03/04/09 - 22:37Denunciar

Rafael Bittencourt

COVER GUITARRA

Desenvolver sua carreira de maneira integral dentro de uma banda de rock de sucesso é algo sonhado por muitos guitarristas, afinal, quem não gostaria de ter fama e o reconhecimento fazendo o que mais gosta? Porém, a verdade é que, após anos trabalhando com as mesmas pessoas, desconfortos podem surgir, apesar de toda fama e reconhecimento, como brigas internas ou mesmo a necessidade de um tempo para arejar a criatividade. Rafael Bittencourt, um dos fundadores do Angra, passou recentemente por essas duas situações. Com o empresário do grupo envolvido em um imbróglio judicial que os tem impedido de fazer shows ou lançar novos trabalhos: o guitarrista aproveitou suas “férias forçadas” para produzir Brainworms I, primeiro trabalho do Bittencourt Project, sua banda solo. A grande novidade deste CD é o músico estreando como cantor, além do caldeirão de influências rock n’ roll que certamente surpreenderá os fãs do Angra. Na entrevista a seguir Bittencourt comenta sobre este trabalho, sobre seu processo criativo e abre o jogo sobre a parada do Angra. De quebra presenteia o leitor com uma guitar clinic exclusiva, com riffs e solos comentados de Brainworms I.

A maioria dos guitarristas, quando lança algum trabalho solo, opta pelo formato instrumental. No Bittencourt Project, você gravou basicamente canções em que a guitarra, apesar de rpesente, não está em primeiro plano. Por que optou por um trabalho solo neste formato?

Em um trabalho-solo, você deve mostrar o que faz de melhor. O que me inspira são canções. Acho que, talvez, não seja um especialista da guitarra. Se fizesse um CD todo de guitarra instrumental, não faria o meu melhor, e também não mostraria o que gosto de fazer, que é produzir, arranjar as músicas e compor. Também precisava ter um diferencial, não poderia ser igual ao Angra. Por isso, procurei explorar outras coisas, arriscar bastante. É um CD biográfico no sentido de mostrar os tipos de música de que eu gosto e outras roupagens para composições que poderiam ser do Angra. Selecionei músicas que considerei curiosas para o fã. Tive esse foco o tempo inteiro, de que of ã do Angra conhecesse um lado meu diferente.

Qual é o seu tipo de concepção de um álbum?

Quando vou fazer um CD, busco criar um ambiente que envolva o cara, da mesma maneira que o fã do Led Zeppelin se envolveria com o disco Physical Grafiti, por exemplo. Aquela capa com as janelinhas, você viajava naquilo, uma música te levando a outra, tinha toda uma coerência. Os discod do Queen também são assim. Sempre quis, mesmo dentro do Angra, que meus discos fossem assim, que eles envolvessem as pessoas, fizessem parte das suas vidas. Ficaria muito feliz se alguém chegasse para mim e dissesse: "Cara, não consigo parar de ouvir seu CD." Acho muito legal essa relação do cara comigo, pois não me exponho demais. Minha meta também era essa, de estabelecer um vínculo forte do meu trabalho com o público.

Você montou uma banda bem diferente para as gravações. A pergunta que fica é: o Bittencourt Project é uma banda de fato? Podemso esperar shows desse trabalho?

Tive que reconstruir tudo. Montei uma banda com guitarra, teclado, violino elétrico, baixopercussão, bateria e voz. Não tem mais aquela coisa de duelo de guitarra, fizemos dueto de guitarra e violino! O propósito nunca foi o individualismo, por isso, o CD não tem o meu nome nem minha foto. Não é o CD solo do Rafael Bittencourt, o projeto era o mais importante, todas as melodias e as guitarras estão a serviço das composições, e não o contrário. Espero tocar este projeto em frente e fazer shows. Temos um convite para tocar no Japão em janeiro, logo vamos botar o pé na estrada com um time mais ou menos fixo. Mas certamente, conforme o Angra retornar, será um projeto secundário.

Uma surpresa é você cantando em todas as faixas. Como lidou com isso? Teve que estudar técnica vocal para as gravações?

