecrim,



como todo dia e na antigüidade, erva forte de cozinha.



Que eu não me incline à auto-integridade e à autopiedade.



Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da



terra e dos círculos de pedra,



como raposa ou mariposa, e não perturbar o lugar mais que isso.



Que meu olhar seja direto e minha mão firme.



Que minha porta se abra àqueles que



habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio.



Que os que jamais andaram descalços não



encontrem o caminho que chega à minha porta.



Que se percam na jornada labiríntica. Que eles voltem.



Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e



veja as achas brilhando para o que vier,



e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar,



sem que me peçam.



Que eu possa ter um simples banco de madeira,



com verdadeiro regozijo.



Que o lugar onde habito seja como uma floresta.



Que haja caminhos e veredas para as cavernas



e poços e árvores e flores, animais e pássaros,



todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.



Que minha existência mude o mundo não mais



nem menos do que o soprar do vento,



ou o orgulhoso crescer das árvores.



Por isso, eu jogo fora minha roupa.



Que eu possa conservar a fé, sempre.



Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.



Que eu saiba que não tenho opção,



e assim mesmo escolha como a cantiga é feita,



em alegria e com amor.



Que eu faça a mesma escolha todos os dias, e de novo.



Quando falhar, que eu me conceda o perdão.



Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo.







εїз εїз









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