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Cap 29.

por myownsweetplace em 25/08/07 - 00h:16m

Os dias passaram rápido - talvez pelo fato de ser final de ano - o que fez com que o Dia de Ação das Graças não tardasse a chegar.
- Ike! Vc quer tirar esse seu celular da orelha, por um segundo? Vai acabar quebrando de tanto que vc liga! - Zac fala, vendo a décima terceira fracassada tentativa de seu irmão tentar encontrar Mary.
Durante a semana, ele tentara ligar para ela, mas ninguém atendia. Com o término das aulas, ele nem podia encontrá-la mais na faculdade, mesmo que de surpresa. Isso talvez não tivesse sido o mais difícil nos últimos dias. O pior era ter de encarar Mandy todos os dias. Ela tinha lhe feito o favor de lhe entregar o celular na empresa, o que facilitou as coisas por um lado, mas por outro, ela não estava gostando nada do modo frio como ele vinha a tratando durante esse tempo. Ike a evitava o quanto pudesse. Não sabia se ainda estava tentando perdoá-la ou perdoar a si mesmo, pelo ocorrido. Tyson já tinha notado uma certa tensão no ar, arriscou perguntar como tinha sido o final de semana dos dois, mas por não obter respostas muito empolgadas, ele se calou para não piorar a situação.
- Vc não quer tentar? - ele suplica para Mi, pela segunda vez.
- Ike, não adianta mais eu ligar! Ela sabe que é por vc! - ela fala, com pena - ao menos, ela disse que pensaria no assunto.
- Por que vc não vai até a casa dela de uma vez? - Zac fala, também pela décima vez.
- E ficar lá, esperando ela atender até quando, Zac? - Chad pergunta - fora a possibilidade dos pais dela atenderem! Tenho certeza que o Ike sairia correndo! - ele ri.
- C´mon, vcs dois! - Mi lhes lança um olhar de censura. Eles estavam tomando café da manhã, empolgados com o feriado. Os irmãos voltariam para Tulsa (por ser uma data que Diana não perdoaria se eles faltassem), Chad iria para a casa de seus pais, mesmo que contra sua própria vontade.
- Vc vai realmente me deixar na mão? - ele pergunta a Mi, tomando seu café, um tanto quanto desapontado - eu aceitei ir lá, porque tinha quase certeza de que vc iria comigo!
- Não tenho culpa se vc confirma as coisas, tendo só "quase certeza" ! - ela ri
- Vc não entende? Agora ela é uma garota séria, e precisa passar essas datas com o namorado! - Zac debocha
- Quem disse que ele é meu namorado?
- E não é? Vc já conhece os pais dele e ainda por cima, já vai a jantares importantes!
- Isso não quer dizer nada! A Marion é sua namorada, ela nem conhece os seus pais e nem vai a jantares importantes! - ela ri - acho que as coisas estão meio invertidas hoje em dia
- Muito engraçado! - Zac fala
- Além do mais Chad, por que raios eu iria jantar com vc na casa dos seus pais? O que eles iriam pensar?
- Não tem nada de errado nisso! Não seria a primeira vez! - ele responde
- E o seu pai o que pensaria? Afinal, para ele, eu estou casada e com um filho! - ela olha para Ezra - tenho certeza que este detalhe, ele não esqueceu...
Chad não fala nada, pois sabia que era verdade.
- E por falar nisso, cade o meu "marido"? - ela se levanta e vai atrás de Taylor no seu quarto.
- Seu marido? - ele pergunta, escutando só o final da frase - vc ainda está com este desejo reprimido? - ele ri
- Por um momento, pensei que o Taylor convencido nunca mais apareceria! - ela ri - estava enganada!
- Eu nem falei nada! - ele se defende, rindo.
- Nem precisa, Tay.... nem precisa! Esse seu olhar te denuncia! - ela fala, se arrumando um pouco no espelho.
- O seu também! Pelo jeito, vc não dormiu quase nada.... - ele se refere as olheras nada discretas dela.
- Pois é! - ela responde, sem graça. Tinha saído com Gregory na noite passada e nem sabia a que horas tinha voltado - mas um passarinho verde me contou que vc andou compondo... é verdade?
- Passarinho verde chamado Zac? Por que se for, ele está mais para galinha da Angola do que passarinho!
Ela ri - não, não foi ele... mas vou me lembrar disso da próxima vez!
- Eu estava tentando continuar o que tinha no caderno, mas sem sucesso...
- Continue tentando! Já é um primeiro passo, que é ótimo! - ela fala, se empolgando - vc deveria pedir para os seus irmãos mostrarem o que eles já fizeram, tem coisas bastante interessantes...
- Acho que se eles quisessem, já teriam mostrado, não?
- Talvez não! - ela afirma - tem tantas coisas acontecendo que talvez não seja o melhor momento... mas não desista!
- Taylor vai logo, porque ainda temos que passar no mercado! - Zac grita da cozinha, interrompendo a conversa.
- Já estou indo!Apressado! - ele responde, verificando as coisas de Ezra, mais uma vez - vc não vai mesmo?
- Não... - ela responde - tenho que seguir minha tradição... - ela sorri, se referindo ao seu costume de jantar a cada Ação de Graças num local diferente, o que já era conhecido por todos e que nunca fez com que faltasse convites para ela.
- E quando vc vai voltar a jantar na casa daqueles que vc já foi? - ele pergunta, curioso.
- Quando eu não tiver mais novas propostas! Como o Gregory me chamou este ano, tive que ir! - ela responde - apesar de que está começando a me faltar opções...
- Bom, e se eu já te chamar para o jantar do ano que vem?
- Já? - ela fala, surpresa - mas quem tem que me convidar é a sua mãe!
- Acho que ela não vai se importar! E então?
- E se eu tiver outra proposta?
- Vc quer dizer, outro namorado? - ele ri
- Claro que não! - ela responde, quase o batendo, mas ainda não tinha esse pequeno costume com ele. - eu espero que não! - ela fala a si mesma - mas pode surgir um convite novo.
- Por isso já estou tentando garantir o meu! - ele fala - e vc não estará quebrando a tradição, sendo que faz uns cinco anos que vc não vai para Tulsa neste feriado!
- É, eu sei... - ela fala, pensativa.
- Estou esperando....
Ela respira fundo - tá bom, Tay! Eu vou! - ela fala, convencida. Mesmo que ele não a chamasse, sabia que provavelmente isso era o que aconteceria.
- Promete? - ele ri, por falar isso.
Ela faz todo o ritual da "promessa de todos os dedos" novamente e por fim, fala:
- Eu prometo!
- Boa garota! - ele passa a mão na cabeça dela, como se fosse num filhote de cachorro e logo, vai para a cozinha, prestes a ouvir outro grito de Zac.
Mi fica no quarto por uns minutos. A idéia de jantar na casa de Gregory estava a inquietando. Será que era certo? Pelo menos, ela já conhecia seu pai e irmã o que deixava tudo mais fácil, mas o problema era que agora eles a veriam com outros olhos. E quanto a Delia? Continuaria com seus olhares de avaliação? Mi apenas tentou se acalmar e ir aproveitar a companhia dos outros por mais um tempo.
Alguns minutos depois, a campainha toca e Mi vai atender. Ao abrir a porta, ela se surpreende ao ver Dereck lá. Ele nunca mais tinha aparecido ou tentado contato desde o primeiro dia de aula na Sra Herbs.
- Feliz Dia de ação de graças! - ele fala
- Obrigada e para vc também! - ela responde, sorrindo - o que te traz por aqui?
- Bom, tenho uma surpresa para vc! - ele fala, sem delongas
- Surpresa? Qual?
- Acho que se eu te contasse, deixaria de ser surpresa, não é? - ele ri - prefiro te mostrar... - Dereck lhe coloca um embrulho em suas mãos.
- É um presente?
- Sim, mas abra-o que vc entenderá...
Ela desfaz todo o embrulho, que lhe revela um livro, um tanto quanto familiar.
- Harry Potter e a Pedra Filosofal? - ela lê a capa - bom, obrigada Dereck... mas eu já...
- Não é para vc! É meu! - ele ri e o toma de volta
- E por que vc me deu para abrir? Vc pensou que fosse alguma bomba ou algo do tipo e me usou como cobaia?
- Claro que não! Eu pensei que vc adivinharia...
- Adivinhar o que?
- Bom, por acaso, este livro te lembra alguém?
- Hum... - Mi pensa, curiosa - não conheço muita gente que goste deste livro... ah sim! A Lucy? - ela se recorda da ex-aluna de Dereck que mais gostava de ser chamada de Hermione.
- Quem vc acha que me deu este livro? - ele pergunta.
Mi nem teve tempo de responder nada, porque viu uma garotinha de cabelos loiros, sair detrás da porta de Dereck e se aproximar, empolgada.
- Pensei que vc seria mais rápida! - ela fala.
- Me desculpe! Eu acordei faz pouco tempo... - Mi se encurva um pouco para abraçá-la - Feliz dia de ação de graças!
- Para vc também! - ela fala com a voz alegre.
- Como vc veio parar aqui? Vc veio sozinha?
- A mãe dela quem a trouxe - Dereck responde - ela está lá conversando com a Alya - ele aponta para a porta de seu apartamento.
- Eu estive procurando o professor desde que ele saiu da escola, mas finalmente consegui!
- Vc é uma garota esperta! - Mi completa, fazendo a garota sorrir ainda mais - pelo menos o Dereck poderá ler o livro agora.
