16/12/06 - 11h:41mDenunciar

Proposta de Intervenção.

Alfabetização e cidadania

Maria Eugênia Bezerra dos Santos

Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (SEDUC)

GERE do Sertão do Alto Pajeú

Colégio Normal Estadual de Afogados da Ingazeira



Palavras Chave: leitura, escrita, criticidade, criatividade, cidadania e alfabetização.







 A Introdução

Ensinar as crianças a ler, a escrever e a se expressar de maneira competente na língua portuguesa é o grande desafio dos professores do ensino fundamental. Há mudanças importantes sendo feitas, mas a verdade é que ainda há muito a se fazer, a teoria ainda não anda junto com a prática, prova disso, é o índice de repetência e de abandono nas escolas brasileiras, um dos mais altos do mundo, é resultado, principalmente, da dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever.

O professor precisa fazer com que os alunos entendam que a leitura pode ser uma fonte de informação, de prazer e de conhecimento. Ela dá acesso às informações necessárias para o dia-a-dia e aos mundos criados pela literatura e pelas ciências. O aluno deverá saber ainda, como recorrer a diferentes materiais impressos para atender a diferentes necessidades. Para obter informações sobre um filme, por exemplo, usa-se o jornal. Para achar o significado de uma palavra desconhecida, indicado é o dicionário. Para uma pesquisa de história, consulta-se uma enciclopédia.

O professor que quer acertar trata com carinho os alunos, respeita individualidades e é capaz de superar as dificuldades de uma escola. Estimula a discussão e a fala dos alunos em sala de aula. Uma idéia é explorar e valorizar suas experiências e conhecimentos que eles trazem de casa. Levando em consideração o que eles sabem, o que eles não sabem, o que gostam, o que não gostam, brincadeiras comuns, historias preferidas, em fim.

Mas na realidade, na prática da maioria dos professores isso não existe e isso é um grande problema.



 Objetivos Gerais

 Propor a reflexão crítica sobre o trabalho que vem sendo realizado com a leitura, apresentando sugestões práticas de trabalho para a leitura a fim de levar a escola redimensionar a sua prática pedagógica;

 Desenvolver a autonomia;

 Estimular a apreciação da leitura;

 Desenvolver a habilidade de emitir opiniões,

 Desenvolver a leitura e a escrita.



 Objetivos Específicos

 Refletir sobre a importância da presença da leitura na prática pedagógica como procedimento para aprender a linguagem em que se escreve.

 Identificar os processos de aprendizagem com relação à leitura na prática do educador, analisando os caminhos pelos quais são desenvolvidas essas habilidades.

 Desenvolver a leitura e a escrita. Abordando outros conteúdos, fazendo a interdisciplinaridade e ao mesmo tempo promover à dinâmica em sala de aula, a partir de jogos, brincadeiras e músicas.

 Construir a capacidade de selecionar textos levando em consideração a tipologia de cada um.

 Desenvolver o gosto pela escrita e pela leitura, utilizando inicialmente a poesia e livros de literatura em geral, considerando a possibilidade de alcançar o imaginário da criança por meio da ficção e da metáfora;

 Perceber através das marcas textuais a tipologia textual, atividade essa que parte da observação de diferentes textos para identificar as características que os distinguem e as que os aproximam;

 Elaborar de forma escrita às percepções do que foi lido e ressignificado;

 Possibilitar, a partir da constatação da necessidade da troca de textos com os colegas, a percepção do valor da releitura e da reescrita para transformar o texto em um ente vivo sempre disponível para ser revisitado e reinventado.























Metodologia

Antecipações Metodológicas

Os princípios Piagetianos e vigotskianos pressupõem uma pedagogia ativa e cooperativa em sala de aula, centrada no individuo, onde o conhecimento se da através de sua interação com o meio, pressupostos esses do qual compartilho.

Assim sendo, acredito em uma metodologia onde o aluno seja implicar-se, participar da construção do seu conhecimento e do conhecimento do outro desenvolvendo habilidades e adquirindo competências.

Esta concepção é elaborada pelo próprio trabalho do aluno e pela vivência em grupo, de maneira que os conhecimentos sejam mobilizados para a resolução de problemas.

Quando nos propomos a ensinar uma criança, precisamos compreender como se dar o processo de aprendizagem, isto é, como o individuo aprende.

Nas últimas décadas, foram desenvolvidos vários estudos na área de psicologia, procurando compreender o funcionamento da mente humana diante de situações de aprendizagem.

As pesquisas do psicólogo, filósofo e biólogo Jean Piaget foram particularmente importante para possibilitar a compreensão de como a criança aprende.

Segundo seus estudos, a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos conhecimentos e de seu acréscimo à conhecimentos que o individuo já possui. É na relação com o meio que acriança se desenvolve. Nessa relação ela constrói e reconstrói suas hipóteses sobre o mundo que a cerca.

