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Adolescência:

por afegao em 04/03/05 - 11h:04m

Na adolescência, Marilyn pôde mesmo observar o lixo que era (e que é) o cristianismo: estudou em um colégio cristão, daqueles bem tradicionais, (meias azuis nas segundas, quartas e sextas; camiseta amarela ou branca nas terças e quintas...) Era o Heritage Christian School. "Meus professores explicavam as coisas não como se fossem opiniões abertas para outros tipos de interpretação, mas sim como irrefutáveis fatos ordenados pela Bíblia". Manson confessa, pág. 19. A partir daí, Marilyn começa a ter pesadelos, e a ficar assustado com as idéias do fim do mundo e do Anticristo (isso era muito preferido por seus professores).

Apesar de tudo, Manson ainda conseguiu encontrar algo "sexy" em sua professora, a sra. Price, a mesma que lhe fazia ter pesadelos à noite... O único lugar que Manson se sobressaía era na pista de patinação. Sim, Marilyn Manson patinava ! O sonho dele era ser campeão de patinação, e ele até tinha um par, Lisa, uma garota de uma família muito, muito religiosa; mas ela acabou sendo uma das primeiras garotas de quem gostou. Manson ia à igreja com Lisa e a mãe dela (que não simpatizava muito com ele), porque essa era realmente a única forma de estar ao lado de Lisa, sem ser na pista de patinação. Mas ela o decepcionou, mostrando seu "lado-monstro" que todo cristão tem, infelizmente. E ele não retornou a falar com ela.

Manson, um dia, pegou uma foto que sua vó havia tirado em um vôo de avião na qual aparecia, aparentemente, um anjo no meio das nuvens, e levou para seus professores da escola olharem. Marilyn estava entusiamado pois "eu ainda acreditava em todas as coisas que eles tinham me ensinado sobre o céu e queria mostrar a eles que a minha vó tinha visto aquilo [na foto]"(pág. 22). Mas a desilusão veio à tona: chegaram a mandar Manson pra casa por dizer blasfêmias. Manson tinha sido punido por tentar encaixar-se nas idéias do cristianismo. Ele ficou morrendo de medo de não ir para o céu por ter feito aquilo e não ser "salvo", como tanto ouvia de seus professores. Mas gradualmente, Marilyn Manson começou a ficar ressentido mesmo, com sua escola cristã, e começou a duvidar de tudo que ouvia dos professores sobre o cristianismo. Manson chegou até a falar com seus pais para ir para uma escola pública, pois "tudo que gosto, eles são contra" - Manson argumentava com seus pais. Mas eles não deram muito bola.

Na escola, eram proibidos doces, balas e coisas do gênero (a não ser em ocasiões raras) por isso a maioria dessas coisas era contrabandeada. Havia uma loja na vizinhança de Manson que vendia esses doces, balas e guloseimas e algumas até produziam alguma reação química no organismo (como estourar na boca, balinhas cheias de gás, parecendo coca-cola ou deixar seus dentes pretos, etc.) e Manson começou a vender esses doces (que eram quase drogas) na escola, pois ninguém tinha acesso aquilo lá dentro. Marilyn ganhou uns bons trocados com isso, até ser suspenso das aulas (mas não expulso do colégio).

Seu segundo "projeto" foi a criação de uma revistinha de besteiras, chamada Stupid, que ele vendia na escola (na verdade era pura sacanagem porque ele havia copiado aquilo de algum lugar), como quando fazia com as guloseimas. O mascote da revista tinha um bigote, um narigão, uma coleira de cachorro no pescoço, um chicote na mão e usava meia-calça, cinta-liga e botas, etc. Então, um dia a diretora do colégio, a Sra. Carolyn Cole pegou Manson vendendo sua revista e o levou para seu escritório, furiosa e mandou que explicasse tudo aquilo, que ela não conseguia imaginar que fosse arte, entretenimento ou uma simples comédia. Manson se enfureceu, e jogou os papéis da revista pro alto. A diretora ficou exacerbada e ordenou que Manson segurasse nos tornozelos, de pé. Ela pegou então, tipo uma raquete e Manson apanhou na bunda, três vezes!