- E ele deixará de ser "trouxa"! - Lucy fala, como se estivesse fazendo um bem para toda a humanidade
- Em qual casa vc acha que ele se daria bem? - Mi pergunta, com um olhar sapeca
- Não sei, talvez na Corvinal porque ele é inteligente... mas pode ser na Grifinória também! Ou na Lufa-lufa... - Lucy responde, o analisando.
- Vcs podem parar? - Dereck as interrompe - eu vou ler o livro! Quando eu finalmente entender do que vcs estão falando, podemos voltar a conversar sobre isso novamente, ok?
- "Trouxas"... - Lucy revira os olhos - bom, eu te trouxe uma coisa... - ela entrega um pacote leve, mas fofo para Mi.
- Obrigada! - Mi lhe abraça novamente e lhe dá um beijo no rosto - não precisava!
- Acho que vc vai gostar...
Após abrir o pacote, Mi fica sem palavras. Era um cachecol listrado de laranja e vermelho.
- O cachecol da Grifinória! Que lindo, muito obrigada!
- Até cachecóis mágicos eles tem? - Dereck pergunta, não entendendo.
- Não! É só um cachecol mesmo, mas eu adorei! - Mi fala, sorridente.
- O que está acontecendo aqui? - Zac aparece atrás de Mi.
- Olha o que eu ganhei! - ela lhe exibe o cachecol, como uma garota de seis anos de idade com seu brinquedo novo.
- Que bonito! - ele fala, meio indiferente - olá Dereck!
- Olá Zac. Essa daqui era uma das minhas alunas. Seu nome é Lucy... Hermione Granger. - ele completa rápido, antes que ela falasse alguma coisa
- Muito prazer! - Zac fala, se agachando - eu sou o Zac! - ele lhe estende a mão, que é apertada sem demora.
- Prazer! - ela responde - vc é o namorado dela?
- Não Lucy! - Mi ri - ele é só meu amigo!
- Melhor amigo! - Zac complementa - aliás, vcs não querem entrar? A Mi é meio desleixada mesmo as vezes e gosta de conversar com as pessoas na porta... - ele abre a porta, apontando a sala.
- Podemos? - Lucy olha para Dereck, aguardando uma resposta
- Claro... mas acho melhor vc ir, eu vou avisar a sua mãe... - ele fala e volta para o seu apartamento.
Ao fechar a porta, Mi fica ainda pensativa em relação a Dereck. Ele parecia evitar a qualquer custo entrar em seu apartamento.
- Fique a vontade! - Zac fala a Lucy
Logo, Chad, Ike, Taylor e Ezra aparecem curiosos, por terem escutado voizes. Lucy não consegue evitar e fica meio impressionada.
- Lucy estes são meus outros amigos! - Mi os apresenta e escuta todos os "muito prazer" em resposta de ambos os lados.
- Vcs moram todos juntos? - ela pergunta
- Só o Isaac - Mi aponta para ele - que não mora aqui, mas os outros sim.
- Nossa! E vc é a unica menina?
- Infelizmente... - Mi sorri
- Coitada de vc! Eu não conseguiria viver com um monte de meninos! - ela fala com repugnância - deve ser horrível! Por que vc não se muda?
- Não somos tão ruim assim... - Chad responde, se sentando próximo a elas.
- E é ela quem manda aqui dentro - Zac explica - a gente faz tudo o que ela quer!
- Isso é mentira! - Mi se apressa a falar - mas eles não são tão ruim assim... só de vez em quando...
- Então! Por que vc não se muda? - ela insiste
- Porque ela não consegue viver sem estes meninos! - Zac aponta para eles e para si - e este também!
- Consegue sim! - Lucy afirma - meninos são todos uns tolos!
- Quantos anos vc disse mesmo que ela tem? - Ike pergunta, se interessando pela conversa e se esquecendo um pouco de Mary.
- Eu não disse, mas ela tem oito... - Mi fala
- Lucy, nós não somos mais meninos, nós somos Homens! - Ike tenta entrar no jogo
- É tudo a mesma coisa! São todos iguais!!! Nem sei porque existem meninos... ou Homens! - ela fala, num tom nervoso, sabendo que estava os ofendendo.
- Meu Deus! Daqui a pouco, ela vai querer queimar sutiãs! - Chad ri
- Mas e o Dereck? Ele é um homem também e vc gosta dele... - Mi tenta aliviar a tensão.
- Eu sei, mas ele é um tolo por ter deixado a escola e os alunos dele! - ela responde e todos os outros riem.
- Taylor, tire o Ezra daqui, porque ela vai querer matá-lo antes que ele vire homem.... - Zac ri - mas e o tal do Harry Potter, ele também é um menino! E vc gosta muito dele, que eu sei!
- Mas ele não existe de verdade! É só no livro!!! - ela responde, óbvia. Fazendo Zac parecer a pessoa mais tonta com quem ela tinha conversado na vida
- Tome! Essa doeu! - Chad debocha.
- Algum menino já fez algo ruim para vc? - Taylor pergunta calmo, para a garota, que o encarou como se só tivesse percebido sua presença naquele momento
- Eles só fazem coisa ruim! Todos os meninos da escola são maus! Eles inventam apelidos para mim e para outras meninas. Ficam puxando nossos cabelos e mochilas. Escondem nossas coisas. Querem roubar nossos doces. E tem aquele bobo do Mike que acha que sabe de tudo, mas ele nem sabe de nada! Fica falando que o Harry vai morrer no final e que é bem-feito para ele! E só porque ele tem todos os video-games fica se "isibindo" para todo mundo, falando que jogou isso e aquilo! Tem também o Jake que...
- Nós já entendemos! - Zac a interrompe - esses caras são muito ruins mesmo!
- Mas quando eles crescerem, eles não serão mais assim...- Ike faça
- Ou não! - Mi ri
- C´mon! Vc podia mostrar algum apoio aqui! - Chad a reprova
- Por que? É só uma fase! - Mi ri - essa raiva vai passar...
- Eu não quero que passe! Porque quando eu crescer mais e ficar grande, eu vou bater neles! Aí, eles vão ver só! - Lucy fala com uma certa glória, já se imaginando batendo em todos eles.
- Se ela virar lésbica, vai ser sua culpa! - Zac fala, rindo - e vc não tinha toda essa aversão a meninos!
- É porque vc não era tão idiota quanto os outros! - Mi responde, o encarando por um bom tempo.
- Mas vc gostava do Doug! - Zac fala
- Tá brincando? - Mi o encara - eu só aguentava ele, porque ele era o seu amigo! E ele fazia a mesma coisa comigo! Vc não sabe quantas vezes a gente quase saiu na porrada, quando vc não estava por perto! - ela revela.
- O que? - Zac fica incrédulo - eu pensei que vcs gostassem um do outro
- Só se fosse a 100 Km de distância! - Mi ri
- E por que vc nunca me falou isso?
- Porque eu não queria que vc brigasse com o seu amigo, por causa de mim!
- Como se eu nunca tivesse feito isso... - Zac fala, sarcástico - que bom que vc me poupou um, pelo menos...
- Eu não fiz vc brigar com eles! Vc fez, porque quis! - ela responde, indignada
- E os fantasmas do passado voltam para assombrar... - Chad ri
- Claro! Se eu não te protegesse, estaria com remorso até hoje!
- Vc, ME proteger?! Só se for da chuva! - ela fala, aparentemente brava
- Crianças, por favor! - Ike intervêm - isso não é hora de ficar brigando!
- Não disse que os meninos são tolos? - Lucy confirma feliz, sua teoria
- Concordo plenamente com vc! - Mi fala, a encarando - são uns tolos mesmo! TODOS eles! - ela cruza os braços
- Também acho! Fui um idiota mesmo por pensar que vc estaria grata por tudo o que eu fiz por vc! Mas não, imagina! Além de me afastar dos meus amigos, ainda se faz de santa! - Zac se levanta, aparentemente indignado
- Estou falando a verdade! Seu gordo idiota! - ela fala, agressiva - eu não pedi para vc ficar longe daqueles seus amigos bestas!
- Não pediu! Mas eu pensei que vc fosse mais minha amiga do que eles! Mas estava enganado, sua "palito seco"!Anoréxica!Débil mental! - ele fala.
Os outros tiveram que se conter para não rir, mas pela reação dos dois, aquilo estava longe de ser engraçado.
- Vcs dois! O que é isso? Jogando uma amizade tão linda fora? - Chad fala
- Estou sim! A partir de hoje! - Mi fala, nervosa - não quero mais saber desse "presunto inflamado"!
- E nem eu de vc, sua "enciclopédia ambulante"! - ele fala, encarando-a , sem ao menos, piscar.
Mi ao ouvir isso, se mostrou bem mais ofendida do que antes.
- Esse era o apelido que alguns garotos deram para ela na escola... - Ike fala baixo a Chad, explicando.
- E quer saber mais? Acho que vou me mudar daqui sim!! - ela fala, indo para o quarto
- Ótimo! Não quero mais ver essa sua cara de "nacho estragado" mesmo! - ele fala, indo atrás dela e fechando a porta do quarto com tudo.
- Vc acha que deveriamos fazer alguma coisa? - Chad pergunta, começando a se preocupar. Os gritos ainda eram escutados, mesmo com a porta fechada.
- Eu pensei que eles estavam brincando... - Taylor fala
- Eu também! - Ike responde, sério - mas eles não brigariam por isso, brigariam? - ele questiona.
