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29/07/08 - 10h:12m Um novo modo de ver....


. . . T V . . .

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.:Humor: Em Paz!
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.:Domingo.
18h e poucas de uma tarde preguiçosa, início de uma noite fria de inverno, chuvas espaças completavam o cenário.
Eu estava no meu quarto, entre a diversão de um game; a Divina Comédia de Dante Alighieri; as notas de For the love of God, do Steve Vai e o esboço de um poema (sim, eu sou eclético e louco o suficiente para fazer tudo isso ao mesmo tempo), quando ouvi o Faustão anunciar mais uma de suas patéticas – quiçá inúteis – atrações de seu folhetim.
Passei longe, não curto muito TV. A minha só serve mesmo pra ligar o DVD e assistir meus filmes.
Pois bem.
Mais a atração anunciada naquele Panis Circencis global me fez parar um pouco para ver o que seria aquilo.
Parei ao ver um daqueles tipos sem esperança e que tão bem retratam nosso povo. Era um rapaz. Mulato, trajando um jeans e um blazer uns dois tamanhos maiores que o que ele – caso usasse – estaria de fato vestindo se fosse seu.
E lá foi anunciado como atração e dizia o rapaz que queria cantar uma música em 30 segundos, nome também do quadro então apresentado.
E cantou mesmo! Mas entendi absolutamente nada do que pronunciava.
Trouxeram uma morena bailarina para dançar com ele, sim dançar, nestas horas ele já havia se tornado de fato atração do programa ultrapassando, por esta hora os 113 segundos, contados em meu relógio de pulso.
E naqueles trejeitos, meio punk, meio soul, meio balck music ou dança de bêbado em fim de festa ele teve seus momentos de fama. Coitado.
Mal sabia ele que em casa, nas salas, quartos, ou seja, lá onde as TV’s estivessem ligadas ele era simplesmente um bufão de um circo trágico daquilo que vulgarmente insistem em chamar de Cultura Brasileira. Vai entender... O pobre rapaz era iludido pelas luzes, câmeras e um apresentador balofo e vazio lá fazia o papel de domador e ele, assim ofuscado, era mais um macaco amestrado satisfazendo sua platéia.
Aquele, meu amigo, minha amiga, era o retrato de um povo.
Aquele rapaz desajeitado e com um sorriso tão puro era mais um brasileiro, mais um Severino, um José, um João ninguém buscando ali uma identidade. Buscando naquelas luzes ser não mais um vaga-lume de luz fosca. Ser, em sua ingenuidade, estrela cadente. Mais como toda estrela cadente, seu brilho se apaga em segundos, antes mesmo que possamos fazer um pedido: Por favor, meu caro rapaz, não repita esta feita!
E encerrou-se o quadro e saiu de cena, para ser esquecido 30 segundos depois, por milhares que o viram.
Em seu rosto a felicidade e no bolso uns poucos trocados.
E na minha mente ficou mais uma cena estranha de uma televisão sensacionalista, que vê na desgraça e pobreza de seus semelhantes motivo para ibope.
Mas todo reino precisa de bobos em sua corte. Aquele, tenha absoluta certeza, foi mais um!
Que pena...
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.:Jairo:.
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.:Você esta ouvindo...
Sun always shines on TV - A-ha
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.: Homo hominus lupus est! .:.
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