Mais tarde (nem tanto), Marilyn começou a gostar de rock: KISS, Black Sabbath, Alice Cooper, AC/DC, David Bowie, Queen, etc. E a se interessar por satanismo. Nas músicas era muito comum encontrar mensagens satânicas rodadas de trás para frente, um absurdo no colégio cristão onde ele estudava. Podemos chamar de "3º projeto de Manson" quando ele começou a vender, desta vez, fitas cassette em seu colégio, com músicas (rock) que falavam de masturbação, entre outras coisas. Desta vez, Manson levou bilhete na agenda, entre outros, e inclusive seus pais foram chamados no colégio.

Mas... Resumindo, ninguém gostava muito daquele cara, o Brian Warner, que vendia coisas "impróprias" em sua escola e escutava heavy metal. Eles só não expulsavam Brian da escola porque ele podia pagar. Metade dos alunos que estudavam lá eram de baixa renda e a escola recebia uma ninharia do Estado para matriculá-los. Imagina se eles iam expulsar o garoto. Era a última noite de Manson em Canton, Ohio. Estava tudo arrumado: os pôsteres, camisetas, fotografias, etc. Tudo relativo a rock, sexo, drogas e o "oculto". Ele iria com seus pais para Fort Lauderdale, na Florida. "Nessa última noite em Canton, eu sabia que o Brian Warner estava morrendo", ele conta na pág. 32. E o objetivo dele era mesmo renascer, melhor ou pior... Ele estava na sua cama em Canton, refletindo sobre tudo que havia passado até então... Ele já tinha até alguns amigos formados na sua nova escola em Fort Lauderdale, mas no seu recém oitavo dia foi forçado a ficar duas semanas no hospital, por causa de uma reação alérgica causada por um antibiótico para gripe. As suas mãos e pés incharam, uma erupção cutânea [uma espinha ou algo ainda pior] havia estourado em seu pescoço e ele tinha problemas com a respiração pois seus pulmões estavam muito inchados. Inclusive os médicos que o analisaram disseram que ele poderia morrer. Mas até aí, ele já tinha feito uma amiga: Jannifer, que acabou sendo sua primeira namoradinha, e também tinha feito um inimigo: John Crowell. Ele usava camisetas do Iron Maiden e calças jeans, era grande (metido à machão), e todos os pirralhos saíam da frente pra ele passar. John era o ex-namorado de Jannifer; obviamente, ele passou a ODIAR Manson por seu envolvimento com sua ex-namorada. Durante sua primeira semana no hospital, Jannifer ia visitá-lo todos os dias. Marilyn estava determinado a perder sua virgindade com ela, mas ela não deixava que ele a tocasse nunca. Ele até tentou, mas na sua segunda semana no hospital ela já havia o deixado. Nem apareceu mais. Hospitais, más experiências com mulheres e sexualidade foram completamente familiares a Manson nessa época de sua vida. Nessa parte do livro ele relembra de quando tinha 4 anos e teve que ir ao médico para aumentar a uretra, pois seu canal urinário não estava do tamanho normal. E o médico teve que fazer um exame horroroso em seu pobre pinto, que parecia urinar gasolina, por meses depois do fato. Manson sempre ia pro hospital, seja por pneumonia ou outros motivos... Um belo dia (nem tão belo assim), Marilyn foi à pista de patinação do colégio [disto não tenho certeza] e uma garota pediu para fazer um par com ele na pista e ele foi. Quando eles pararam de patinar, chegou um cara negro, conhecido como "Frog", que puxou a garota para seu lado, sem dizer uma palavra e depois disso ainda deu um soco no rosto de Manson, que chegou a cair no chão com a boca sangrando. Então o cara disse, cuspindo saliva: "Você dançou/patinou com a minha namorada" e, nas palavras de Manson: "eu nem gostava daquela garota, mas ela quase estragou minha carreira como cantor. Na sala de emergências, eles me disseram que o dano [no caso, um problema nas juntas mandibulares - um deslocamento] era permanente,; um distúrbio que me deu fortes dores maxilares.", pág. 35. Bom, depois de duas semanas no hospital, Manson voltou à escola, sozinho e humilhado. Ninguém queria fazer amizade com um cara com um cabelão (Manson já tinha os cabelos compridos) e que usava umas camisetas do Judas Priest, ou coisas do gênero. Foi daí que Manson começou a falar com John Crowell (seu antigo inimigo) pois eles tinham agora algo em comum: ódio da Jannifer (a garota que havia