- Não, mas... não sei. De repente, eles já estavam chateados por alguma outra coisa que pode ter acontecido antes... - Chad tenta achar uma explicação
- Dúvido! Nós estariamos sabendo se fosse... - Ike fala
- É sempre assim? - Lucy fala alguma coisa, ainda assustada com o que tinha visto
- Não! Eles sempre foram os melhores amigos... - Chad explica - é que as vezes, eles se desentendem... mas logo, logo, eles vão fazer as pazes...
Os gritos continuavam. Um ofendendo o outro da forma mais infantil possivel e relembrando coisas que fizeram no passado. Coisas que antes era motivo de recordações saudosas, agora eram jogadas na cara do outro violentamente.
- Isso não está legal... - Taylor fala, preocupado.
- Não acredito nisso...
- Olha! Eles pararam! - Chad fala. Estava silencioso - será que eles se mataram?
Ike dá um empurrão no braço de Chad por isso. Lucy os encarava ainda assustada. Ninguém mais falou nada, apenas os esperou sair, mas nenhum sinal de vida aparecia do quarto.
- Isso só pode ser brincadeira! - Ike vai até a porta e bate - vcs estão aí? Vcs estão bem?
Ninguém respondia
- Eu estou falando sério! - ele continua batendo - vcs podem responder, por favor?
A porta é aberta. Os dois saem do quarto, com o rosto bastante abatidos e Mi com os olhos bastante vermelhos com algumas lágrimas. Ike se choca ao vê-los. Então, a briga era verdadeira. Ao chegarem na sala, os dois apenas se aproximam de Lucy, sem ligar para os outros.
- Desculpa a gente, Lucy... não queriamos que vc visse essa briga... - Mi fala
- É verdade... - Zac completa
- Vamos conversar lá fora... - Mi abre a porta da sala, fazendo com que Lucy saísse, seguido de Zac. Logo em seguida, a porta é fechada. Ike, Tay e Chad se entreolhavam não entendendo absolutamente nada. Minutos depois, os dois retornam, ainda com os rostos abatidos.
- Vcs realmente brigaram? - Chad pergunta
- Não, estávamos só encenando!O que vc acha? - Zac fala, sério
- Que vcs estavam encenando... - ele responde
- E vcs estavam certos! - Mi fala e começa a cair na gargalhada, junto de Zac que também não aguenta
- Como vcs são bestas! - Ike fala, um pouco aliviado.
- Desconfiei desde o princípio... - Chad ri
- Vcs tinham que ver a cara de vcs quando a gente saiu do quarto! - Mi fala, ao meio de risadas - estavam quase chorando também!!!
- O Taylor então! Nem se fala! - Zac ri.
- Pior é que eu acreditei mesmo... - ele confessa
- Até eu estava acreditando! Isso porque já vi muita coisa desses dois! - Ike fala, inconformado - mas até que foi boa a encenação... vcs merecem o Oscar!
- Obrigada! - Mi sorri, tentando recuperar o fôlego.
- Mas vc estava chorando quando saiu, eu vi! - Chad fala
- Eu chorei de tanto dar risada no quarto! Pensei que não aguentaria passar por vcs, mas até que deu certo... - ela explica
- E quanto a menina? Ela sim estava bastante assustada...
- Nós explicamos para ela e no fim, ela acabou rindo conosco...
- Ela viu o quanto uma briga entre um menino e uma menina é ruim... - Mi fala - e que ela não desejaria isso para o mundo...
- Ela deve estar repensando os seus conceitos... - Zac fala, orgulhoso.
- Isso tudo foi para dar uma lição a ela? - Taylor pergunta
- Claro que não! Era para dar uma lição em vcs mesmo! - Mi ri
- É para vcs aprenderem que o que Diana Hanson e Isabelle Andrews juntou, ninguém separa! - Zac fala, abraçando-a, pelo ombro.
- E também, eu queria rir um pouco...
- E desde quando vcs combinaram isso? A discussão começou do nada... - Ike fala
- Nós nem precisamos combinar nada! Pelo jeito que ela me olhava, eu sabia que ela estava de brincadeira... - Zac explica
- Tudo que falamos era brincadeira... - Mi ri
- É, pode-se dizer que sim... - Zac fala e Mi o encara, batendo-o no braço logo em seguida.

" O jantar estava servido. A longa e farta mesa estava preenchida por pessoas por toda sua extensão, de modo que eles tivessem que se apertar um pouco na hora de se servirem. Duas famílias se reuniam, mais uma vez para aquele feriado tão especial.
- Vcs dois, venham jantar por favor? - Diana repete a bronca, pela terceira vez.
- Já vamos, mãe! - Zac responde da sala de estar. Ele estava com Mi, planejando suas atividades para o Natal. Quando perceberam que Diana já tinha se cansado e estava se aproximando, eles sairam correndo, sentando-se rapidamente a mesa.
- Esses dois precisam de um castigo... - Richard comenta, se servindo - não estão mais escutando
- Pai, a gente estava fazendo coisas importantes! - Mi exclama
- O que pode ser importante para uma garota de nove anos? - Isabelle lhe pergunta, curiosa
- O Natal! - ela responde
- Aqui está! - Walker aparece, colocando uma bandeja enorme, suportando um peru, no centro da mesa - agora podemos comer!
Todos começaram a se servirem e a comerem contentes.
- Está delicioso! Vcs duas fizeram um excelente trabalho! - Beatriz, mãe de Walker, fala a sua nora e a Isabelle.
- Aposto que a sua torta também deve estar boa, vó! - Ike fala, sorrindo.
- Calma que ainda comeremos as sobremesas, Ike! - Diana lhe fala, percebendo a empolgação do filho.
- Mas quando veremos vcs tocando de novo? - sua avó lhe pergunta - ou vcs já estão tão famosos que não querem mais tocar em festivais?
- Tá brincando, vó? O pai ainda está acertando o próximo... - Ike explica
- Ainda não está nada decidido, mas eu avisarei quando estiver... - Walker fala
- Podemos tocar no festival de inverno de Virgínia - Taylor sugere e não pela primeira vez.
- Podemos pensar Tay... não posso te dar certeza absoluta... - seu pai responde, sério - tenho que verificar... - ele encara Richard.
- Por que não? - Ike pergunta - as férias de Zac estão chegando, até lá, estaremos livres...
- Mas acho que seu pai não estará ... - Richard explica, antes que Walker inventasse outra desculpa.
- Como assim? - Isabelle o encara - outra viagem? - ela pergunta, mesmo no fundo, já sabendo da resposta
- Não está nada confirmado ainda... - Walker se apressa a falar
- Está quase tudo confirmado! - Richard fala
- Não lembro de vc ter me mencionado nada... - Diana fala, calma da outra ponta da mesa. Não gostava de demonstrar nenhum tipo de intenção de briga em frente de seus filhos.
Apesar de que odiava quando Walker tinha de viajar a negócios, pior ainda quando ele não avisava antecipadamente.
- Me esqueci... e não queria falar se não tinha certeza ainda... - ele responde, tentando ignorar os olhares de todos os outros em cima dele
- Vc poderia ter avisado, já que tem tanta certeza... - Isabelle fala a Richard, tentando sem sucesso, disfarçar sua decepção.
- Acho que vcs podem falar sobre isso depois, não é? - Maria, mãe de Isabelle intervêm, já conhecendo a filha e sabendo que o assunto geraria árduas discussões entre ela e seu genro - vamos continuar nossa refeição... em paz... Mackenzie começou a chorar perto de Diana, porque tentava pegar o garfo de Avery que se recusava a dar.
- Por que vc quer pegar o meu? - ela grita para o irmão de um ano - o seu está aqui! - ela coloca o garfo dele na sua frente
- Ele é muito chato! Chora por tudo! - Jessica fala, apoiando a irmã. No começo, ela tinha achando a idéia de um novo irmãozinho ótima, mas depois de um tempo, percebeu que não tinha gostado nada, principalmente pelos choros constantes. Diana nem tinha mais tempo para ela e Avery, o que a chateava.
- Ele é um bebê! Vc queria que ele cantasse? - Zac encara a irmã do outro lado da mesa
- Seria melhor do que ouvir isso! - ela fala - credo!
- Por que a gente tem que comer peru todos os anos? - Mi pergunta, encarando Taylor que estava ao seu lado.
- O que? Como eu vou saber? - ele fala, não ligando.
- Vc não sabe da história do dia de ação de graças? - Zac pergunta - a gente já aprendeu isso!
- Eu sei! Não quero saber isso! Só queria saber por que a gente tem que comer o peru! - ela fala alto o bastante para que todos na mesa prestassem atenção.
- É uma tradição, filha... como os presentes no Natal ou os ovos na Páscoa... - Isabelle explica, já acostumada com a curiosidade da garota
- Eu sei! Mas por que não podemos mudar de comida? - ela pergunta
- Porque todo mundo gosta de peru! - Taylor responde
- Mas a gente pode comer peru no Natal! Ou qualquer outro dia... por que tem que ser hoje?
- Porque hoje é o dia certo para comer peru, se fosse outro dia não ia ter graça nenhuma! - Zac fala
- Claro que não! - ela fala
- Filha, a gente come peru porque é o que todo mundo prefere comer! E por causa da tradição também... e Zac está certo, não teria graça comer em outro dia.. - Isabelle explica, tentando convencê-la
- Não é o que eu prefiro comer... e acho que a vovó também não! - ela encara Maria - ela não gosta muito de peru!
- Mas todo os outros gostam, a gente está em maior número do que vc! - Zac fala, se sentindo o superior.
- As vezes, temos de respeitar o gosto dos outros, mesmo que a gente não goste... - Maria fala a neta, que lhe faz cara feia, não gostando da resposta
- E por que de repente, vc não quer mais comer peru? - Ike pergunta a Mi - vc sempre gostou...
