20/03/06 - 13h:16mDenunciar

Frequentemente aquele que poderia dar o passo decisivo e consertar sua vida - mesmo dentro dessa relação - não se permite isso. A culpa não deixa. O medo de perder o parceiro não permite. O receio da solidão, pior ainda.



Tudo fica como está: por baixo das aparências corre o rio turvo do lento e tácito suicídio a dois, físico ou moral. É a morte das alegrias e das ternuras, um acordo fatal no qual a esperança fica revogada. A culpa, disse alguém, é como uma mala cheia de tijolos, peso inútil que carregamos de um lado para outro sem objetivo algum. Haveria só uma solução: jogá-la fora inteira ou ao menos parte dela.



Mas regras auto-impostas, acordos nunca verbalizados, ajustes aparentemente necessários para evitar um conflito que poderia ser salutar - nem falo da guerra surda que desenrola tão seguidamente entre casais - , ou comodismo, nos impedem de agir. Levantam aquelas intransponíveis colunas de Hércules que serão derrubadas algum momento mais tarde com violência e dor, ou serão o monumento em honra de duas existências boicotadas.





(Perdas e Ganhos-Lya Luft)



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