deixado Manson no hospital) e então eles fizeram uma aliança contra ela, e começaram a pensar em formas de atormentá-la. Um dia eles, mais o Chad, primo do Marilyn, decidiram entrar no pátio da casa de Jannifer, com o escopo de desenhar algo bem obsceno no banheiro da casa dela. Mas enquanto Manson estava pensando em algo bem ofensivo para desenhar, alguém acendeu a luz e o plano foi por água abaixo. Depois de um tempo, John Crowell veio apresentar Tina Potts a Manson e eles começaram a se falar, quando não havia ninguém por perto. Um dia eles macaram um encontro num parque, e foram. Lá, foram a um lugar meio escondido, e em um instante Manson estava com a mão dentro da calcinha de Tina! A primeira coisa que surgiu em sua mente foi o quão "cabeluda" ela era, e a segunda foi que ele estava simplesmente tocando, "apalpando" uma garota e apertando seus seios, e Marilyn estava realmente muito excitado, achou melhor eles darem uma voltinha. Depois desse fato Manson quase transou com Tina, mas na hora H acabou não rolando. Depois ele não falou muito mais com ela, ele sabia que para ela eles realmente não tinham feito sexo, mas para ele e seus amigos, Manson não era mais um garoto desesperado, e sim um homem desesperado. Depois disso, Manson se interessou por uma garota (do colégio) chamada Beth Kroger: a mais rica e popular garota de todo colégio. Manson passou 3 anos "sondando" a garota, até que tomou coragem e a convidou para uma festa. E ela aceitou. E eles encerraram a festa bebendo cerveja, com Marilyn sentado ao lado dela desconfortavelmente, assustado para se manifestar pois ela parecia completamente pudica. É parecia... Mas essa idéia que Manson fazia dela se desintegrou na hora em que ela rasgou suas roupas e subiu pra cima dele, sem se importar com camisinha, e transou com ele como "um animal selvagem montado em uma máquina de alta velocidade", nas palavras de Manson, pág. 37. [Tradução aproximada]. Mas... E finalmente Manson conheceu em um jogo de futebol a primeira garota que lhe fez sexo oral (e muitas outras coisa, é claro). O nome dela era Louise e eles ficavam transando o escutando Rush e David Bowie no quarto do Marilyn, quando os pais dele saíam para trabalhar. Mas depois de uma semana, Louise parou de responder às chamadas de Manson. Ele estava assustado, não sabia o que fazer, ficava imaginando que a garota poderia estar grávida (porque nem sempre eles haviam usado camisinha) ou que ela tivesse morrido ou coisa assim. Então Manson decidiu telefonar pra casa dela, mas disfarçando a voz com uma roupa, caso os pais da garota atendessem ao telefone. Mas ela própria acabou atendendo, pediu desculpas por não ter mais falado com Manson e disse que estava doente, mas não quis especificar nada. Marilyn ficou achando que ela estava o evitando pois deveria ter um outro namorado ou coisa assim. Depois disso, Manson teve um problema na região pubiana: piolhos (contraídos de Louise) e, ademais, Manson estava com a cara CHEIA de espinhas. Um dia Marilyn foi à casa de John Crowell, que começou a lhe mostrar "locais proibidos" da casa, onde seu irmao fazia um tipo (vários tipos) de magia negra e coisas assim. Havia fotos de professores e ex-namoradas cheias de sangue e com obscenidades desenhadas sobre si, ou em volta. E John ainda mostrou a Manson uma outra parte da casa, onde seu irmão teria vendido sua alma ao Diabo. Havia imagens de pessoas mortas, entre outras coisas e Marilyn estava terrificado pois nunca tinha visto aquilo antes. Depois eles foram andando sorrateiramente pela casa, e John ia mostando outras coisas de seu irmão, como pentagramas, mensagens ou coisas que representavam Satã, logos de bandas de heavy metal, e palavras ou frases como "cocksucker" e "fuck your mother". O lugar era como uma floresta obscura, havia luzes esquisitas, velas e todos esses objetos e imagens. Manson estava assustado, mas era curioso. Então John o levou a uma outra sala, que era completamente vazia, a não ser por um pentagrama e mensagens indecifráveis na parede. Daí John abriu um livro e disse que iria abrir as portas do inferno para chamar os espíritos que haviam vivido naquela casa, e ambos ficaram escutando o nada na escuridão... (a não ser pelo