- A gente podia comer outra coisa, uma salada...
- Salada no ação de graças? Vc está doida? - Zac fala, incrédulo - péssima idéia!
- Vc não gostou do peru? - Diana lhe pergunta, percebendo o quanto ela olhava o prato com desprezo e tristeza.
- Não é isso, tia! - ela lhe responde - está gostoso! Como sempre!
- Por que toda essa conversa então? - Richard lhe pergunta, curioso
- Porque... eu queria saber... - ela responde, abaixando a cabeça
- E existe alguma coisa que vc não queira saber? - sua mãe sorri
- Vc terá problemas com esta garota, Richard - Beatriz fala, rindo - se ela continuar assim...
- Não me fale uma coisa dessas! - ele ri
- O que vc tem? - Zac pergunta, mais baixo para a amiga
- Só estava fazendo uma pergunta... e não quero mais comer... - ela fala, fazendo careta
- Vc nem comeu nada! - ele fala
- Não estou me sentindo muito bem... - ela fala baixo, colocando a mão na barriga.
- Vc já está enjoada do peru? - Taylor faz graça, depois de ouvir o que ela disse
- Não sei... - ela fala - é que eu ...
- O que? - Zac pergunta
- Eu vi na televisão como eles fazem o peru e... - ela fala, olhando para o seu prato.
De repente, tudo o que se ouviu foi um grito de Zac, pois Mi tinha acabado de vomitar em cima dele. Taylor se levantou rapido, verificando se não tinha caído nada nele também. Isaac, apesar do nojo, não conseguiu conter seu riso ao ver o irmão mais novo, desesperado sentindo nojo de si mesmo.
- Que nojo! - Zac gritou, não sabendo se saia correndo ou se chorava.
- Ai meu Deus! - Isabelle se apressou e tirou a filha da sala, a levando para o banheiro, em caso de alguma coisa a mais sair de sua boca.
Diana logo chegou com um pano para limpar o chão e a cadeira. Ela ajudou Zac a tirar a camiseta e o fez ir tomar um banho.
- Acho que ela realmente não queria comer o peru... - Maria fala, rindo.
Haviam mais convidados a mesa, como o marido de Beatriz e os pais de Diana, mas estes estavam conversando entre eles, as vezes escutando as conversas de seus netos. Depois disso, todos tinham perdido os apetites e foi descoberto que Mi tinha comido um doce estragado durante a tarde, escondido de seus pais. "

- Aquele foi o melhor feriado de todos! - Ike fala, se recordando de tudo, principalmente do que aconteceu depois do vômito. Todos eles estavam no mercado comprando algumas coisas para os seus respectivos jantares.
- Eu juro que gostaria de estar lá para ver! - Chad ri
- Acho que isso é uma coisa do qual eu nunca vou te perdoar! - Zac fala empurrando o carrinho cheio, onde Ezra se encontrava sentado, maravilhado com o todas as prateleiras em volta e que ele queria muito derrubar.
- Mas eu não tive culpa! E pelo que eu me lembre, vc foi quem me deu aquelas balas de goma... esquisitas!
- Mas eu não me lembro de te dizer nada em relação a comê-las!
- Como eu ia saber? - ela pergunta, rindo
- Bom, mas se depois disso, o Zac ainda está aqui como seu amigo, acho que não há nada que afaste ele de vc! - Taylor fala.
- Com certeza! - Mi ri - ele já aguentou de tudo mesmo...
- Concordo plenamente! Não invente mais nada desse tipo! - Zac a complementa - senão, será amigos-amigos e vômitos a parte! - ele pega um pacote de salgadinhos, mas logo os coloca de volta - acho que estou perdendo a fome!
- Então, vamos continuar falando de vômito, assim não teremos tanto prejuízo com esse jantar! - Ike ri
- Volte para o seu celular que estava melhor Ike! - Zac fala, brincando, mas percebe que tinha acabado de fazer seu irmão se lembrar de Mary.
- Vcs acham que eu devo levar alguma coisa? - Mi pergunta, olhando para as prateleiras, meio perdida.
- Por que? Vc foi convidada! Não precisa levar nada, só a boca! - Chad fala
- Acho que alguém está querendo agradar o sogro... - Zac ri - vc é que não entende, Chad!
- E quem disse que ela precisa? O pai dele já ama a Mi, mesmo antes de conhecê-la, quem vc precisa conquistar é a Delia! - Chad fala, colocando alguns doces nas mãos dela - toda criança gosta de doces.
- Eu não quero conquistar ninguém! - Mi os coloca de volta na prateleira - só achei que pudesse ajudar em alguma coisa, não sei!
- O que vc levou nos jantares passados? Pensei que vc tivesse uma tradição para os presentes que vc leva também... - Taylor pergunta
- Não, eu não tenho. E desta vez, é diferente... - ela fala, se desanimando
- Claro que é! Há um namoro em jogo! - Zac fala - Já pensou se ela leva alguma coisa e os ofende com isso? Ela nunca mais vai poder voltar lá! - ele ri. Estava adorando toda essa "novidade" dela estar namorando. O fato de Mi nunca saber como agir, era a parte favorira dele, principalmente para tirar sarro.
- Obrigada Zac, vc está ajudando muito! - Mi fala.
- Por que vc não leva uma sobremesa? - Taylor sugere - já que eles vão te dar o jantar...
- É, acho que é uma boa idéia... - ela fala, pensativa - mas o que? - ela o encara
- Vamos dar uma olhada... - ele responde, se dirigindo a seção da padaria.
- Já voltamos! - Mi fala e sai correndo atrás de Taylor.
- Cade o Ike? - Chad pergunta, olhando ao redor.
- Está no celular de novo... - Zac fala, apontando para o final do corredor.
- Vc e sua boca grande!
- Foi sem querer! Eu juro! - Zac diz, arrependido.
- Olhe o que o seu sobrinho está fazendo! - Chad empurra Zac. Ezra já tinha colocado vários pacotes de macarrão dentro do carrinho, dentre outras coisas que ele encontrava, enquanto os outros estavam distraídos.
- Por que vc só faz coisa errada quando está comigo? - Zac fala, retirando tudo com a ajuda de Chad.
- Porque vc é o único que deixa ele fazer coisa errada... - Chad ri.
Enquanto eles tentavam arrumar a bagunça, Ezra não gosta nada de vê-los desfazendo o que ele tinha feito e continua colocando as coisas dentro do carrinho.
- Ez, NÃO! - Zac fala, sério
Ele encara o tio por um momento, mas depois começa a chorar escandalosamente.
- Ezra, desculpa, eu não queria gritar com vc, mas não pode! - ele tenta se explicar - olha, pode ficar com isso daqui! - Zac entrega qualquer pacote que encontra, mas não consegue nada. Zac o pegou no colo, mas nada.
Algumas pessoas passavam e os encaravam, devido ao choro nada discreto dele.
- O que aconteceu? - Taylor aparece correndo, assustado.
- O seu filho estava fazendo bagunça... - Zac o entrega Ez, que uma vez no colo de seu pai, parou de chorar imediatamente.
- O que vc estava fazendo? - Taylor pergunta a Ezra, calmamente
- Parece que tem gente aqui que já sabe fingir... - Chad comenta, rindo, percebendo a indignação de Zac.
- Eu não vou mais acreditar nisso! Não tem nem lágrima nos olhos dele! - Zac fala - era só um berro mesmo!
- Bem-vindo ao meu mundo! - Taylor ri
- Ele está precisando é de umas boas palmadas! - Zac fala, rindo.
- Eu não vou bater nele! - Taylor responde
- Não sei se vc lembra, mas a gente apanhava ... e muito! - ele ri
- Eu me lembro, mas não vou fazer isso com ele!
- Também não concordo com isso! - Chad fala, se recordando também de seus castigos.
- O que aconteceu? - Ike reaparece
- Nada ... - Taylor fala, voltando de onde veio.
- Acho que já pegamos tudo, não é? - Zac empurra o carrinho
- Mais do que deviamos... - Ike ri ao ver o carrinho cheio - E vc? Não vai levar nada?
- Não - Chad responde - não preciso... não quero competir com o cardápio francês da minha mãe...
- Então, acho que podemos ir! - Zac se apressa e vai para a fila.
Após a parada ao mercado, Taylor,Ezra, Zac e Ike tomaram o rumo direto para Tulsa. Chad e Mi voltaram para o apartamento, ambos se preparando para o que viria a noite. E não demorou para que o momento acontecesse. Os dois já estavam prontos, quando Gregory chegou com uma rosa na mão.
- Para mim? Não precisava... - Chad brinca ao abrir a porta.
- Se vc faz tanta questão, eu posso te dar, sei que a Mi não se importaria... - Gregory fala, se sentando no sofá.
- Valeu, mas não gosto muito de flores...
- Oi... - Mi aparece com um vestido preto e básico até os joelhos, mas bonito o suficiente para deixar Greg impressionado.
- Onde é a festa que eu não fui convidado? - ele pergunta, se aproximando.
- Está muito exagerado, não é? - ela pergunta, preocupada. Tinha demorado horas para escolher a roupa
- Não!Está perfeito! - ele lhe entrega a rosa, lhe dando um leve beijo no rosto.
- Obrigada... - ela sorri, encantada.
Chad que assistia toda a cena, pela primeira vez percebeu que o que ele realmente sentia por ela, era um amor fraterno. Apesar de achar que Gregory estava bancando uma de conquistador, não pôde deixar de se sentir bem ao ver que ele estava a tratando do jeito que ela merecia. Como uma mulher que merecia um homem honesto e que a fizesse feliz. Os três deixam juntos o apartamento, se separando somente na hora de entrar nos carros.