Sempre gostei de cantar. Já participei de uns trÊs ou quatro corais e, quando estudei regÊncia na faculdade, meu maior foco era a música vocal. A minha voz não é aguda nem heavy metal, não estava a fim de fazer aquela coisa empostada, queria cantar natural. Pesquisei muito sobre caras que tocam e cantam, como o Steve Ray Vaughtan, Lenny Kravitz, o James Hetfield. Fiz alguns shows de covers, até encontrar o meu estilo, que é bastante calçado no rock n' roll antigo, tipo Black Sabbath, Deep Purple.

O que foi mais difícil: compor as músicas, fazer as partes de guitarra ou gravar os vocais?

A parte de guitarra deu mais trabalho, porque achei que seria muito mais cobrado como guitarrista. Cantando, se berrasse ou uivasse, não faria muita diferença. Para o guitarrista que canta, não há uma cobrança técnica tão grande em cima dele quanto aos vocais. Ele não precisa, necessariamente, ser um bom cantor, mar precisa estar dentro de um contexto, de um estilo. Por exemplo, o James Hetfield, do Metallica, tem uma "mão" legal e, apesar de não ser um ótimo cantor, tem uma voz que encaixa com a sua música.

Você teve vários convidadeos especiais. Os músicos tiveram liverdade para colaborar com as músicas?

Tiveram liberdade total! As músicas e as estruturas já estavam todas fechadas. Comecei a gravar com o Marcel Cardoso (baterista), e depois os outros músicos foram acresentando suas partes. É muito comum, em uma banda, o cara fazer as músicas no computador, com bateria eletrônica, e depois mostrar para a banda. não fiz nada disso, peguei as músicas, treinei-as aqui em casa, fui para o ensaio e toquei para o pessoal, sem nada escrito ou muito planejado. Confio nas pessoas que chamei para gravar, sei que elas poderiam fazer um bom arranjo nos seus instrumentos.

Os solos de guitarra do CD dão impressão de terem sido escritos ao invés de impovisados. Como foi a sua abordagem em relação a eles?

Não sou um bom improvisador, mas gosto muito de melodia. Sou muito fã do equilíbrio entre a parte intuitiva com a parte racional, seja na hora de tirar um som de guitarra, de compor ou de tocar. Nos solos, costumo gravar vários takes de imporvisos no Pro Tools. Vou abrindo playlists e fico tocando até achar um que fique legal. Depois, começo a praticá-lo direito, "arrumo" as partes que não ficaram tão boas, definindo-as até soarem naturais, como se tivessem saído de repente, mas bem tocadas e com uma coerência estrutural. É como se fossem pequenas composições.

Pouca gente tem coragem de gravar heavy metal em português, mas você encarou esse terreno minado...

Sempre esperei que alguma banda tivesse a ambição de fazer heavy metal em português. Acho que as bandas de hardcore, punk, rock n' roll e pop rock já fizeram isso de uma maneira legal. Com o heavy metal, ainda não é assim. Acho muito mais natural escrever na nossa língua mãe. Sempre sonhei em ser o inventor disso, da mesma maneira que o Raimundos foi percussor daquele hardcore cheio de gíria, da língua falada. Já houve tentativas de fazer metal em português, mas nunca pegou. Mesmo no Angra, sempre fui fascinado por essa idéia, mas tínhamos reticências, fizemos apenas "Caça e Caçador". Fora que, para voê ter uma cena local forte, vocÊ precisa cantar na sua língua. Na Alemanha, existe uma cena local de bandas cantando heavy metal em alemão, na América Latina temos bandas cantando heavy metal em espanhol. Não é algo underground! Acho que isso poderai ser repensado, pois o acesso natural para os brasileiros é a língua portuguesa. Por que virar as costas para isso?

Qual o caminho então, para fazer o heavy metal em português pegar?

Acho que uma boa maneira é usar músicas que já são boas composições e transportá-las oara a linguagem do heavy metal. No CD, fiz uma versão de uma música do Madredeus, "O Pastor", que é originalmente um fado português. Tentei fazer um arranjo meio In Flames, bem moderno. Tenho várias músicas nas quais caberiam arranjos heavy metal, algumas do Ivan Lins, por exemplo.

Dos integrantes do Angra, você foi o último a gravar um disco fora da banda. Podemos entender essa "demora" como uma falta de necessidade de se aventurar por outros caminhos, já que o Angra satisfazia todas as suas ambições artísticas?

O Angra sempre foi minha ocupação principal, tomava muito do meu tempo. E não sou um cara que consegue fazer muitsas coisas simultaneamente, porqque demoro muito para me dar por satisfeito musicalmente. Isso atrapalha um pouco, pois preciso me concentrar completamente naquilo.