Por causa de tal concepção, essa abordagem de aprendizagem passou a ser chamada posteriormente construtivismo, aludindo ao fato de que o conhecimento é construído pelo sujeito que aprende.

Lev vygotsky também desenvolveu estudos sobre o processo de aprendizagem humana. Suas pesquisas mostraram que o conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas. Para ele, a interação e a formação lingüística são fatores primordiais para a construção do conhecimento. Depois de ter sido divulgada entre os educadores, essa abordagem recebeu o nome de sóciointeracionismo.

A mudança de ponto de vista sobre como o individuo aprende levou educadores a repensar a educação de modo geral. Antes havia apenas a preocupação com o ensinar e não com o aprender. Piaget e vygotsky colaboraram significativamente para que as práticas educacionais fossem revistas.

Com a divulgação das teorias desses pesquisadores no meio educacional, o papel do professor deixou de ser de um mero transmissor de conhecimento para ser o de mediador, facilitador do conhecimento. É tarefa do educador promover situações didáticas que garantam a aprendizagem significativa.

Vale ressaltar que essas teorias não resultam em um método de ensino, mas em reflexões fundamentais para repensar a prática pedagógica.

Procedimentos Metodológicos

 1ª etapa: observações

A experiência foi realizada com alunos da 1ª etapa do 1º ciclo do ensino fundamental de uma escola rede estadual do município de Afogados da Ingazeira. Para isto contei com a colaboração de 01 (uma) professora e 16 (dezesseis) alunos.

 2ª etapa: intervenções aplicadas como experimentação para a construção do conceito.

Será feita através de questionário tendo como objetivo avaliar as principais dúvidas que os professores possam ter quanto à possibilidade de alfabetizar os alunos. E como os alunos esperam que seja seu aprendizado em relação a sua alfabetização identificando os pressupostos teóricos que norteiam a prática pedagógica.

 3ª etapa: Análise das atividades práticas

Na análise dos dados podemos ver até onde o trabalho com os textos de tipologia diversificados e o uso de jogos, brincadeiras, oficinas e músicas, que objetivam propiciar momentos de descontração sem perder de vista a aprendizagem, levam a reflexão e ao desenvolvimento de estratégias pessoais para resolver problemas, é uma excelente oportunidade para mostrar as crianças os mais diversos aspectos e pontos de vista que uma mesma situação pode sugerir, o que, sem dúvida, desenvolve o espírito crítico e a criatividade. O aluno é estimulado, após a abordagem de algum assunto, a criar algo relativo ao tema em pauta, com o objetivo de desenvolver sua autonomia na manifestação pessoal e no processo de criação.

 4ª etapa: aprendizagens obtidas

Acredito que os textos que circulam socialmente são elementos indispensáveis no processo de alfabetização, pois se constituem em unidades lingüísticas de sentido e favorecem o processo de ensino e aprendizagem da língua numa interação significativa para as crianças para as crianças.

Observando as dificuldades que as crianças apresentam nas séries iniciais em relação ao uso funcional da leitura e escrita, percebo que o sujeito que aprende na escola tradicional, como o uso da cartilha e descontextualizado de sua realidade torna-se reduzido a um mero detentor de conhecimentos limitados, sem significado para o mesmo. Mas ao usar textos diversificados nota-se a grande diferença, os alunos são estimulados, o que vem a desenvolver a autonomia nas manifestações pessoais e no processo de criação.

 5ª etapa: averiguação das aprendizagens obtidas pelas atividades de prática exposta. Além das concepções aprendidas.

Essas foram expostas pelos alunos, em avaliações orais e escritas.

 6ª etapa: Escolha dos Jogos, Oficinas, Brincadeiras e Músicas.

Trabalhando com eles é possível uma mudança total na concepção do objetivo da aprendizagem, do processo de aprendizagem, do sujeito que aprende e também do professor, através de intervenções pedagógicas capazes de propiciar as crianças que se expressem livremente com criatividade sendo sujeito do seu próprio conhecimento.

 7ª etapa: Convite para continuar participando do estudo, realizando uma avaliação após a apreciação desses, dos conteúdos para averiguar o nível do aprendizado significativo assimilado.

Fica o convite para que os professores busquem sempre usar a avaliação formativa, a fim de propiciar ao aluno um maior desempenho no processo de ensino aprendizagem. E não esquecer de sempre buscar fundamentação teórica para ampliação da sua prática pedagógica.























Resultados e Discussão

Após a vivência do projeto de intervenção, os seguintes resultados foram alcançados: os alunos mostraram um maior desenvolvimento em relação às duas vertentes do trabalho que são leitura e escrita, via-se a satisfação ao realizarem as atividades, pois eles encontraram uma maior significância e funcionalidade ao realizarem as atividades propostas.

