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13/11/07 - 23h:46m \\


Tags: parada, gay



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Parada Gay em Manaus

Parada Gay em Manaus: movimento de amar



Por Jeffeson Pereira, Márcio Gomes, Mônica Colares e Welton Oda





Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que quebrar um preconceito.



Albert Einstein





A Parada Gay 2007 constituiu-se num importante movimento de massas pelo contraponto ao crescente “neopentecostalismo hipócrita do cu quente”. Por falar nisso, cristianismo pai d`égua mesmo é o de Leonardo Boff (que até no nome combina com parada gay) que disse: “onde há amor entre casais, ou entre homossexuais, onde há amor, há ato de Deus”.



É ruim ser reprimido, pior é querer reprimir. Nesta Parada foi possível ver 3 pontos: quem reprime, quem é reprimido, e a própria repressão.



Os que reprimem, usam de todos os expedientes, piadas, xingamentos, até mesmo agressão física, nessa imensa arena de vale tudo do campo social. Para muitos, ser diferente se confunde com agressão psicológica e vira fobia, daí, para virar agressão é fácil, difícil é ver quem promove a exclusão. O próprio desfile foi realizado em bairro nobre, e inclusive (e também “exclusive”) há quem pense que o poder aquisitivo livra as pessoas de preconceitos, alienações, manipulações e as torna compreensíveis com o diferente, abertas ao diálogo, à reflexão. Só mesmo quem não conhece patys e pitbois da classe média poderia achar que em bairros de “menor classe”, haveria menos tolerância ao desfile, e por isso mesmo, seria necessário até mais policiamento. Para a quantidade de pessoas presentes no desfile, o “contingente” policial estava “parco”. Chique até demais para esta burguesia que não entende as complexas nuances da vida em sociedade.



Mas o desfile do orgulho gay se não tem força física, tem pelo menos força psicológica para se impor. Se, de longe ninguém é normal, de perto ficava fácil de perceber como tem gente reprimida nesse mundo. Aqueles que normalmente ficariam xingando, batendo, fazendo piada, pelo menos tiveram que ficar calados ou rindo em grupinho sem ser percebidos ou premiados socialmente com olhar de aprovação. É aquela coisa do ambiente, se você está na chuva, é quase impossível se queimar. Isso se percebeu, já que era um desfile para privilegiar a diferença, a polaridade se inverteu, o normal era ser diferente.



Em um país ainda tão preconceituoso no que diz respeito às minorias sexuais, a possibilidade de reunir pessoas para debater a temática seria bastante remota. No entanto, surpreendentemente, nosso país tem conseguido reunir, nas Paradas, um número espetacular de pessoas, três milhões só em São Paulo, a maior Parada do mundo. Por isso a gente fica querendo saber o motivo que impulsiona as pessoas a saírem de casa e estarem presentes neste evento. Vão à Parada para talvez sorrir com os descontraídos gestos da comunidade GLBTs (Gays, lésbicas, bissexuais, transgênero, transexuais e travestis), para assistir ao desfile de pompa e glamour dos carros, para “ver coisas novas”, para participarem de uma despreocupada passeata e de um desfile de menor importância... São hipóteses. Porém o que podemos afirmar é que este público não está motivado a refletir sobre outras formas de manifestação do amor. Durante a festa tudo é alegria, o Brasil é o país da diversidade, sustentada pela leveza das plumas da roupa dos travestis, que no momento são socialmente aceitos e até motivados a fazer pose para foto de recordação, esquece-se momentaneamente que vivemos em um dos países mais homofóbicos do mundo, tudo é descontração e o show não pode parar!



E foi uma grande festa o último domingo de outubro em Manaus, só que, apesar de reconhecermos o esforço dos organizadores para sua realização, percebemos que os carros de som não traziam nenhuma frase de protesto, de angústia, de reivindicação, não havia imagem alguma que pudesse salientar a luta das minorias sexuais, com exceção de um banner que demonstrava um casal de homossexuais masculino. Este evento poderia ter posto em evidência a violência e o preconceito sofrido pela comunidade GLBTs e proclamar o respeito à orientação sexual diferente da intitulada correta, única e moralmente aceita, por isso, entre tanto brilho e empolgação, faltou a reflexão sobre os atos discriminatórios sofridos nos outros dias do ano.



Ainda na parada verificamos os oportunistas de plantão, de toda espécie de partidos políticos, aproveitando o aglomerado da população para se autopromover (Brás Silva, Conceição Sampaio, Glória Carrate). Dar visibilidade à causa homossexual? Lógico que não, é necessário tremular a bandeira, talvez como escape, desabafo ou desculpa do que não foi feito a favor dos estudantes e das minorias sexuais.



E assim a gente fica sonhando com aquela cidade ideal, onde uma mulher não será discriminada se ela quiser ser ♫“Paraíba masculina / Muié macho sim senhor”♫, e nenhum homem ficará constrangido quando tiver que cantar “Eu sei como pisar / No coração de uma mulher / Já fui mulher eu sei / Já fui mulher eu sei”! Afinal, que circunstâncias históricas construíram essa coisa que é a heterossexualidade? Por que muitos resmungam e viram a cara ao verem Frida Kahlo dançar sensualmente com outra mulher, no filme de Julie Taymor? Então, a parada (gay) é a seguinte, já está na hora de acabar com esse negócio de homofobia.



Por isso a gente foi lá, pra estar junto com essas pessoas alegres que amam e são discriminadas porque seu amor não é o amor-padrão (papai-mamãe). Agora, é preciso transformar todo aquele humor e amor num movimento político-artístico-filosófico. Aí sim, vai ser uma parada louca, para além da rasgação desejada pela animadora do palco! Já pensou, camisas com frases de Michel Foucault e Oscar Wilde, poemas de Rimbaud sendo distribuídos, exibições cinematográficas de Pedro Almodóvar e Pier Paolo Pasolini, além de bailarinos/as GLBTs dançando ao som de Tchaikovsky, Cazuza, Renato Russo, Cássia Eller, Ana Carolina... E, claro, nossa boa e velha Lecy Brandão, uma das primeiras brasileiras a sair do armário. Isso é a nossa utopia, mas é uma possibilidade.



Inclusive uns babados deste tipo já rolam por aí. A Pastora Metodista Nancy Cardoso Pereira nos conta que em São Leopoldo o papo é outro. O processo de organização da Parada Gay inclui um extenso programa de debates, teatro, audiência pública, discussão com setores políticos, aprovação de leis, exposição de materiais, campanhas, etc.



Aí sim, vai abalar geral!





Quero me encontrar, mas não sei onde estou

Vem comigo procurar algum lugar mais calmo

Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita

Tenho quase certeza que eu não sou daqui



Legião Urbana











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