Este texto não tem pretensão literária, é apenas uma cartinha de despedida simples e meio jogada, uma ruptura abrupta e necessária entre nós. Eu só queria dizer antes de partir, que eu continuo o mesmo, ainda que completamente diferente. Eu continuo deixando tudo pra última hora, preconceituoso, dorminhoco demais e mal-humorado além da conta. Eu continuo com medo de tudo e de todos ainda que isso, por alguma razão louca, me faça amar ainda mais tudo e todos.
Mas eu também descobri coisas deliciosas a meu respeito como, por exemplo, que eu sou tímido e nem sabia! Descobri, depois de muito meditar, ler, refletir, fazer yoga, estudar mitologia, e fazer terapia, que o que realmente faz uma pessoa feliz e plena é o amor.
Eu ainda fico triste do nada porque viver é um drama, mas sabe o que eu descobri? Que essa vida dramática é muito engraçada. Semana passada eu e alguns amigos rimos a noite inteira e celebramos o fato de sermos únicos, de sermos sozinhos, de sermos tão parecidos e de sermos uns dos outros. Eu descobri que a melhor coisa do mundo são os amigos e por isso queria dizer: Anderson, Letícia, Paula Clarissa, Cosme, Dinho, Daniel e Delmy, eu amo vocês pra cacete.
Queria dizer pra vocês que eu enchi quatro sacos de coisas velhas e mortas e joguei no lixo.
Queria dizer pra vocês todos que, pela primeira vez na vida, depois de tanto tempo, ela me ligou e eu não atendi, por pura preguiça de andar pra trás ou aceitar um amor de alguém tão egoísta. Fiquei olhando seu número piscar na telinha do celular, e depois de jogá-lo entre as almofadas sem atender, percebi: não a amo mais, ela não mexe mais comigo, e isso não me assusta. Putz, como eu precisava disso...
Queria dizer que eu não acho mais que passei do peso, que fulana passou da conta de imbecilidades e que fulano se esqueceu de ser real. Eu apenas queria dizer que eu tô bem em forma, sou bem bacana e, graças a Deus, tenho plena certeza do que vim fazer nesse planeta.
Queria aproveitar para fazer um elogio a mim mesmo. Sim, chega de me detonar. Queria te dizer, Wallace, que nenhuma das vezes em que eu cheguei perto da janela, fiquei na ponta dos pés e pensei em pular eu estava sendo justo. Queria te dizer que, apesar de você se sentir imensamente sozinho de vez em quando, eu sou milhares, e todos esses milhares te acham a melhor pessoa do mundo. Queria bater palmas pra todas as vezes em que você sacrificou o que você mais amava em nome de seguir a diante com o teu fígado, e todas as vezes em que você ficou pequenininho para que ficar grande fosse ainda maior. Obrigado por nunca ter fugido de mim, obrigado por ter me encontrado, obrigado por estar aqui. Confie que agora, de dentro de mim, conquistar o mundo vai ser moleza. Ah, e tem mais: suas pernas não são as únicas coisas bonitas em você, mas você tem que se cuidar!
Enquanto eu não volto, se é que um dia volto, deixo vocês com o filme “Crash – No limite”; o livro é melhor, mas Matt Damon e Brendan Fraser valem a pena mesmo empobrecidos. Deixo vocês com um fim de tarde na Lapa, (ou uma quinta no Dito & Feito, ou uma sexta no Armazém Carioca, ou um sábado no Botequim Informal), os lugares onde sempre sou feliz porque sempre dá pra ser feliz. Deixo vocês com a voz da Danni Carlos, com a frase maravilhosa de Vinícius, “a vida só se dá pra quem se deu”, e com a sopa de aspargos do “Pasta e Vino” do Leblon.
Não vou deixar rastros como orkut e MSN, pois as pessoas que quero encontrar (e mais importante, as pessoas que eu quero que me encontrem) sabem como me achar, mesmo sem internet.
Meu peito está cheio de curiosidade e alegria. É possível sim amar a vida, ainda que qualquer amor tenha seus dias de crise. E eu só queria deixar todos vocês com um pedaço de mim. Pode pegar sem cerimônia, alma quanto mais a gente dá, mais a gente tem.
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O subterfúgios acabou...
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(E eu nunca fui gato da semana... néah?)