coração de Manson, que pulsava quase saltando pela boca). Depois, decidiram "retornar à casa de John" (onde eles estavam era um lugar secreto do irmão do cara), mais silenciosamente possível, pois o irmão de John Crowell estava na casa. E eles acabaram encontrando-no, com os olhos vermelhos, parecendo sedado. Havia um gato branco em seus braços, que ele acariciava. E John explicou a Manson que o gato era como um demônio em forma de animal que o ajudava com suas mágicas. Aquele gato, que parecia tão inocente e puro, agora havia se tornado uma perigosa e malevolente criatura na mente de Marilyn. "Este gato irá te matar" disse John Crowell para assustar Manson. "Quando você for dormir, ele irá arranhar seus olhos e morder sua língua quando você tentar gritar.", John insistiu. Então o irmão de Crowell disse: "vamos lá em cima" [referia-se ao andar de cima da casa, o "quarto proibido"]. E foram os três. Lá havia um coelho sacrificado, velas vermelhas, entre outras coisas. Daí perguntaram se Manson queria fumar uma droga, como maconha. Na verdade era uma mistura. Manson "teve" que aceitar, estava com medo e parecia que eles iam obrigá-lo a fazer aquilo ou iam bater nele se não fizesse... Manson estava atônito. Tomou as drogas, sentou-se tonto no chão e o irmão de John então começou a arengar, sem mais nem menos; pronunciava nomes de espíritos e demônios que planejava conjurar e ordenar que matassem pessoas como: professores que o tinham reprovado, namoradas que o tinham largado, empregadores que o tinham despedido, etc., etc. "Minutos ou horas transcorridas. (...) A música do Black Sabbath 'Paranoid' estava tocando no aparelho de som, ou na minha cabeça, o gato estava silvando para mim, o quarto estava rodando, o irmão de John estava me desafiando a beber um líquido [uma droga] e John estava cantando ou falando algumas palavras.", fala Marilyn na pág. 45. [Tradução aproximada] Do resto, Manson não se lembra. Só se lembra que acordou 5 da tarde e o gato estava o observando. Manson vomitou. Vomitou bastante. "Mas eu percebi que eu tinha aprendido alguma coisa na noite passada: que eu posso usar magia negra para mudar a modesta vida que eu tinha em minha volta - a fim de alcançar a posição de poder que outras pessoas invejam e realizar coisas que outras pessoas não podem" disse Manson na pág. 45. . "Embora eu tivesse muitas coisas em comum com meu pai, eu nunca admiti isso. A maior parte da minha infância e adolescência eu passei com medo dele. Ele constantemente me ameaçava mandar pra fora de casa e nunca deixou de relembrar-me que eu era um imprestável e não ia nunca ser nada." (pág. 46) "Então eu cresci como um garotinho da mamãe, mimado por ela e ingrato por isso. (...) Ela queria que eu fosse só como ela, que dependesse dela, que nunca a deixasse. (...) Na primeira série do 2º grau, eu comecei a me sentir mais e mais isolado, sem amigos e frustrado sexualmente. Eu sentava na minha mesa da escola com meu canivete e ficava fazendo cortes no meu antebraço. Eu não me preocupava tanto em me sobressair na escola. A maior parte da minha educação eu aprendia fora da escola, quando eu escapava para um mundo de fantasia -- brincando com jogos, lendo livros como a biografia do Jim Morrison (No one here gets out alive), escrevendo poemas macabros e historinhas , e escutando música. Eu comecei a apreciar a música como um cicatrizante universal, uma entrada para um lugar onde eu poderia ser aceito, um lugar sem regras nem juízos.", conta Marilyn na página 47. (...) Os pais de Marilyn Manson às vezes brigavam e gritavam um com o outro, por isso "ódio e raiva são contagiosos de qualquer modo, e eu logo comecei a me ressentir com a minha mãe porque eu pensava que ela estava acabando com o casamento. Eu sentava na minha cama e chorava, pensando sobre o que iria acontecer se meus pais se separassem. Eu estava com medo de que eu tivesse que escolher entre os dois, e como eu vivia assustado com meu pai, eu acabaria morando na miséria com a minha mãe. (...) Eu estava amargurado e zangado, não só por causa dos meus pais, mas por causa do mundo." [Manson referindo-se à toda infância e adolescência], pág 48.

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