07/11/04 - 23h:42mDenunciar

Bate-Papo AOL com Aquiles Priester



Depois de uma recepção bastante calorosa no Japão, o novo álbum do Angra, "Temple of Shadows", agora vai ganhando espaço em território nacional. A música de trabalho, "Wishing Well", já está bombando nas rádios e a galera está mais do que ansiosa pelos shows da "Temple Of Shadows Tour" pelo país.



Leia abaixo a transcrição editada com os melhores momentos do bate-papo:



Pergunta: Qual é a música que você mais gostou?

Aquiles: Eu gostei mais da Angels And Deamons ao vivo. Até definir a introdução de Angels and Demons, os caras me disseram "Aquiles, aqui é a tua parte. A gente vai colar no que você fizer". Eu lembro que essa música a gente fez numa tarde. Na hora de compor as linhas de bateras, eu idealizei que cada música teria um coringa, alguma coisa bem diferente da estrutura, dos padrões rítmicos que a música inteira traz. Eu gosto do disco inteiro, porque ele é conceitual. Se você pular músicas você não vai entender o conceito. O disco começou a ser conceitual a partir da parte instrumental. Foi aí que pintou a idéia do disco conceitual. No show, é lógico que eu gosto de tocar as mais rápidas. Quando o Rafael teve a idéia do disco, de lidar com religião, até ele mesmo abordou o assunto de forma diferente. Ele tratou de lidar com cada integrante individualmente.



Pergunta: E essa história de misturar religião?

Aquiles: Todo mundo já sabia que esse seria um assunto polêmico. Religião é uma coisa que, internamente, na banda, cada um tem a sua. Mas não é a posição do Angra. A gente tá colocando um assunto pra que as pessoas discutam, questionem no que acreditam.



Pergunta: Como você fez para aprender a tocar assim? Parecia que tinha uns 10 bumbos...

Aquiles: Eu fico sem graça quando as pessoas falam do meu desempenho. Geralmente, quando eu estou gravando, eu tenho uma idéia da música como um todo. Agora, as viradas, eu procuro criar na hora. Pelo fato de eu sempre ter estudado bastante técnica, ouvido muitos discos de batera técnica, a coisa flui. Pra mim é difícil tocar uma coisa reta. Para tocar ao vivo eu tenho que estudar na hora.



Pergunta: Os shows terão participações especiais?

Aquiles: Não vai ter Kai Hansen no Rio. Provavelmente, quando a gente for gravar o DVD, no final da tour, a gente vá trazer gente de fora. Pode ser que role se a gente for tocar fora. A gente vai gravar o DVD aqui em São Paulo, no fim da tour, que é quando o show está no ápice. É quando a movimentação de palco está mais perfeita.



Pergunta: Qual é a sua banda preferida Aquiles?

Aquiles: Minha banda preferida, hoje, é o Journey. E o Iron Maiden, que me influenciou muito, mas que com o passar dos anos eu deixei de escutar. Eu comecei a tocar batera aos 14 anos. Estava acontecendo o Rock In Rio I, e eu montei uma batera com potes de sorvete. Os vizinhos adoravam isso... Depois eu larguei a carreira do futebol, pra me dedicar totalmente ao instrumento. Eu jogava como profissional, e em 88, 89 eu larguei tudo.



Pergunta: Vocês gostariam de fazer uma turnê com alguma banda em especial, com quem vocês nunca tocaram?

Aquiles: Seria muito legal fazer uma turnê com o Dream Theather. Ou Blind Guardian, que seria mais metal melódico. É lógico, tocar com Metallica e Iron será bacana.



Pergunta: Na parte da composição, o Rafael trouxe tudo pronto ou cada um teve sua opinião registrada no CD também?

Aquiles: A gente trabalha a composição da seguinte forma: o cara que traz a harmonia, o cara não necessariamente tem que trazer os ritmos juntos. Ele apresenta a música e cada um acrescenta a sua parte. A gente trabalhou todos os ritmos inteiramente juntos, a banda inteira.



