1/03/17 21:03Denunciar

Ciclos-Badu


Não quis entender a voz que cala no adeus repentino, a escrita do destino, e o elegante trato que de fato ludibriou e levou parte do sorriso.
Acomodei-me em esperas, esferas de fantasias, folhas descoloridas em um dia para viver e outro para padecer.
E na hora marcada cantei já em lamento pedindo piedade pelo pecado ordenado da estação.
O verão findou e na agonia trouxe o medo, na arrogância cumpriu o papel descrito, onde o fabulista retratou desacordo.
Oras, que posso eu fazer se cantar me faz feliz?
E eu sou apenas marionete no desequilíbrio das mãos que não preservam a minha vontade de continuar de pé.
Nem a fé me mantém firme, me resta chorar descontento, dito isso eu canto e canto, aqui e ali até que a fábula dê razão a todas as falas e me faça um ser assim faroleiro.
Aqui espero outro rigoroso frio, que se adentre fortemente em meu corpo e toda essa maldade me fará alma gélida, ainda com uma ponta de esperança mendigando que o sol derreta em partes todo desamor.
E no preciso tempo encontro notas desacordadas que ainda comportem nova canção, mesmo que o desequilíbrio confunda a harmônica.
Canto para que meu coração transborde em melodias suaves e no acalento envergonhe a dor, em miserada fase na nudez das flores, nas nulas canções.
Tenho dito verdades, tudo aquilo que sinto como no tocante choro da criança, na afônica voz da incompreensão e afoito grito do silêncio que revela canções em sintonia.
Respeito, não na totalidade das linhas desenhadas, porque me arrisco nas vitórias e renasço nos fracassos, em um ciclo renovado e direcionado ao fim.

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