11/09/09 - 13:20Denunciar

Kiko Loureiro

CARREIRA ARTÍSTICA

Estou dentro de um avião, voltando do Chile, já tendo passado pela Argentina e indo direto para Bragança Paulista, Florianópolis, Uberaba – tudo em uma semana, e já (re)fazendo as malas para uma turnê de 50 dias na Europa. Passei o mês anterior viajando com o Angra e o Sepultura, lancei o álbum Neural Code (com o baterista Cuca Teixeira e o baixista Thiago Espírito Santo) e ainda concedi dezenas de entrevistas de divulgação para TVs, sites e rádios. Além disso, meu novo CD-solo, Fullblast, já está se espalhando pelo mundo. Foi lançado no Brasil, Argentina e Japão (em breve, sairá também na Europa). Mais entrevistas, promoções a cada minuto, nada pode parar...

As viagens por tantas cidades e países colocam-me em contato com vários guitarristas. Estudantes ou profissionais, não importa, todos com seus sonhos, seus CDs em mãos para eu escutar e opinar, crentes ou descrentes da profissão. Esta confraria guitarrística, em seu âmago, tem um perfil similar, sonhos semelhantes e ideais convergentes. Mas nem sempre há espaço para tantos talentos.

Quando a gente descobre o universo da música e o mundo da guitarra, nós nos dedicamos todas as horas possíveis para dominar o instrumento. A meta é ter prazer com a música e, quem sabe, viver profissionalmente deste “hobby”. Pode-se conseguir acompanhar um artista, dar aulas para ter um sustento ou viver das próprias composições. O próximo passo, então, é conseguir gravar seu primeiro trabalho autoral, mostrar suas ideias e revelar ao mundo o quanto você domina, assim como outros famosos, o instrumento nosso de cada dia.

Nesta passagem pelo Chile e Argentina, recebi mais de 10 CDs de músicos que participaram do Coca-Cola Zero Guitar Fest. Na maioria, muito bons e de ótimo nível musical e artístico. E isso me faz pensar que, apesar de parecer o auge que um guitarrista pode alcançar, o seu primeiro registro musical é apenas o “princípio do começo do início” , independente do que ele passou para chegar até ali. É o ponto de partida, o marco inicial de algo que ainda está por vir, que ele deve laborar e solidificar. Construir uma careira artística, esta é a meta real – uma sucessão de trabalhos, uma afirmação de que existe consistência, legitimidade e continuidade em suas ideias. O objetivo é, com esta seqüência, encontrar a sua própria sonoridade e levar suas descobertas aos ouvintes, transformando-as em seu estilo musical.


KIKO LOUREIRO

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