- Cuide bem dela! - Chad fala a Greg, antes de entrar no carro
- Sim, senhor! - ele responde, abrindo a porta para ela.
Chad então começou a fazer o seu caminho, não muito empolgado. Se Mi estivesse com ele, ao menos, as coisas poderiam ser mais agradáveis. Ele ligou o rádio e tentou se contentar com o fato de que veria sua mãe, depois de algum tempo.

Os irmãos estavam em silêncio no carro. Zac dividia um pacote de salgadinho com Ezra, enquanto Taylor estava atento a música que passava no rádio e Ike na pista a sua frente.
- Zac, vc quer levar o carro? - Ike pergunta, surpreendendo os outros dois.
- O que? Vc está bem, Ike? - Zac fala - está me confundindo com o Taylor!
- Estava falando com vc mesmo! - ele confirma, estacionando o carro no acostamento - vc quer ou não?
- Demorô! - Zac sai do carro e se senta contente no banco do motorista
- É melhor vc ficar lá trás... - Ike fala a Taylor, que sem escolha, vai para o banco de trás com Ezra.
Zac arranca o carro e sai pela estrada afora. Ike que normalmente lhe chamaria a atenção, naquele momento, não estava se importando em chegar um pouco mais rápido em Tulsa.
- O que vc tem, Ike? - Taylor pergunta, preocupado
- Nada...
- Essa sua... coisa... com a Mary está te matando, cara! Vc não pode ficar assim o tempo todo!
- Olha quem fala! - Zac comenta, relembrando os "momentos ruins" de Tay, que eram piores do que de Ike.
- Tá, eu sei que não posso falar nada, mas esqueça isso por um segundo!
- Falar é fácil... - Ike fala
- O que aconteceu com a gente? - Zac pergunta - é feriado, estamos indo para Tulsa! Isso já deveria ser razão suficiente para vc se animar, mas ultimamente, voltar para a nossa cidade está sendo quase um sacrifício!
- Não mais para mim... - Taylor sorri
- Vc falou com a Marion?
- Falei, por que? - Zac responde
- E ela não disse nada sobre a...
- Não, não disse Ike! - Zac se adianta e responde - quando a Mary quiser falar com vc, vc ficará sabendo.
- E se ela nunca mais quiser falar comigo?
- Aí sim, vc poderia começar a se preocupar... mas não é o caso aqui! Ela não vai querer deixar as coisas do jeito que estão! - Zac fala, convicto
- Assim espero...
- E quando vc vai levar a Marion para Tulsa? - Taylor pergunta, curioso
- E por acaso, eu tenho que levá-la? - ele pergunta, sério, encarando seu irmão pelo retrovisor.
- Não, só estava perguntando... calma...
- Eu não sou igual a vc e o Ike que levavam todas as garotas para casa!
- Eu não fazia isso! - Taylor se defende - só o Ike!
- Eu? - Ike se vira para o seu irmão
- Vc não pode negar...
- É, acho que não mesmo... - ele solta um sorriso - não tenho culpa se eu me apaixono pelas pessoas...
- Tá bom, Ike! - Zac ri - a mãe já conheceu tantas garotas suas que ela nem deve se importar mais...
- Do que vc está reclamando? Se não fosse por isso, vc nunca conheceria a Kate! - Taylor solta
- E isso não seria nada mal... - Zac responde, sério
- O que aconteceu entre vcs, afinal? - Taylor pergunta.
- Nem queira saber... - Ike responde - foi uma enrolação que só vendo!
- E por que vc quer tanto saber? - Zac estranha esse repentino interesse.
- Nada, só curiosidade... - ele responde. Na verdade, queria entender essa história direito desde do dia em que ficou sabendo, mas percebeu que não conseguiria nada de Zac, muito menos de Ike.

Mi saiu do carro, tentando controlar o seu nervoso. Não tinha razões para se sentir desse jeito. Já os conhecia e sabia que eles eram boas pessoas. Pelo menos, até onde ela sabia...
- Eu ainda não acredito que eu esqueci a torta! - ela fala, pela terceira vez, decepcionada. Saiu com tanta pressa que acabou deixando a sobremesa que Taylor a ajudou a comprar, no apartamento.
- Não faz mal! Sobremesa não vai faltar, tenha certeza! - ele ri - eu sei que vc queria ficar com a torta...
Mi pára e o encara
- Era brincadeira, calma! - Greg ri, pegando em suas mãos - suas mãos estão geladas! - ele fala, tentando esquentá-las com as suas.
A casa era grande, mas simples. Conseguia manter sua excepcionalidade mesmo dentro de uma cidade, onde prédios eram o mais comum meio de moradia. Aquele bairro era quase todo preenchido por casas, dando um ar mais familiar e intimo do que os costumeiros apartamentos.
Gregory abre a porta da frente, fechando rápido devido ao frio. Já era possível ouvir-se vozes de algum outro cômodo. Mi reparou no piano encostado na sala. Mesmo estando em um canto, era possível perceber a importância dele. Não havia nem mesmo uma televisão ou qualquer outro tipo de distração naquelas quatro paredes. O piano era a atração principal e nada o atrapalhava quando estava em ação. Mi começou a entender o porquê John, pai de Gregory, sentia tanta falta de vê-lo tocar. Era simplesmente impossível não notar essa ausência.
- Eles devem estar na sala de jantar... - Gregory comenta, pendurando o casaco de Mi num cabide - vamos? - ele pega em sua mão e a puxa.
Ao chegar ao cômodo, a primeira pessoa que ela vê é Delia. Instantaneamente, Mi solta das mãos de Greg, totalmente sem graça.
- Finalmente, vcs chegaram! - John fala, animado - como vai Michelle?
- Bem, e o senhor? - ela responde, lhe apertando as mãos.
- Melhor agora que vcs chegaram! Estou faminto! - ele ri
- Que novidade! - Greg sorri
- Tudo bom, Delia? - Mi arrisca perguntar
- Tudo - ela responde - vc está bonita!
- Obrigada! - Mi responde, aliviada por ouvir isso.
- Cara! Vc não muda mesmo! - uma voz aparece, fazendo Mi e Greg se virarem.
- Chris? - Gregory pergunta, surpreso - o que vc está fazendo aqui?
- Vim visitar um velho amigo, não posso? - ele pergunta, lhe dando um abraço.
Chris era um pouco mais alto que Gregory, tinha os cabelos loiros, meio encaracolados. Um era o oposto do outro. Talvez a única semelhança, eram os olhos claros.
- E quem seria a dama? - ele se aproxima de Mi
- Michelle... - ela responde
- Christian, mto prazer!
- Agora sim, podemos comer! - uma outra voz aparece, desta vez feminina. Era uma moça loira de cabelos lisos e olhos claros. Ela vestia um avental, mostrando que provavelmente era a responsável por aquela comida estar tão cheirosa.
- Nina! - Gregory a chama - esta é minha... namorada, Michelle! - ele fala, as apresentando.
Mi ficou sem reação na hora. Não somente pelo o que ele tinha dito, mas pelo fato de Chris a encarar, bastante surpreso com a novidade do amigo.
- Mi, esta é a namorada do meu pai... Nina!
- Muito prazer! - Mi fala, ainda embaraçada.
- O prazer é todo meu! - ela lhe sorri - vamos, podem se sentar!
Todos se acomodaram a mesa. Mi se sentou entre Gregory e seu pai que estava na ponta, e de frente a Chris que estava ao lado de Delia, com Nina ocupando a outra ponta da mesa.
- Vc não deveria estar jantando com os seus pais? - Greg pergunta a Chris
- Sim, mas eles não se incomodaram quando souberam que eu viria para cá - ele explica - aliás Dr Williams, meu pai lhe mandou lembranças!
- E como anda o seu velho? Com o humor ainda intocável, imagino... - John sorri se recordando do velho amigo.
- Está bem! Do jeito dele... tenho certeza que ele preferiria estar aqui comigo, do que na companhia dos meus avós agora...
Mi fazia sua refeição quieta, apenas prestando atenção na conversa que envolvia a mesa. Não sabia o porquê estava se sentindo tão "fora d´água". Até mesmo no jantar do ano passado, que havia sido na casa de Dean, junto da família, que ela desconhecia totalmente, as coisas tinham sido mais fáceis. A este ponto, ela estaria conversando com alguém. Comentando qualquer coisa. Mas mesmo tendo Gregory ao seu lado, que estava se divertindo com a companhia do amigo, ela não conseguia falar nada, pois tinha de pensar antes.
- E como está sua mãe? - Nina pergunta a Chris
- Está bem, como sempre! Aimee chegou cedo para ajudá-la com os preparativos da janta... - ele responde, se servindo de mais comida
- E como ela está? Indo bem na faculdade? - Nina pergunta, ignorando o olhar de Gregory de reprovação.
- É a Aimee, vcs sabem... sempre boa aluna em tudo!
Ao ouvir esse nome, Mi sentiu que a conversa havia se tornado um pouco mais interessante. Então, Chris era irmão de Aimee. Talvez, isso explicasse a surpresa dele ao ouvir que ela era a nova namorada de seu amigo e ex-cunhado?
- Mas e vc Michelle? - John lhe encara - Gregory me disse que está fazendo faculdade de arquitetura?