Pergunta: Eu lendo o livro Código Da Vinci, lembrei muito do conceito desse novo disco. Alguma influencia foi tirada dele?

Aquiles: Sobre o Código Da Vinci, eu não sei. O Rafael só apresentou as idéias. Ele eu sei que se afundou em livros pra ter o conceito.



Pergunta: Você tem ainda contato com a banda do Paul Dianno?

Aquiles: Aquela banda que tocou com o Paul... Nosso contato foi super rápido. A gente se encontrou umas duas vezes com o Paul em um festival. Ele até comentou que, se a gente não estivesse ocupado, até daria pra fazer outra turnê. Mas agora é difícil.



Pergunta: Não acha perigoso falarem que vocês estão imitando o "ritual", do Shaman, nessa questão de trabalhar com a religiosidade?

Aquiles: Eu acho que não estamos imitando o Shaman. Foi muito saudável esse negócio, o Shaman lançou uma outra linha. Nesse ponto o Shaman foi muito feliz, porque eles conseguiram manter aquela posição deles, de sair da banda para fazer uma coisa mais direta, mais crua. São duas bandas completamente diferentes. Tem muitas outras bandas do mundo que já fizeram e fazem discos conceituais sobre esse mesmo assunto. Isso é muito mais preocupação do próprio fã. Da nossa parte existe um respeito grande pelo trabalho que eles fazem.



Pergunta: O que você acha do antigo baterista do Angra, Aquiles?

Aquiles: O Ricardo é um grande batera. Ele é de uma época em que esse estilo de música não era colocado na vitrine. Ele dedicou muito da vida a tocar. Sempre que eu ia aos shows do Angra como platéia eu gostava dele.



Pergunta: Além do rock, você ouve algum outro estilo musical mais brasileiro?

Aquiles: Eu gosto muito de coisa regional. Eu corto Zé Ramalho. Alceu Valença, Terço, Made in Brazil, Tutti Frutti, Rita Lee... Eu sou bastante eclético.



Pergunta: No novo álbum, você esta detonando muito na bateria, assim como no Rebirth e Hunters and Prey, fora que no seu solo do Live in São Paulo você detonou... Você poderia dar alguma dica para nos amadores que pretendemos tocar batera numa banda?

Aquiles: O mais importante é o cara definir o estilo que ele quer tocar. É importante ter uma idéia de todos os ritmos. Isso é importante para a formação do estilo. Mas é importante não ser bitolado em um único estilo. Se tirar um bumbo meu, não acontece nada. Eu vou ter várias idéias diferentes para continuar tocando heavy metal. A minha formação vem de tocar com um bumbo só. Eu toquei em muita banda de baile, o ecletismo tá no sangue.



Pergunta: Falando em Shaman, qual a relação do novo Angra com os ex-integrantes, como o Matos? Ele disse em uma entrevista que não existe mais contato.

Aquiles: É verdade, não existe mais contato com o Shaman. Acontece em alguns eventos sociais. Existe um respeito, um cumprimento. Mas não existe uma relação. Mas a gente não tem problema nenhum com os ex-integrantes da banda. Pode ser que exista alguma coisa entre os cinco integrantes originais.



Pergunta: E participar de programas de tv, não acha que é meio estranho?

Aquiles: Essas idas ao Jô Soares têm que ser encaradas de outra forma: se você stá feliz com o que está tocando nas rádios... Quando uma banda de heavy metal consegue furar o bloqueio, é fantástico. A gente não tocou samba, nem axé. A gente tocou heavy metal. Muitos fãs novos falaram que não conheciam até o Jô, o Serginhos Groismann. O fã tem que entender isso como uma coisa que está se ampliando. Quanto maior for a banda, mais espaço vai ter para outras bandas, mais lojas vão se interessar por heavy metal. É um trabalho pra cena inteira. Nosso objetivo, como banda, é que a cena metal se torne cada vez maior, cada vez mais profissional.