A experiência com textos variados e diferentes gêneros foi fundamental para a constituição do ambiente alfabetizador.a seleção do material escrito foi feita de acordo com a necessidade de colocar a disposição das crianças diversos textos e de facilitar as diferentes funções e características das praticas sociais de leitura e escrita.

Prática constante, a partir de leituras variadas, juntamente com o exercício da oralidade e da argumentação, torna os alunos capazes de operar sobre o conteúdo dos textos, identificando aspectos relevantes e analisando-os criticamente.

Acredito que o curso normal médio proporcionou-me uma formação ética e critica diante de diversos ângulos da sociedade.

Tendo convicção que minha atuação pedagógica se reflitirá de forma positiva com um grande objetivo de formar de maneira interativa um cidadão consciente capaz de atuar na sociedade ativamente.

Portanto, nós educadores devemos refletir sobre a prática utilizada, inovando-a sempre que possível e necessário, além de estarmos convictos que todos têm a mesma capacidade de aprender.

É através do conhecimento que podemos transformar as fronteiras da vida em realizações cada vez mais próximas da realidade em que vivemos, agindo assim como mediadores podemos trilhar caminhos para que o educando possa continuar cm seus próprios passos diante dos propósitos de viver

















Conclusões



A crescente importância da escola na formação de cidadãos tem apresentado a necessidade de práticas de leitura relevantes de forma que o individuo participe como cidadão em uma sociedade cada vez mais informatizada. No entanto, a escola tem percebido que a sua função não é somente transmitir valores e conhecimentos contínuos, mas propor subsídios para a formação de cidadãos participantes, críticos, reflexivos capazes de questionar e interagir com novas propostas aliadas a novas concepções.

No sentido de formar leitores, a escola, tem buscado desmistificar o ato de ler puramente por decodificação de signos, pois, na busca de novas práticas, objetiva uma postura de constante investigação possibilitando que os alunos compreendam, se apropriem e façam uso de diferentes instâncias de linguagem como forma de rompimento com as dicotomias excludentes que tem gerado um distanciamento entre a linguagem do aluno e da escola.

Nas situações em que trabalha a leitura, é importante que o professor reflita sobre a função social da mesma para propor atividades que incentivem diferentes maneiras de ler, preparando assim, o aluno, para a sua formação e atuação diante da diversidade de leitura existente no ambiente social do mesmo.

Concebendo a leitura como frente de informação, prazer e interação social, o professor deve criar condições para os alunos lerem e sejam valorizados pelo que lêem, considerando a leitura como canal de acesso na formação de leitores participantes e competentes. Faz-se necessário que o professor compreenda a sala de aula como um espaço discursivo interativo, enfatizando as práticas de leitura em sala de aula para a preparação e formação de cidadãos de modo que estes tenham oportunidade de exercer sua verdadeira identidade de leitores e escritores.

Conclui-se que para formar leitores críticos, conscientes, é preciso fazer uso de diversas estratégias de leitura visando o aprimoramento do ato de ler.

Busca-se, através deste trabalho, uma compreensão e uma reflexão crítica da prática de leitura e escrita nas escolas hoje, em que o ensino vive um processo de renovação, sobre tudo, no que se refere à formação do aluno-leitor-escritor nas séries inicias. Percebe-se que houve superação da concepção de leitura e escrita que visa apenas a decodificação do sistema alfabético, embora ainda haja práticas equivocadas,cabe a escola empenhar-se na construção de novos paradigmas que norteiam o ensino de leitura e escrita para a formação de uma nova geração de leitores críticos e abertos a novas formas de tornar eficaz e prazeroso o processo de alfabetização.

Agradecimentos

A Deus com ser supremo que nos orienta e nos conduz nessa trajetória, aos meus familiares pelo apoio e compreensão.

Aos professores, o meu agradecimento especial pelos valiosos ensinamentos, orientações e apoio.

A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram na elaboração desse trabalho.



Referências bibliográficas

ANDALÓ, Adriam. Didática da língua portuguesa para o ensino fundamental: alfabetização, letrameto, produções de textos em busca da palavra mundo. São Paulo: FTD, 2000.

CARRAHER, Teresinha Nunes. Aprender pensando/ contribuições da psicologia cognitiva para a educação. 14 ed. Petrópolis: vozes. 2000.

CÓCCO, Maria Fernandes. Didática da alfabetização e socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996.

GERALDI, João W. O texto na sala de aula. São Paulo, Ática, 1997.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo,temas básicos da educação. São Paulo, EPU, 1986.

_______.Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília, MEC / SEF, 1997.

_______. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília, MEC / SEF, 1997.



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