- É, sim... eu estou... - ela responde
- Vc vai construir casas? - Delia pergunta
- Vou desenhá-las, projetá-las... o trabalho pesado fica por conta dos pedreiros mesmo! - Mi sorri - nunca me dei bem com tijolos e cimentos.
- Arquiteta, huh? Como vcs se conheceram? - Chris pergunta
- Estamos na mesma faculdade... - Gregory responde
- Mas em cursos tão diferentes... - ele continua.
- Eu tenho um amigo que também cursa Música... - Mi responde, tentando evitar aquele olhar analisador de Chris - então, eu geralmente estou por aqueles lados da faculdade... - ela explica, como se ele soubesse que as aulas de seus cursos ficavam bem separados um do outro.
- Onde está o seu amigo? - Delia pergunta - Chad?
- Ele foi jantar na casa dos pais dele...
- É verdade que vcs moram juntos? - ela volta a perguntar. Mi sente que tinha conseguido a atenção de todos a mesa, bastante curiosos.
- Eles são só amigos, Delia... - Gregory fala, tentando abafar o caso
- Eu sei disso! Só estava perguntando se era verdade, porque ele me disse que vcs moravam juntos, com mais alguns outros amigos... - ela fala, se recordando da conversa.
- É verdade sim! - Mi arrisca responder, tentando ignorar a curiosidade de todos em cima dela.
- Outros amigos? É uma república? - Chris pergunta
- Não, é um apartamento mesmo... - ela responde
- Ótima escolha! - John fala - é melhor para dividir as despesas e para se concentrar melhor nos estudos também! - ele sorri. Mi sentiu que ele estava tentando ajudá-la de um modo esquisito, o que fez ela o agradecer mentalmente.
- E todas as suas amigas também fazem faculdade? - John pergunta. Parece que ele não tinha entendido ainda.
- Fazem... mas na verdade... - Mi fala, sem graça.
- Eu não trouxe ela aqui para vcs a bombardearem de perguntas! - Gregory fala
- Só estamos conversando! - Delia fala
- Não tem problema, Greg... - Mi fala - e eu moro com amigos somente, senhor... - ela responde de uma vez. Era melhor deixar tudo claro mesmo.
- Ow... que interessante! - John fala - uma garota no meio de garotos?
- Vc merece um prêmio por aguentar isso! - Nina comenta
- Quantos amigos moram com vc? - Chris pergunta.
- São só 3 e....
- Só 3! - Gregory a interrompe. Sabia que Mi tinha pego o péssimo costume de contar Ezra como "meio" e era isso que ela estava prestes a fazer.
- Sim, são só 3! - ela responde. Encarou Greg por um momento, o agradecendo também. Nem tinha idéia o quão difícil seria explicar que havia uma criança entre eles, cuja mãe o abandonou com o pai. Ficou feliz por evitar isso.
- E como foi que isso aconteceu? - Chris pergunta, parecendo agora bastante interessado para que pudesse tentar fazer o mesmo, só que sendo ele o único garoto da casa.
- São amigos de longa data! - ela responde - então decidimos fazer faculdade juntos e morar no mesmo lugar... o que facilitaria nas despesas e não nos separaríamos....
Greg sorri de leve. Quem ouvia por este ângulo, pensava que tinha sido tão simples assim, principalmente em relação a Taylor ter parado ali também.
O jantar foi correndo bem depois disso, mesmo que Chris ainda fizesse Mi se sentir que estava num interrogatório sobre sua vida.

Chad observava todo o seu redor. Não se lembrava se aquela sala continuava a mesma desde a sua última visita. Apesar de ser bonita, ela se parecia com todas as outras. Não tinha nenhum tipo de toque pessoal nela. Os quadros - alguns famosos - pendurados, as estátuas, os tapetes... tudo tinha um ar artificial, mesmo depois de sua mãe ter escolhido cada artefato com a sua devida precisão. Aquela ainda não era sua casa. Aliás, não sabia exatamente qual das casas da família Daniels podia ser considerada como a "verdadeira", pois existiam tantas delas espalhas pelo país, devido a empresa, que parecia ser mais um item para um colecionador. Seu pai, assim como era seu avô, detestava hotéis, por isso não importa onde estivesse gostava de ter essa sensação, mesmo que falsa, de que estava voltando para casa no final do dia.
- Charles! - alguém lhe chama a atenção.
Chad se vira, sorrindo e abraçando sua mãe. Aquele seu perfume doce e forte continuava o mesmo. Tinha o rosto um pouco abatido, mas que não intervia em sua beleza. Tinha os cabelos até os ombros, meio ondulados, que rejuveneciam seus quarenta e poucos anos.
- Pensei que tivesse se esquecido de sua mãe! - Nora sorri, ainda o abraçando
- Isso nunca vai acontecer! - ele responde, lhe retribuindo o abraço.
Apesar de não terem a melhor relação mãe e filho de todas. Ela era a única com quem Chad se sentia mais confortável para falar, agir ou fazer qualquer coisa que quisesse. Ela lhe permitia ser ele mesmo, não precisando se comportar como um membro de uma família rica e importante, como todos os outros faziam-o se sentir, forçadamente.
- Só mesmo fazendo o jantar aqui para vc se juntar a família, não é mesmo? - Chad escuta a voz de seu pai - se fosse em New York, dúvido que ele apareceria... - ele sorri.
- Quem sabe... dependendo da companhia... - Chad responde.
Mal conseguia encará-lo. Não tinha o perdoado ainda por tudo o que ele tinha feito com Taylor e com ele também.
- Por favor, não comecem! - Nora se antecipa, prevendo o que poderia acontecer.
- Posso lhe servir uma bebida, senhor? - uma moça, vestida com um uniforme preto, pergunta
- Ah... claro.... - Chad responde. Tinha se esquecido totalmente de como era essa vida de mordomias, tendo alguém lhe servindo a todo momento - eu aceito uma coca gelada, por favor.
- Coca gelada? Isto não deve nem ser considerado uma bebida! - uma voz diferente, ecoa pela sala de estar - o que aconteceu com vc?
Chad nem precisou se certificar. Tinha certeza que era seu irmão quem tinha acabado de chegar, para sua surpresa.
- O que aconteceu com o seu cabelo? - ele pergunta, se aproximando para lhe dar um abraço.
- Está melhor do que esse seu corte mauricinho... - Chad fala por impulso. Brincadeiras a parte, ele sentia estar abraçando um completo estranho. Algum colega de trabalho, de quem ele sabia apenas o nome, no máximo. Ninguém íntimo o suficiente para que ele pudesse ter a liberdade de conversar confortavelmente.
- O humor continua o mesmo, pelo menos... - Henry o encara - virou rebelde de repente? - ele pergunta, ainda se referindo ao corte de cabelo raspado de Chad. Fazia um bom tempo que não se viam, Henry se sentiu até mais velho que seu irmão, por um segundo.
- Como vai, filho? - Joseph o abraça de leve pelos ombros
- Por favor, Brenda... - Nora se dirige a empregada - nos avise quando a mesa estiver posta...
- Sim, senhora. Vou verificar - ela responde maquinalmente e sai.
- Que bom que vc veio! - Nora fala a Chad.
- E então Charles? - Joseph se senta a sua frente - já contou ao seu irmão a novidade "inglesa"?
- Novidade inglesa? - Henry o encara, curioso - ele quis dizer, uma mulher?
- Não - Chad apenas responde - fechamos o contrato com os ingleses! - ele fala, orgulhoso
- Não brinca? Muito bom, irmão! Estou impressionado! - Henry fala.
- Ele está aprendendo...- Joseph comenta - nosso nome estará estampado em Londres!
Por um momento, Chad sentiu uma ponta de orgulho no comentário do pai.
- E estará também em Paris, em breve! - Henry complementa
- Como assim? - Chad o encara
- Bom, já que os ingleses já assinaram. Não demorará muito para que os franceses também assinem! - ele explica
- Isso mesmo! Não podemos perder tempo! - Joseph fala, fazendo com que Chad se calasse.
- Senhora, o jantar já está na mesa! - Brenda, a empregada volta a anunciar.
Chad ao entrar na sala de jantar, não pode evitar de se surpreender com a mesa posta. Todos os pratos decorados, as taças, os talheres, os móveis ornamentados. Estava tudo muito bonito, mas ele não se sentia mais confortável dentro daquele tipo de ambiente. Até mesmo suas roupas pareciam impróprias, como se ele fosse o único que tinha vindo fantasiado, numa festa a rigor.
- E como está a faculdade? - Nora pergunta a Chad
- Bem. Quase terminando! - ele responde, se sentando ao lado dela - seremos só nós? Pensei que o tio Jeremy estaria aqui...
- Infelizmente, não. Seremos somente nós três mesmo... - Nora fala - vc sabia que ele noivou com a namorada?
- Verdade? Que bom... isso é... muito bom! - Chad fala, percebendo que o assunto não estava agradando a seu pai.
- Estava mais do que na hora de ele se arranjar com alguém, não é? - Henry fala, dando espaço para a empregada que colocava o seu prato a sua frente.
- Acho que sim... - Chad responde, prestando atenção a sua comida, que não tinha idéia do que era - isto é peru? - ele arrisca perguntar
- Com molho italiano! Divino! - sua mãe responde
Chad apenas sorri. As vezes, se perguntava se seria ruim jantar numa mesa normal, com ele próprio se servindo e empaturrando o prato de comida, cortando o seu próprio peru.
- Já se desacostumou com a comida? - seu irmão lhe pergunta - o papai me disse que não há muitos bons restaurantes por onde vc mora...
