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Anjos Rebelde
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Desabafo cor de sangue
De onde tirei de mim
felicidade
de como arranquei de mimos tufos
da saudade
De como sobrevivi
a tantas e tão constantes
tempestades
de como ainda sorri
e disse
Olá
De como percebi que a minha sina
não era só a de perder
mas poderia ser
a de ganhar
De quanto persegui aqueles sonhos
que são da infância
sim
Mas o que há
que sonhos já não podem mais
nem ser sonhados
Que trunfos nem sequer maispodem
ser usados
na hora que convém
Que cartas
não se escondem mais
por sob as mangas
por sobre
abas de chapéu
por entre tranças e algum véu
serenidade
Eles estão em meio a densos
caudalosos rios que percorrem
veias vivas
Veias que podem ser abertas
e delas extraída
tinta rubra
Algo que conta mais do que cantiga
que cantaram
para nós
Como se fossemos sempre
ser alguém pequeno
de olho arregalado
diante [e distante]
do desdém
E do que existe para além do Além
ou do aquém
da Vida
Ou do horizonte
que se tem
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