Como foi reencontrar o baterista Ricardo Confessori após tanto tempo?

Foi legal ver que o mundo dá voltas. Fazia dez anos que não nos víamos. Ele está totalmente diferente, mais maduro, você vê no olhar da pessoa que muito tempo passou, acho que ele reparou isso em mim também. No trabalho de uma banda, nem sempre você desenvolve uma relação afetiva com todos os membros. Com o Ricardo tínhamos uma amizade antes da saída dele da banda. A "Comendo Melancia" que é uma música instrumental, já havia sido gravada por ele no primeiro CD da Cover Guitarra. Não é uma música muito conhecida, apesar de ela ter tocado bastante em programas de esporte.

Essa participação do Ricardo contribui para aumentar os rumores de uma passível volta do Angra. Qual é exatamente a situação da banda?

Isso é verdade, mas é uma coisa fora de controle, pos essa parada do Angra ainda é incerta. A banda existe e tem uma formação que todo mundo conhece, que é o Edu Falaschi, o Felipe Andreoli, o Aquiles Priester e o Kiko Loureiro. O que acontece é que estamos com um processo judicial, pois nosso empresário endividou-se e usou o nome do Angra para pagar suas dívidas pessoais. Isso tem nos prejudicado diretamente e agora, por causa dessa atitude, não queremos mais trabalhar com ele. Essa desvinculação precisa ser feita e é algo complicado. Para fazer um show amanhã, tendo esse empresário dentro da estrutura, é muito simples, mas preferimos não trabalhar mais com ele. Além disso, o nome da banda está penhorado pela Justiça. Isso complica para vendermos shows, sermos contratado por outra agência e assumir outros compromissos.

Então, o baterista Aquiles Priester ainda faz parte da banda?

Ele não está oficialmente fora. Ele tem um contrato com pessoas e, para sair da banda, seria necessário reacindí-lo. Acho que o Aquiles cuspiu um pouco no prato que comeu, magoou a banda por falar mal de nós, foi um pouco de falta de ética. A permanência dele no grupo depende mais dele e do desejo dele em se desculpar com o Angra e com os fãs, por utilizar os meios de comunicação pra maldizer um grupo que o levou a ser o que é hoje.

O que você achou da repercussão do Aurora Consurgens, um disco que dividiu opiniões entre os fãs do Angra? Ele também contribuiu para a dissolução do grupo?

A dissolução não foi por causa da repercussão deste álbum. Tivemos uma desorganização interna que gerou um álbum não tão impactante. Você tem que ter essa organização interna para potencializar os talentos. Além disso, na época do álbum e independentemente da sua repercussão, estávamos sentindo que o direcionamento tinha que ser um pouco diferente. Este foi um álbum um pouco apressado, que não nasceu de um ambiente artístico, com tempo para ser feito. Fizemos na correria, tivemos pressões de vários lados para terminá-lo. Você não pode forçar uma árvore, uma criança ou qualquer ser a nascer mais rápido do que o seu tempo. Existe um curso natural para o amadurecimento daquela idéia.

Para finalizar, como seria o novo Angra?

Hoje em dia, conversando com o Kiko, o Felipe e o Edu, temos muitas idéias para novos direncionamentos. Coisas que deram certo no Aurora e que seria legais se continuássemos fazendo, coisas que já não dão mais tão certo, coisas que deram certo em álbuns antigos e seria legal darmis uma revistada. Atualmente, a cada dois anos, as tendências no cenário musical mudam completamente. O Angra, para não virar uma "banda de vovôs", que vive da sua história e toca só os sucessos antigos, para os quais ninguém está mais aí, tem que continuar onovando, trazendo tendências. Estou matutando qual seria o formato para continuarmos sendo referência, quero que a banda continue trazendo novidades.

www.canaldomusico.uol.com.br

Comentários (3)

truncksrebel
1. truncksrebel 3/04/09 23:48

Boa entrevista Rafael é o Kara \,,/

kaulitzsexy
2. kaulitzsexy 4/04/09 9:51

oiee fofo aki adorei =========== *me add *e seja add =========== volta?

bynhogothico
3. bynhogothico 6/04/09 0:39

(6) te add... desde ja te parabenizo pelo flog ta muito massa... curto tbm a banda... um abraço e tenha uma otima segunda!

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