- Com exceção talvez do Twelve... aquele Oliver é um chef renomado. Só não sei o que ele ainda faz aqui, sendo que poderia estar na Inglaterra. - Joseph comenta, sabendo a nacionalidade de Oliver - a comida é boa, mas o serviço, nem tanto...
Chad apenas o encara, sabendo muito bem a quem ele estava se referindo.
- Se vc quiser falar da Mi, vc pode falar abertamente!
- Não estava falando de ninguém... - Joseph responde, indiferente
- Mi? Vc quer dizer a Michelle? - Henry pergunta, parecendo interessado - fiquei sabendo que ela está casada, é verdade?
- Er... sim, está! - ele responde, quase se esquecendo desta história e sabendo quem tinha contado.
- Aquela sua amiga adorável, está casada? - Nora pergunta. Se simpatizava com Mi, principalmente quando ela ainda namorava com seu filho. Apesar de sentir muita pena dela também, por ser orfã.
- Está...
- Por causa do filho, com certeza... - Joseph adiciona.
- Filho? Ela já tem um filho? - Nora fala, espantada - mas ela é tão nova!
- Mas que situação hein! - Henry fala - e ela parecia ser uma menina tão direita! Quem diria, engravidar tão cedo!
- Isso não quer dizer que ela não seja uma pessoa digna! - Chad fala.
- Claro que não! Ela fez o certo em se casar... - Nora comenta, ainda meio impressionada, mas um pouco decepcionada também.
- É, pela primeira vez, acho que vc fez bem em se separar dela. - Henry comenta, tirando sarro - já pensou se fosse com vc?
- Não, o Charles não faria algo assim... ele seria mais... cuidadoso... - Nora fala, sorrindo para o filho
- Podemos mudar de assunto, por favor? - Chad pede, já cansado.
- Bom, sinto te decepcionar irmão, mas vc é a única novidade por aqui. Se não formos falar sobre vc, não teremos assunto! - Henry ri, fazendo com que Chad se arrependesse de ter ido até lá.

A família Hanson já tinha terminado o jantar e estavam todos espalhados pela casa, conversando. Taylor estava andando no corredor que levava aos quartos. Não tinha certeza ainda se queria fazer, o que estava pensando, mas somente assim poderia acabar de vez com esse assunto. O jantar tinha ocorrido tudo bem, agora que todos já sabiam, mas a conversa tinha sempre de ser cuidadosa e limitada quando se tratava de Natalie, principalmente por causa de Zoe.
- Vc tem certeza disso? - Diana lhe perguntou, antes que ele subisse
- Tenho. Qualquer coisa, eu deixo ela para vc! - Taylor lhe respondeu e subiu as escadas.
Ao chegar ao último quarto do corredor, ele pára na porta. Zoe já estava sentada em sua cama, a espera de seu irmão. Ele apenas respirou fundo e entrou.
- O que vc quer tanto falar comigo? - ela pergunta, sem cerimônias, balançando suas pernas no canto da cama.
- Bom... - ele começa, se sentando ao seu lado - eu queria falar sobre.... a mãe já te falou alguma coisa?
- É alguma coisa com a Natalie? - ela lhe encara - ela tentou conversar comigo, mas não conseguiu e depois disse que vc queria falar comigo por causa dela.
- Bom, é... - ele responde - é que.... - Taylor a encara. Apesar dela saber do que se tratava, aquilo estava sendo mais difícil do que contar aos seus pais. Aqueles pequenos olhos curiosos lhe encarando fazia com que sua coragem diminuísse cada vez mais. Seria certo contar a uma criança?
- Aconteceu alguma coisa? - Zoe pergunta, preocupada
- Aconteceu... - ele responde, nervoso - vc sabe quando os casais brigam? - ele pergunta, sem saber exatamente como começar.
- Como a mamãe e o papai?
- É... como eles brigam as vezes... porque eles não concordam com... alguma coisa....
- Sei, mas eles sempre fazem as pazes depois... igual quando eu brigo com o Mack, depois a gente fica de bem...
- Eu sei... mas com os casais não é igual ao vc e o Mack que são irmãos... é um pouco mais complicado...
- Por que é mais complicado? Só porque eles namoram? - ela pergunta, curiosa
- Mais ou menos isso... - ele responde. Nem sabia mais para onde queria levar a conversa.
- Vc brigou com a Nat? - ela pergunta, de repente
- Não exatamente... - ele a encara - mas a gente...
- Por isso que ela não está mais vindo aqui? - ela o interrompe
- É, mas....
- Por que vc brigou com ela? Ela não vai mais vir me ver? - ela pergunta, com um tom mais decepcionado
- Não, ela vai...
- Quando? Vcs vão fazer as pazes, não vão? Igual a mamãe e o papai... que sempre...
- Zoe! - ele fala, se sentindo sufocado - eu não sei se nós vamos fazer as pazes...
- Mas por que não? Vc quer ficar brigado com ela? - ela pergunta, já parecendo brava.
- Não, eu não quero! Mas no momento, estamos muito chateados um com o outro e não sei quanto tempo vai durar..
- Mas vcs vão fazer as pazes, eu sei! - ela fala, mais aliviada
- ... talvez não... - ele fala baixo, com medo de sua reação - talvez ... a gente tenha que ... se separar ...
- Separar? Mas vcs são casados, não podem se separar! - ela fala - quando a gente casa, não é para sempre?
Taylor fica sem palavras. Não poderia destruir as idéias de uma criança sobre o casamento. Ainda mais, sendo elas tão positivas e boas.
- Foi o que a mamãe disse para mim, que vc estava casando com ela porque queria ficar com ela para sempre... - ela o encara, falando como se estivesse lhe contando um segredo.
- É verdade... - ele fala, tentando sorrir - ... queria mesmo...
- Então! - Zoe fala, como se fosse óbvio - vcs vão ficar de bem!
- ... acho que sim... - ele fala, sem palavras - acho que vc tem razão... só precisamos de um tempo...
- Tá vendo? Não sei porque vcs sempre acham que vai dar tudo errado!
- Mas vc precisa saber que eu não sei quando a Natalie vai poder vir aqui, ok? - ele a encara, sério.
- Tudo bem! Não faz mal... eu sei que não vai demorar! - ela sorri.
Taylor se levanta, lhe acaricia a cabeça e sai do quarto. Estava um pouco aliviado, surpreso e se sentindo um pouco bobo por não conseguir contar e ela ainda lhe dar um certo apoio.

Mi entra no quarto, logo atrás de Delia. Gregory estava conversando com Chris, em particular e Delia aproveitou para levá-la para conhecer o seu quarto. Ele era razoavelmente grande, se pensar que era ocupado apenas por uma garota. Sua cama estava arrumada, com cobertores de rendas brancas, dando um aspecto de uma casa de bonecas.
- Muito bonito, o seu quarto...
- Não é exatamente do jeito que eu queria, mas eu gosto dele...
- Eu também gostava bastante de bonés... - Mi comenta, ao ver dois bonés em cima da escrivaninha - na verdade, gostava de chapéus! Qualquer coisa para esconder os meus cabelos...
- O que tinha de errado com eles?
- Não suportava os cachinhos que eu tinha nas pontas... - Mi fala, mostrando o cabelo - e eles eram tão bonitinhos...
- Eu acho o meu muito liso! Minha amiga Brittany tem o cabelo todo enrolado e ela também odeia!
- Mas vc usa os bonés por causa do cabelo? - ela pergunta, se sentando na cama macia.
- Não, eu gosto deles também... mas acho que está na hora de me livrar deles... o que vc fez com os seus?
- Sabe que eu não me lembro... - Mi responde, pensativa - minha mãe deve ter dado eles para alguém... ela não gostava muito deles... alguns eu sei que dei para o meu amigo e ainda tenho alguns comigo na verdade...
- Sério? Vc ainda os usa?
- Não, mas está guardado de lembrança...
- Eu também quero guardar alguns... este, minha mãe quem me deu de Natal... - ela fala, passando o boné para Mi
- É muito bonito... guarde este com vc, então... - Mi responde, compreendendo totalmente como ela se sentia - mas por que vc quer se livrar deles? Guarde-os por mais um tempo, mesmo que vc não os use...
- Não sei... uma hora vou ter de dá-los.... - ela responde, encarando os bonés.
- Eu sei, mas essa hora definitivamente não é agora! Faça isso quando vc estiver preparada! Não é algo fácil de se fazer...
- Minha amiga me disse que era para eu me livrar deles logo, porque eu não posso mais usá-los! Ela falou que os meninos nunca olham para meninas que usam bonés.
Mi ri - então quer dizer que isso tudo é por causa de algum menino?
- Não! Talvez para a Brittany, mas não para mim... não quero ter um namorado ainda. Já não me basta o meu pai e o Greg se metendo na minha vida. Acho que não aguentaria mais um...
- Te entendo...
- Não sei como vc conseguiu! Já tem todos os seus amigos e ainda mais o Gregory agora?
- Pois é... mas são coisas diferentes. Vc vai entender quando crescer mais um pouco...
- Odeio esse papo de "quando vc crescer"... - ela comenta, guardando os bonés no guarda-roupa - ouço isso desde quando era mais nova e pareço que nunca cresço o suficiente para poder entender todas essas coisas dos adultos!
- E eu acho que vc deveria se sentir sortuda por isso! Aproveite este momento! Confie em mim... vc não vai querer saber o que se passa no mundo dos adultos...
- Sério?
- Com certeza! - Mi sorri - depois que vc vê como é ser adulto... - ela se aproxima de Delia e fala baixo - vc percebe o quanto é uma chatice! Mas aí, não há mais volta...
