25/04/07 - 05h:19mDenunciar

Aborto

É triste para eu vê-la em meus braços

Com o seu amor que não é de plástico

Enquanto dou passos pela lua

É triste para eu ter que calar

A vida que há em minhas entranhas

E que não puderam nascer



É triste sustentar uma coragem que nunca tive

E ver crescer um homem que não sou eu

É triste criar os filhos que não fiz

E abortar o amor que alimentei

É triste e duro como qualquer verdade

Que não quer nunca ser gritada



Desviar de meteoros e estrelas cadentes

É o preço que eu hei de pagar por calar a minha fome

Alimentar uma fome que não a minha

É dar a luz a minha morte

Saciar a sede que não a nossa própria sede

É abortar os filhos que há em nós



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posted by Sergio Maranhão

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