16/03/10 - 10:33Denunciar

Kiko Loureiro

A BELEZA DE TOCAR JUNTO

De volta à Europa! Duas semanas antes de começar minha turnê de workshops e shows com o Angra, estou nas terras geladas da Finlândia, justamente quando o sol aparece no céu límpido pelos ventos do norte anunciando o inverno e seu frio de tremer os ossos. São dois meus objetivos no país nórdico. O primeiro é, de forma solitária, dar continuidade à criação de músicas para o novo trabalho do Angra. O segundo é compor com músicos profissionais para conseguir que algum intérprete local se interesse pelas músicas.
Composição engloba diversas facetas. Comentei no blog anterior sobre criar com alguém familiar, seja de sua banda ou um amigo, e é basicamente isso que tenho feito em toda minha carreira enquanto guitarrista do Angra.

Agora, recebi o convite para tentar compor com pessoas que nunca vi em minha vida. Parece estranho, mas se analisarmos o lado psicológico da criação, esta situação tende a ser interessante e profícua. Contrário ao que falei anteriormente em relação a ter um parceiro amigo a quem você possa mostrar suas intimidades criativas e musicais, um estranho – inibidor, a princípio – pode ser um catalisador de pensamentos. Dois músicos de diferentes culturas, vivências, estudos e tradições podem originar energia, simplicidade e entusiasmo peculiares na hora de criar uma obra.

Inicialmente, não há forma, estrutura ou estilo musical. Afinal, como a meta é que surja uma boa composição para, depois, ser oferecida ao artista que tenha maior identidade com ela, até mesmo o conceito musical – tão necessário na hora da criação – torna-se secundário.

O importante é a fluidez de pensamentos, escutar um ao outro, criar um espelho, conectar-se ao que se ouve mesmo não sabendo o que virá, mas antecipando situações e sensações e alternando liderança e obediência. Se a estrutura não existe, ela logo aparece nos primeiros momentos e o conceito nasce espontaneamente. Diferentes personalidades trazem também distintas formas de expressão de criatividade. É bom perceber isso e corresponder a essa diferença sem impor qualquer tipo de hierarquia ou categorização.

A busca é o “terceiro indivíduo”, único e original, o resultado de dois caminhos de pensamento. Reconhecendo esta psicologia da criação, compositores locais me convidaram para que tivessem algo novo e diferente de seus usuais colaboradores. Para mim, uma nova experiência, assim como para eles. Nada fácil, porém, porque são horas e horas de tentativas muitas vezes em vão e inócuas. A dialética da inspiração versus transpiração, do dom através da dádiva versus domínio através da dedicação. Compor também é prática e exercício.

Como disse Igor Stravinsky:
“Quando escrevo meu trabalho, não posso separar o esforço espiritual do esforço psicológico e físico. Eles me confrontam no mesmo nível e não apresentam hierarquia”.


Por KIKO LOUREIRO

Photo by Instituto Profesional Projazz

Comentários (1)

thenormas
1. thenormas 17/03/10 16:41

OS MAIS MÁSCULOS E CHARMOSOS DO HELLTIRO... PASSA LA NO FLOGÃO DO tHe NoRmAs QUE TU VAI VÊ. :p

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