Pergunta: Para uma banda dar certo, além da criatividade, do diferencial das músicas, vocês acham que é necessário ter sorte?

Aquiles: Não é preciso sorte. Mas, quando pintar a oportunidade, você tem que estar pronto. Eu tive sorte de fazer o teste do Angra. Mas, ao mesmo tempo, eu estava preparado. Fora isso, o mais importante na banda é respeito. Um casamento entre um homem e uma mulher já é difícil. O casamento da banda... São cinco homens, cada um com um ponto de vista. Você tem que ponderar, saber ouvir. O grande x da questão pra uma banda dar certo é a convivência. A gente foi pro Nordeste, a gente ficou 23 dias juntos. E é junto mesmo. Você divide todos os momentos com cinco pessoas que nem sempre têm a mesma opinião.



Pergunta: Vocês lançaram algum clip do Temple of Shadows ou fica para próxima?

Aquiles: Nós vamos lançar clipe sim. A gente deve gravar em novembro. E a música vai ser a Whishing Well.



Pergunta: Aquiles, o Rafael e o Edu falaram que o novo disco já deve ser gravado no primeiro semestre do próximo ano. Gostaria que você falasse sobre esse próximo álbum. Vai haver algum cover, ou só músicas que "sobraram" do Temple of Shadows? Ele vai ser a mesma linha, puxando mais para o heavy progressivo?

Aquiles: Músicas de sobra do Temple os Shadows não tem. A gente tem músicas minhas e do Felipe que não entraram nesse disco. Quando a gente começar a fazer músicas novas, vai depender muito do processo de criação. Se a criatividade estiver em alta, a gente pode abandonar esse mate[não permitido]do. Mas a vontade é, na segunda metade do próximo ano, lançar o próximo disco.



Comentário: Eu fico impressionado como os fãs sabem de tudo... O relacionamento de vocês deve ser bem próximo, não?

Aquiles: A relação com os fãs é essencial. A gente quer saber o que eles pensam, o que eles acham do nosso relacionamento com eles. O nosso site, http://www.angra.net/ , é o nosso ponto de encontro. Os fãs podem acreditar que a gente dá uma importância muito grande para tudo o que eles pensam.



Pergunta: E quanto ao seu trabalho no Hangar?

Aquiles: O Hangar já tem um disco inteiro pronto, as músicas estão bem legais. Eu me surpreendi bastante com o resultado. A gente compôs as músicas em fevereiro, eu tinha gravado com o Angra fazia um mês. Eu fiquei surpreso com a demo. As linhas de batera estão incríveis. O Fábio Laguna definitivamente se incorporou na banda. Esse disco vai ser muito legal, infinitamente superior ao anterior. A gente vai gravar em janeiro.



Aquiles: Eu quero dizer que foi um prazer imenso estar aqui, foi um prazer imenso. É fantástico ter esse contato, tanta gente perguntando coisas tão legais. Tem uma sintonia grande da banda com os fãs. Eu quero convidar todo mundo para ir aos shows, pois a banda está soando muito bem ao vivo. Conto com a presença de vocês todos!

Comentários (3)

mistressofdeadangel
1. mistressofdeadangel 8/11/04 3:11

aeeeeeeee...... Angra eh muoito bom.... m falaram tri bem desse cd... qru v
c escuto ele loguinhu.. hehehehe...
qndu der passa nu meu singelo flog... eras isso,
ah, add vc, ok?!
bjus, fuuuuuuuuuuui

daniele
2. daniele 8/11/04 10:53

esse kara aih toca muuuuito!
Comu Edu costuma dizer...
parece ateh um polvo!
heueheuheueheueheuehu

heavymetalforlife
3. heavymetalforlife 8/11/04 18:44

O Aquiles é um musico muito bom cara, valeu por ter colocado essa
entrevista, tá muito interessante.

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