08/07/06 - 16h:03mDenunciar

As religiões e sua função social



Existem diversas religiões no mundo, todas elas precisam de preceitos; normas; fé em algo transcendente; entre outras coisas para se manterem. Cada uma tem suas especificidades, que permitem até que umas contrastem com outras. No entanto alguns dos princípios que norteiam as religiões são bem parecidos na idéia e na função que exercem.

Dentre as várias semelhanças entre as religiões, está o que poderia ser chamado de função social. Esta função se daria através dos dogmas que levam à passividade e por meio de um contrato entre homens. Funcionaria como estabilizador social, mantendo assim a sociedade coesa.

Dogmas são como leis para as religiões. Só que são leis absolutas. São tidas como incontestáveis, como verdades únicas. Por isso eles têm forte influência sobre os que as seguem.

Alguns desses dogmas levam as pessoas a manterem hábitos e atitudes em relação às outras pessoas. Hábitos que facilitam a convivência; por isso chamá-lo de “contrato entre os homens”. Este contrato, quando existe, se encontra diretamente ligado à divindade, não se mantém sozinho.

O Hinduísmo, por exemplo, prega que é somente pela reencarnação que o indivíduo tem a possibilidade de passar para uma casta mais elevada. O que não permite que a pessoa possa almejar uma situação melhor ainda em vida. O carma, também presente no Budismo e no Espiritismo explica porque as pessoas vivem em condições diferentes umas das outras.

A idéia do destino, dos acontecimentos predestinados, presente em algumas religiões, também impedem qualquer tipo de questionamento, pois a ação das pessoas independe do que vai acontecer. E ainda gera conformismo e passividade. No Islamismo temos como um dos preceitos o homem ter de se submeter a Deus em todas as áreas de sua vida.

Através de conceitos maniqueístas como bem e mal; céu e inferno, muitas religiões controlam seus fiéis pelo medo. Muitas crianças já ouviram que se não fizessem determinada coisa ( ou fizessem, depende do quê ) seriam castigadas por Deus ou poderiam ir para o inferno se continuassem a fazer coisas ruins ou deixassem de fazer coisas boas. No Cristianismo e no Islamismo a sentença se da no juízo final, se a pessoa tiver tido uma vida cheia de boas ações e se arrepender de seus pecados irá para o paraíso, caso contrário irá para o inferno.

O Catolicismo e o Judaísmo são dois bons exemplos no quesito “contrato entre homens”. Eles trazem leis e mandamentos que tem como base valores como honestidade e respeito. São mandamentos que visam o bem estar entre os homens. Por exemplo, “honrar pai e mãe” e “não furtar”. Um dos princípios do judaísmo é a frase “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. A Igreja Messiânica diz que é na prática altruísta que os fiéis evoluem, quem almeja ser feliz, primeiramente deve fazer feliz seu semelhante.

Alguns estudiosos afirmam que a vida em sociedade seria praticamente impossível sem as religiões, sem a fé em algo transcendente. Existiriam muitos conflitos, e a convivência seria difícil, pois, segundo eles, são as religiões que melhor suprem a necessidade que o homem tem de um conjunto ético para nortear a vida em comunidade, por lidar com verdades absolutas. Talvez a vida não fosse tão conflituosa como afirmam essas pessoas, os valores éticos e morais existem e independem das religiões. Se uma pessoa deixa de acreditar em alguma divindade, não quer dizer que vá se tornar uma pessoa ruim e sem escrúpulos. Entre os adeptos do veganismo (“filosofia” de vida que prega que o homem não necessita da exploração animal para continuar a viver e, por isso, deve-se abolir todo o tipo de crueldade com os animais; portanto, os vegans não se alimentam de nenhum produto de origem animal, não usam pele de animais como vestimenta ou acessórios e boicotam empresas que testam produtos em animais e empresas que causem danos a animais), por exemplo, estão agnósticos, ateus e pessoas sem religião. Essas pessoas são contra a exploração, os maus tratos e a matança de animais por terem como princípios a ética, o respeito, a liberdade e a compaixão. Mas, de fato, as religiões vêm para cumprir essas função de moderadora da vida social.

São várias as religiões existentes, muitas não fizeram parte dessa análise, que falou da função social das religiões de uma forma geral, citando algumas como exemplo sob duas perspectivas: a do controle social através de dogmas – que inibem a autonomia das pessoas; e a do contrato entre os homens junto ao contrato entre Deus e os homens.

As religiões surgiram, foram se adaptando e conquistando vários adeptos, muitas ainda estão surgindo. Exercem ainda forte influência em várias áreas da sociedade e, por isso, é um assunto que merece atenção e reflexão, devendo ser discutido, questionado e analisado, entre outras coisas.



Sobre a autora:

Lucília não se identificou no email, portanto eu não sei o que colocar aqui!



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