Aborto
É triste para eu vê-la em meus braços
Com o seu amor que não é de plástico
Enquanto dou passos pela lua
É triste para eu ter que calar
A vida que há em minhas entranhas
E que não puderam nascer
É triste sustentar uma coragem que nunca tive
E ver crescer um homem que não sou eu
É triste criar os filhos que não fiz
E abortar o amor que alimentei
É triste e duro como qualquer verdade
Que não quer nunca ser gritada
Desviar de meteoros e estrelas cadentes
É o preço que eu hei de pagar por calar a minha fome
Alimentar uma fome que não a minha
É dar a luz a minha morte
Saciar a sede que não a nossa própria sede
É abortar os filhos que há em nós
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posted by Sergio Maranhão
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