Delia sorri - vou me lembrar disso...
- E se aproveite do seu pai também, enquanto pode... pois será outra coisa que vai acabar depois que vc crescer...
- Vai acabar? - ela pergunta, surpresa.
- Não exatamente acabar. Ele sempre te verá como a "filhinha" dele, mas vc não vai gostar muito disso sempre... então, aproveite agora que ambos concordam com o que o outro faz, sem problemas...
- Tudo bem... - Delia responde - é verdade que vc...
- O que? - Mi pergunta, após a pausa dela na formulação da pergunta - pode perguntar....
- Vc não tem mais pais? Eles morreram também? - ela pergunta, séria e receosa.
- Sim, eles morreram... há cinco anos atrás...
- Sinto muito...
- Sinto muito pela sua mãe também... - Mi fala. Já sabia que era esse o motivo por Delia ter lhe perguntado sobre seus pais. As vezes, se impressionava como o sentimento de luto e perda conseguia aproximar as pessoas. Tinha acontecido o mesmo com ela e Gregory.
- É, eu não me lembro tão bem dela... mas mesmo assim, sinto muito a sua falta... - ela comenta, encarando uma foto que estava num porta-retrato, ao lado de sua cama.
- Imagino...
- Vai ser sempre assim? - ela a encara, como se quisesse lhe perguntar isso desde que a viu entrando em sua casa - eu sempre vou sentir falta dela?
Pela primeira vez desde que entrou em seu quarto, Mi sente medo em responder a ela. Não havia como aliviar aquela dura resposta
- Infelizmente, vai... - Mi fala - sempre...
Delia se mantem em silêncio e Mi percebe que essa não era a resposta que ela esperava.
- Mas, escute... isso não é algo ruim... - Mi fica de frente para ela - vc a ama muito é por isso que vc sente sua falta... É simples assim. Aos poucos, vc vai aprender a lidar com isso... aliás, eu acho que vc já sabe lidar com isso muito bem! Melhor do que o seu irmão...
- Verdade? - Delia a encara, surpresa.
- Eu juro... - ela responde e vê renascer um certo contentamento naquele rostinho.
Após alguns momentos de silêncio, Delia que parecia mais animada por saber que era "mais forte" que seu irmão, se levanta da cama
- É melhor nós descermos! - ela fala, vendo Mi se levantar também - então, pelo o que vc está agradecida?
- O que?
- Nós não temos que agradecer por alguma coisa hoje?
- Ah, é verdade... - Mi pensa, enquanto desce as escadas - deixe-me ver...
- Ela agradece por vc tê-la trazido até aqui... - Gregory responde do final da escadaria - obrigado Delia...
- E aposto que ela agradece também por ter se livrado de vc por alguns minutos... - Delia fala, fazendo cara feia
- Então, já fofocou tudo o que tinha com o Chris?
- Mais ou menos... - Gregory responde - e eu não gosto de fofocas...
- Claro... aposto que saber sobre a Aimee, não deve ter te animado nem um pouco, não é?
- A gente... nós nem falamos sobre ela...
- Tenho certeza que não! - ela responde - porque eu nasci ontem!
- Me desculpa se eu não te disse que ele era o irmão dela. Eu nem sabia que ele estaria aqui! - ele se explica logo.
- Não quero que vc se desculpe. Só estou dizendo para vc não negar que ele veio aqui por ela! - ela o encara, séria.
- Mas ele não veio...
Mi apenas o encarou, ainda esperando o que ele tinha a dizer.
- Por que vc está assim?
- Assim, como?
- Vc parece nervosa, mas ao mesmo tempo, não demonstra nada...
- É porque eu não estou nervosa, Greg... deveria estar? - ela lhe pergunta. Não estava mesmo nervosa, só não tinha gostado do modo como Chris tinha lhe encarado durante todo o jantar.
- Não... claro que não... - ele responde
- Aí estão vcs! - John aparece, sorrindo - estava preocupado, pensei que Delia tivesse feito vc fugir pela janela... - ele fala a Mi
- Não... mas se ela estava tentando, ela precisa se esforçar muito mais do que aquilo... - Mi sorri
- Bom saber que encontramos uma competidora a altura! - John sorri, os acompanhando até a sala de estar.

Na casa dos Daniels, Chad já tinha terminado a sua sobremesa fazia alguns minutos. Apenas elogiou sua mãe pela escolha do prato e depois não falou muito, afinal todo o trabalho estava com Henry que parecia não parar de falar, mesmo comendo.
- Vc se lembra disso? - Henry pergunta ao irmão
- ... acho que sim... - Chad apenas responde. Nem estava mais prestando atenção no que ele dizia. Não estava se sentindo bem.
Mesmo com seu pai calado, o ambiente não estava nada agradável. Estava esperando o momento certo para ir embora, sem que sua mãe se chateasse, mas esperar estava se tornando uma tortura. As lembranças que seu irmão trazia a tona, nem pareciam pertencer a aquela família. Eram partes de um passado enterrado e esquecido.
- Vc não quer tomar alguma coisa, querido? - Nora pergunta ao filho mais velho.
- Não mãe, obrigado... - ele responde - na verdade, acho que já vou indo...
- Por que a pressa? - ela pergunta
- Estou meio cansado... - ele se levanta - mas obrigado pelo jantar. Estava delicioso! - ele a abraça
Nora beija seu rosto - venha nos visitar mais vezes...
- Deixe o endereço de seu apartamento. Quero lhe fazer uma visita! - Henry fala, lhe dando um pedaço de papel e caneta.
- Vá quando quiser! - Chad fala, enquanto escreve.
Após se despedir formalmente de todos, ele se apressa a sair, sem deixar que a empregada o acompanhe. Chad apenas fecha a porta e respira fundo. Ele tentara. Não podia dizer que não tinha tentado. Parado na varanda daquela casa, do qual ele vagamente podia dizer que lhe pertencia, não cansava de se perguntar o porquê ele se sentia assim. Por que não podia jantar normalmente com sua família? Por que sentia que o sangue que corria em suas veias estava longe de ser semelhante a de qualquer um deles?
Quando seus pés finalmente alcançaram a calçada, deixando a sacada da casa, Chad ouviu a porta sendo aberta e surpreendemente o rosto de seu pai apareceu atrás dela.
- Ainda aqui? - ele pergunta, pegando um charuto de seu bolso.
- Já estava de saída! - Chad responde, se dirigindo ao carro
- Talvez eu passe na empresa esta semana... - Joseph comenta
- Como quiser.. - Chad abre a porta do carro
- Charles...
Chad o encarou antes de sentar no banco do motorista, com um dos pés já dentro do carro.
- ... obrigado por ter vindo... - Joseph fala e logo volta para dentro da casa.
- ... de nada... - Chad responde baixo, entrando no carro e fazendo seu caminho de volta. Por mais que Joseph tivesse feito tudo o que fez, havia momentos em que Chad conseguia ver uma certa sinceridade nos olhos de seu pai. Talvez fosse um equívoco pensar assim, mas ele ainda acreditava que o seu "antigo pai" estava escondido por trás daquela carcaça, e que as vezes, ele reaparecia.

A noite chega mais rápida do que o inesperado, justamente por ser feriado. A temperatura gelada fazia com que as ruas ficassem meio desertas, enquanto as últimas lojas - das raras que estavam abertas - fechavam suas portas. Do carro, Mi e Greg esperavam alguma coisa que ambos não sabiam o que era.
- Desde quando nós estamos namorando? - ela lhe encara
- ... desde.... como assim?
- Eu não me lembro de vc ter me pedido nada...
- Bom, é que eu pensei que vc saberia, já que eu te levei para jantar com a minha família... - ele explica
- Não tenho bola de cristal, Greg...
- Me desculpa... - ele fala, não entendendo o motivo dela estar daquele jeito - ... por acaso, vc não quer?
- Não é isso! - ela fala, indiferente - só pensei que vc devia me perguntar, não sei... eu vou subir, está frio...
Ela apenas beijou Greg em despedida e se apressou para subir para o apartamento. Ao entrar, encontrou a sala vazia e se sentou no sofá. Por mais que negasse a si, aquela conversa com Delia tinha mexido com ela. Ver uma garota, sentindo falta da mãe, foi como ver ela mesma naquela situação.
Ainda mais agora com Gregory em sua vida, não conseguia evitar de se imaginar contanto para sua mãe a novidade. Ela provavelmente ficaria eufórica e contente. Diria que ele era um bom rapaz, que a escolha tinha sido certa, mas que cautela nunca era demais. Mi até conseguia ver sua mãe rindo e dizendo estar aliviada por desta vez o rapaz não ser gay.
- Vc chegou... - Chad comenta ao vê-la no sofá
- O que? - Mi acorda - ah sim... estou aqui sim... eu acho...
- Por que esta cara? - ele se senta ao seu lado
- Nada, só estava pensando...
Zac e os outros entram pela porta bastante animados, exceto por Taylor que parecia ainda estar chocado com a conversa com a irmã mais nova. Mi se levantou com a desculpa que estava cansada e precisava de um banho. Antes de ir, ela deu um demorado abraço em cada um deles, sem dizer nada.
- Vc está bem? - Zac pergunta, depois de esperar ela acabar de abraçar Ike, que era o último.
- Estou...
- O que foi isso? - Taylor pergunta, ainda não entendendo nada
- Alguém me disse que eu deveria agradecer por algo hoje... então, queria agradecer... por vcs estarem aqui.... - ela sorri e vai para o seu quarto, com a certeza de que eles achariam meio estranho, mas que acabariam entendendo.