23/11/09 - 12:15Denunciar

Kiko Loureiro

Divagações no Divã da Guitar Player

No blog deste mês, claro que não poderia deixar de comentar sobre a matéria de capa – pesquisa sobre o meu estilo de tocar, os passos principais a seguir, uma mesa-redonda, sessão de fotos e vídeos para o site de Guitar Player. Toda essa somatória de informações com a intenção de encontrar exemplos para outros guitarristas, que os ajude a guiar seus estudos e até auxiliar em suas decisões de vida.

É interessante como essa busca em fatos da minha vida possa orientar músicos da nossa confraria guitarrística. Eu mesmo não me dou conta do ocorrido ao longo destes 25 anos tocando. As entrevistas vasculhadoras e detalhistas funcionam como um divã freudiano, onde tenho de encontrar certos porquês de que nem eu mesmo me dou conta. Explicar atitudes, as bem-sucedidas ou as escolhas certas, como se tudo tivesse sido premeditado e calculado. Puxo pela memória já oscilante fatos meio borrados e desgastados de quando comecei a tocar. O que eu fazia não foi nada diferente de outros amigos que também iniciavam uma trajetória musical. É um pouco estranho ser sabatinado pelo meu próprio professor de tantos anos Mozart Mello, como se eu tivesse algo para acrescentar em tudo que ele me ensinou. Mas, em realidade, por outra perspectiva e exercitando um pouco esta questão psique, minha vida é diferente da de qualquer um, e mesmo que estudemos as mesmas coisas, o ambiente em que vivemos, seja familiar, escolar ou situações extramusicais, nos direciona para caminhos diversos. Além disso, nossos gostos, ideais de vida e maneirismos também influenciam quem somos e o que queremos ser.

As portas abertas e fechadas, dúvidas, escolhas, erros e acertos estão sempre a nos desafiar e a deixar a vida interessante e viva. Histórias vividas são exemplos sempre. Acredito que a observação destas histórias, com demonstração de perseverança, autoconfiança, honestidade, equilíbrio, dedicação, amor à causa, viradas de mesa, voltas por cima, são referências para todos, mesmo que tudo isso soe como como um best-seller de auto-ajuda. Assim, uma mesa-redonda curiosa e investigadora se faz interessante e pode servir de ponto de partida para alguns. É engraçado relembrar fatos remotos que, como todos outros músicos, eu também vivi: meu dedo doía para fazer pestana, entrei tímido em minha primeira aula de guitarra e pirei com a facilidade com que o professor tocava pentatônicas, por muitas vezes toquei muita coisa errada e fiquei chateado por isso (continuo errando, apenas aprendi a conviver e aceitar os erros), fiquei sem voz de nervosismo quando fui gravar minha primeira videoaula, várias vezes achei que havia me colocado em situações de shows com pessoas e lugares das quais não me julgava à altura e que seria melhor estar em casa, tocando no meu quarto. Nada diferente de ninguém. Todos nós passamos ou passaremos por isso, mas cada um do seu jeito e dentro das oportunidades que aparecem.

É difícil a posição de aconselhar alguém, pois nem sempre nós mesmos temos a certeza de nossos caminhos. No fundo, o que importa é tocar com dedicação e felicidade, buscar se aprimorar como músico e instrumentista, estudar e criar situações novas para uma melhoria e aprendizado constante.


KIKO LOUREIRO

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